Especial Dia dos Pais
por Inácio França, com colaboração de Pedro Lopes de França (direto de Vila Rica - MT)
Não gosto da idéia de transformar o blog num espaço privado, repleto de confissões íntimas ou dramas pessoais. Nossa idéia é garantir que essa página pertença à torcida tricolor, construído coletivamente, com os editores ficando responsáveis apenas pela manutenção da qualidade dos textos, além dos princípios da pluralidade.
Mas algumas emoções precisam ser compartilhadas com os torcedores, pois refletem um pouco o sentido de torcer pelo Santa Cruz Futebol Clube e o orgulho de ser tricolor. Pois bem, nada melhor que uma dose extra de emoção para amenizar a dor provocada pela derrota para o São Caetano.
Recebi pelo correio um pacote enviado do Mato Grosso pelos meus filhos Pedro e Júlia. No meio de algumas lembrancinhas, um envelope vermelho de cartolina com uma folha de caderno colada na face interna. Na folha, uma mensagem escrita pelo meu filho para marcar o Dia dos Pais.
Não tenho certeza, mas parece um desses trabalhos feitos por todos os alunos na aula de Educação Artística. Outros meninos escreveriam para os pais falando da viagem que fizeram juntos ou sobre algum presente que receberam. Pedro falou da alegria experimentada numa vitória tricolor, a sua vitória inesquecível.
Eis a carta na íntegra:
"Pai, lembro aquele jogo em que o Santa ganhou da "coisa" de 3 x 2. Foi um dos melhores jogos que vi no Arruda, quando Carlinhos Bala (nesse ponto, ele se confundiu e escreveu Neto) fez o gol da virada por cobertura em Maizena, a bola foi subindo e… gooool!!! Depois da partida foi tão legal zoar com Guilherme e Victor (primos rubro-negros). Quando o sport marcou 2 x 1, só lembro de você reclamando da dupla falha.
OBS: Reparem no coração tricolor no pé da página.
18 comentáriosHistórias da vida real: uma paixão além da dor
Aconteceu com o jornalista João Valadares, também conhecido como Mago Amarelo, colaborador eventual do Blog do Santinha: durante uma despretensiosa pelada de meio de semana, foi maldosamente empurrado quando estava a caminho do gol adversário. Ao se estrambelhar no chão, deslocou o ombro esquerdo. “Foi uma dor arretada”, segundo suas próprias palavras.
Do campinho, foi levado pelos amigos para o atendimento de emergência num famoso hospital ortopédico da capital pernambucana. Nem dirigir, conseguiu. Foi se contorcendo no banco de trás do carro.
No hospital, o médico, um tal doutor Geovânio, escutou o relato e antes de fazer um exame mais detalhado, avisou:
“Vai ter de tirar a camisa para que a gente possa fazer um exame completo, mas vai doer muito e você não vai agüentar. Vamos cortar a camisa! Aguarde um momento que a enfermeira vai pegar uma tesoura”.
Acontece que Valadares sempre joga bola usando uma de suas muitas camisas do Santa Cruz. Ele gosta de imaginar um Nenê da vida. Por isso, uma luz de alerta acendeu no seu cérebro:
“Peraí, doutor! Que história é essa de cortar minha camisa tricolor? O senhor é rubro-negro, por acaso?”
“Sim, eu sou rubro-negro, mas não é por causa disso, não. É que você vai sentir muita dor…”
“Tem isso de dor, não. Rubro-negro nenhum vai cortar camisa do Santinha. Você tá é de sacanagem! Vou tirar a camisa com dor e tudo”.
Mal acabou de falar, Valadares foi logo colocando em prática sua decisão. Trincou os dentes, deu uns berros e foi tirando a camisa usando apenas a mão direita, pois a esquerda parecia que estava solta, sem movimento. Solidário, o médico tentou ajudar, mas foi repelido pelo nosso herói.
“Fique na sua! Rubro-negro não bota as mãos na minha camisa tricolor.” Pelo que João falou, foi uma dor terrível: “Rapaz, doeu muito. Acho que foi a pior dor que senti na vida. Me lasquei todinho, mas salvei a camisa”.
O problema só foi corrigido depois de uma pequena cirurgia, com direito a anestesia-geral e duas semanas de licença-médica, longe da redação do Jornal do Commércio. Ainda hoje, mesmo da tala ser removida, o ombro ainda dói. Mas seu orgulho tricolor permaneceu intacto.
5 comentáriosO melhor dos vizinhos

Lá no fundo, as arquibancadas superiores e a "fachada" das cadeiras cativas (se não acredita, clique na foto que ela fica maior)
por Inácio França











