Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 11 de agosto de 2006

Especial Dia dos Pais

Emoção entregue pelo correio

por Inácio França, com colaboração de Pedro Lopes de França (direto de Vila Rica - MT)

Não gosto da idéia de transformar o blog num espaço privado, repleto de confissões íntimas ou dramas pessoais. Nossa idéia é garantir que essa página pertença à torcida tricolor, construído coletivamente, com os editores ficando responsáveis apenas pela manutenção da qualidade dos textos, além dos princípios da pluralidade.

Mas algumas emoções precisam ser compartilhadas com os torcedores, pois refletem um pouco o sentido de torcer pelo Santa Cruz Futebol Clube e o orgulho de ser tricolor. Pois bem, nada melhor que uma dose extra de emoção para amenizar a dor provocada pela derrota para o São Caetano.

Recebi pelo correio um pacote enviado do Mato Grosso pelos meus filhos Pedro e Júlia. No meio de algumas lembrancinhas, um envelope vermelho de cartolina com uma folha de caderno colada na face interna. Na folha, uma mensagem escrita pelo meu filho para marcar o Dia dos Pais.

Não tenho certeza, mas parece um desses trabalhos feitos por todos os alunos na aula de Educação Artística. Outros meninos escreveriam para os pais falando da viagem que fizeram juntos ou sobre algum presente que receberam. Pedro falou da alegria experimentada numa vitória tricolor, a sua vitória inesquecível.

Eis a carta na íntegra:
"Pai, lembro aquele jogo em que o Santa ganhou da "coisa" de 3 x 2. Foi um dos melhores jogos que vi no Arruda, quando Carlinhos Bala (nesse ponto, ele se confundiu e escreveu Neto) fez o gol da virada por cobertura em Maizena, a bola foi subindo e… gooool!!! Depois da partida foi tão legal zoar com Guilherme e Victor (primos rubro-negros). Quando o sport marcou 2 x 1, só lembro de você reclamando da dupla falha.

OBS: Reparem no coração tricolor no pé da página.

18 comentários

Histórias da vida real: uma paixão além da dor

Amor acima da dor

Aconteceu com o jornalista João Valadares, também conhecido como Mago Amarelo, colaborador eventual do Blog do Santinha: durante uma despretensiosa pelada de meio de semana, foi maldosamente empurrado quando estava a caminho do gol adversário. Ao se estrambelhar no chão, deslocou o ombro esquerdo. “Foi uma dor arretada”, segundo suas próprias palavras.

Do campinho, foi levado pelos amigos para o atendimento de emergência num famoso hospital ortopédico da capital pernambucana. Nem dirigir, conseguiu. Foi se contorcendo no banco de trás do carro.

No hospital, o médico, um tal doutor Geovânio, escutou o relato e antes de fazer um exame mais detalhado, avisou:

“Vai ter de tirar a camisa para que a gente possa fazer um exame completo, mas vai doer muito e você não vai agüentar. Vamos cortar a camisa! Aguarde um momento que a enfermeira vai pegar uma tesoura”.

Acontece que Valadares sempre joga bola usando uma de suas muitas camisas do Santa Cruz. Ele gosta de imaginar um Nenê da vida. Por isso, uma luz de alerta acendeu no seu cérebro:

“Peraí, doutor! Que história é essa de cortar minha camisa tricolor? O senhor é rubro-negro, por acaso?”

“Sim, eu sou rubro-negro, mas não é por causa disso, não. É que você vai sentir muita dor…”

“Tem isso de dor, não. Rubro-negro nenhum vai cortar camisa do Santinha. Você tá é de sacanagem! Vou tirar a camisa com dor e tudo”.

Mal acabou de falar, Valadares foi logo colocando em prática sua decisão. Trincou os dentes, deu uns berros e foi tirando a camisa usando apenas a mão direita, pois a esquerda parecia que estava solta, sem movimento. Solidário, o médico tentou ajudar, mas foi repelido pelo nosso herói.

“Fique na sua! Rubro-negro não bota as mãos na minha camisa tricolor.” Pelo que João falou, foi uma dor terrível: “Rapaz, doeu muito. Acho que foi a pior dor que senti na vida. Me lasquei todinho, mas salvei a camisa”.

O problema só foi corrigido depois de uma pequena cirurgia, com direito a anestesia-geral e duas semanas de licença-médica, longe da redação do Jornal do Commércio. Ainda hoje, mesmo da tala ser removida, o ombro ainda dói. Mas seu orgulho tricolor permaneceu intacto.

5 comentários

O melhor dos vizinhos


Lá no fundo, as arquibancadas superiores e a "fachada" das cadeiras cativas (se não acredita, clique na foto que ela fica maior)

por Inácio França

Minha infância foi toda na Zona Sul. Até hoje, lembro que morava em Piedade, numa casa que não existe mais na avenida Bernardo Vieira de Melo, quando fui pela primeira vez ao estádio José do Rego Maciel. Todo uniformizado, vestindo uma camisa com aquelas inesquecíveis listas verticais, ao lado de papai, esperei meu tio Lauro e meu primo Fábio, que também iria fazer sua estréia. Foi em 1975, eu tinha sete anos e o Santinha deu uma lapada no Corinthians: 1 x 0, gol de Ramón.
 
Depois, final da infância e início de adolescência, moramos em vários endereços entre Setúbal e Imbiribeira. O dinheiro foi rareando e, quando tinha uns 12 ou 13 anos, as finanças da minha família entraram em colapso e a perspectiva de mais uma mudança, desta vez pras bandas do Arruda, Beberibe, Água Fria ou Tamarineira, se tornava mais real.
 
Nessa época, a família do meu tio já citado vivia num apartamento perto do estádio. Eu morria de inveja da facilidade que meu primo tinha de ir aos jogos do Santa. Até pra treino ele já tinha ido! Quando seu pai não o levava, ele curtia o desfile de bandeiras e camisas tricolores a caminho da avenida Beberibe.Não poderia imaginar programação melhor para as férias.
 
Era papai fazendo das tripas coração para manter a família na Zona Sul, perto dos parentes de mamãe, e eu, silenciosamente, torcendo pela Zona Norte.
 
Não teve jeito: graças aos preços dos aluguéis da Imbiribeira, numa área rodeada pelos motéis da Antônio Falcão, continuamos razoalvelmente perto da praia. E longe, muito longe do José do Rego Maciel.
 
Até há pouco tempo, me julgava meio maluco por desejar morar perto da sede do meu time. Tive certeza disso quando li o famoso Febre de Bola, do inglês Nick Hornby, e descobri que ele comprou um apartamento só para ver um pedaço da arquibancada do estádio do Arsenal.
 
Agora, com 37 anos nas costas e dois filhos no currículo, sou vizinho do Arruda. Vizinho é exagero, vá lá, mas moro perto. Dá pra ir a pé pros jogos sem maiores problemas.
 
Admito que, quando procurava apartamento pra comprar junto com a alvirrubra dos meus sonhos, foi decisivo o fato de poder enxergar um pedaço do estádio da janela de um dos quartos.
 
Portanto, a partir de agora, sempre que faltar inspiração para atualizar o blog, basta esticar o pescoço e olhar o Arruda pela janela.
 
*****
 
Quadro de avisos
Aviso 01 - Como a maioria dos leitores do blog concordou (47% dos leitores disseram sim à mudança, contra 13% de respostas negativas e 40% de indiferentes), já começamos a providenciar a mudança de endereço do Blog do Santinha: em breve, nosso endereço será o www.blogdosantinha.com Mais fácil para decorar e indicar aos amigos. O registro do domínio foi contribuição do tricolor Cláudio Cacau Machado, exilado em Brasília faz algum tempo. Ele também está providenciando a migração do conteúdo e todas as minúcias técnicas. O design ficará por conta do também tricolor Léo Antunes, que começará a tratar do assunto na próxima semana.
 
Aviso 02 - Para a maior parte dos tricolores que visitam o blog, o técnico Maurício Simões é o grande destaque da boa campanha pós-Copa: o treinador teve 88 votos (42,5% do total). O zagueiro Váldson também foi considerado como um dos responsáveis pela evolução do time, com 42 votos, ou 20,3% do total. Osmar (10%), Nenê (6,7%) e Márcio Alemão (5,8%) foram outros com votação expressiva.
 
Aviso 03 - voltamos ao segundo lugar do ranking do Coke Ring.
4 comentários