Vozes corais: José Nivaldo de Castro (parte 1)
Zé Nivaldo está disposto a participar de um mutirão para salvar o Santa
Acompanhe a primeira parte da conversa entre a equipe do Blog do Santinha e José Nivaldo.
BLOG DO SANTINHA - Vamos começar do ponto em que Antônio Luiz Neto encerrou sua entrevista aqui no Blog. Ele falou que está na hora de uma junta governativa assumir o Santa Cruz. Esse é o caminho?
Zé Nivaldo -
Uma coisa é certa: a solução não acontecerá com eleições. Pela via eleitoral não se muda nada no Santa Cruz. Para tirar aquelas pessoas de lá será preciso acionar o Ministério Público. Eu comparo o Santa Cruz a um país que participou de uma guerra e foi vencido. Para se reorganizar um país derrotado numa guerra é preciso um mutirão de salvação. Precisamos organizar um grupo sólido, consistente, de 100, 150 pessoas de classe média que se comporte como oposição de verdade, pessoas que se aglutinem para salvar o Santa Cruz das mãos dessas pessoas. Precisamos de uma oposição que se comporte como oposição e não como torcedores que se cotizam para ajudar a situação a saldar seus débitos.E o que esse mutirão poderia fazer de diferente em relação ao trabalho da atual diretoria?
Essa é uma questão complexa, que vai além do que deve ser feito ou deixar de ser feito, pois minhas idéias e princípios são completamente diferentes das idéias e princípios dessas pessoas que fazem parte da diretoria. Mas, primeiro, é preciso reestruturar o clube, pois o Santa Cruz é uma instituição que se tornou muito grande demais para uma, duas ou três pessoas cuidar. É preciso escolher o caminho que levará o Santa Cruz a ser o que sempre foi, ou seja, um clube que foi construído coletivamente. Isso só será possível com pessoas que tenham a intenção de trabalhar pelo Santa Cruz e pelo sucesso do clube, sem qualquer outro objetivo.
Reestruturar é um termo muito vago e se tornou um lugar-comum nos discursos dos administradores hoje em dia. O que significa exatamente "reestruturar o clube"?
O Santa Cruz é um clube eminentemente futebolístico. Nossa torcida nunca deu muita atenção à parte social do clube. É preciso compreender isso e preciso alavancar recursos para reunir um time tecnicamente bom, para montar um grupo de bons jogadores capaz de conquistar a confiança da torcida. Sem isso, o clube fica à deriva. O segundo passo é a reestruturação administrativa, incluindo aí pagamento de salários dignos para os funcionários e alavancar o quadro de sócios. Mas qualquer campanha para aumentar o número de sócios só surtirá efeitos com um time competitivo. Mas nada disso será possível se não tivermos uma administração coletiva, com muita gente vivenciando o dia-a-dia do clube.
Como montar um time bom sem dinheiro? As dificuldades financeiras do clube são crônicas. Esse é um consenso e não é novidade para ninguém…
A necessidade de dinheiro é real, não subestimo essa dificuldade. Eu sei bem o que é isso: assumi a presidência do clube logo depois que perdemos o hexa para o Náutico, o que provocou uma enorme desestruturação do clube, que tinha débitos enormes. Posso garantir que a situação era horrível. A principal diferença é que, naquele tempo, o Santa Cruz podia contar com a participação direta de dezenas de pessoas de classe média e empresários que discutiam os rumos do clube porque conheciam o clube por dentro. E contribuíam bastante. E, naquela época, contribuir era mais do que dar dinheiro. Essas pessoas participavam, buscavam soluções coletivamente. Essas pessoas se afastaram, não têm coragem de se aproximar, não podem vencer a barreira instransponível erguida pelas pessoas que hoje estão lá.
O mutirão mencionado no início da nossa conversa é uma proposta que o senhor está disposto a ajudar a concretizar ou apenas uma idéia para que outras pessoas realizem? Em bom português: o senhor está disposto a ajudar na luta contra a diretoria e voltar a colaborar com o Santa Cruz?
Sim, nessas condições eu participaria. Tenho experiência acumulada e responsabilidade com o clube que eu amo. Mas apenas nessas condições, ou seja, fazendo parte de um grupo de pessoas de classe média que assuma o clube coletivamente, que faça uma administração de pessoas e não uma administração personalizada.
continua amanhã…









