Armadilha pra cobra
por Inácio França
Não sou técnico de futebol nem tenho a palavra abalizada. Quando estou no estádio percebo alguma alteração tática no time, faço um comentário pra quem estiver do meu lado nas arquibancadas. O problema é que os fatos costumam me desmentir. Quase sempre estou errado e as tais observações táticas que costumo fazer não passam de produtos da minha imaginação.
Mas na partida contra o São Caetano houve um fato óbvio, de um obviedade ululante, como dizia meu ídolo Nélson Rodrigues, mas que, pelo jeito, ninguém percebeu. "O óbvio é invisível", também costumava dizer o mesmo Nélson.
Como até agora não escutei nenhuma menção a isso nas resenhas nem vi uma mísera linha nos jornais, vou arriscar uma pretensiosa "análise tática": Maurício Simões caiu como um patinho na armadilha que Émerson Leão armou no já longínquo sábado.
Vamos aos argumentos. Recuado e inofensivo depois de sofrer o primeiro gol, o São Caetano voltou para o segundo tempo sem o atacante Wellington Amorim. Aparentemente, o time paulista iria segurar o jogo com mais consistência no meio. Foi o que Simões pensou. Foi isso que pensou também o comentarista da Sportv.
Com apenas um atacante para preocupá-lo e corajoso do jeito que é, Simões resolveu correr riscos. Tirou Valença, desmanchando o esquema de três zagueiros ao qual o time se adaptou tão bem e botou um meia que, em tese, deveria ser criativo. Que nada, Zada foi inócuo, um zero à esquerda.
Foi a substituição que Leão pediu a Deus. Zada ainda não tinha esquentado quando entraram em campo o arisco cabeludo Marcelinho e Gustavo, um típico atacante de área. A partir daí, foi um deus-nos-acuda danado. Pra piorar a situação, Edson Pelé se machucou três minutos depois que entrou. Aí, como não podia tomar uma, Simões só pôde rezar.
É lógico que o Santa não perdeu por causa disso. O time entrou com tanto sono que até dá para desconfiar de saltos altos. Ou salários que não foram pagos.
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