Papo de tricolor, no Mercado de Casa Amarela
Por Samarone Lima
Estava no Mercado de Casa Amarela, no sábado, tomando uma cerveja, quando sentaram os dois sujeitos ao meu lado, no balcão. Começaram a beber uma cerveja. Daqui a pouco veio o tira-gosto. Estou na minha, muito quieto, até que um deles fala:
"E Zé do Carmo, Henágio e Peu, heim?"
"Nem esperei a resposta. Peguei logo o bloquinho de notas, para trabalhar para o Blog do Santinha. Porra, vou pedir aumento a Inácio, foi o que pensei, trabalhar dia de sábado é fogo.
"E eu não sei?"
"Que time era aquele, né?"
"A gente liso, mas não faltava um jogo, nera?"
"Agora… eu tô pra ver tricolor igual àquele Carlinhos Bala. Tu visse? Ele nem comemorou o gol que fez no Santa".
(Silêncio e mordidas no tira-gosto)
"Ele disse ‘Eu amo o Santa Cruz’, sabia?"
"Eu também amo e digo, só que ele está melhor de vida, né?"
"Também, o cara praticamente nasceu no Arruda…"
"Igual ao Ricardo Rocha e ao Zé do Carmo".
"É, mas tu tás ligado que o pai do Zé do Carmo é rubro-negro?"
"O cara ter um pai rubro-negro é uma coisa triste".
"Ninguém merece. O filho tem que perdoar, o erro já foi cometido".
"Tás ligado que aquele Sebastião Rufino, o que foi juiz, é candidato?"
"Aquele filadaputa tomara que ele não se eleja. Roubou tanto o Santa Cruz, o amaldiçoado".
(Nova pausa para o tira-gosto e uma cervejinha)
"Tu sabe o que é bom para o cara não chegar em casa com cheiro de bebida na boca?"
"Chiclete. Fica mastigando um chicletezinho que tapeia bem".
"E Bala?"
"Chiclete é melhor. O cara com chicleta vai trocando a saliva, e fica tudo novinho. A mulher nem nota nada, tá ligado?"
"Então hoje eu vou empurrar o pé e mais tarde compro um bocado de chicletes".
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Todos ao Arrudão, às 22h, para fisgar o Peixe. A Sanfona Coral prometeu retornar. Acredite se quiser.
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