Vozes corais: José Nivaldo de Castro (final)
O ex-presidente confessa sua grande culpa, tão grande culpa
E os procuramos por julgar que são pessoas em condições de contribuir para aprofundar o debate sobre o Santa Cruz, assim como Édson Nogueira, Rodolfo Aguiar, Fernando Velozo, Tonico Araújo, Fred Arruda, Rosemberg Rafael, Sylvio Belém e alguns outros. Iremos procurar a todos nas próximas semanas. Acreditamos que, com isso, cumprimos um papel além do imediatismo do que acontece nas quatro-linhas.
A idéia é colocar como protagonistas pessoas relegadas a papéis coadjuvantes por aqueles que se consideram donos do time e que, por essa razão, têm interesse que debates do gênero simplesmente não se realizem. Desta forma, disponibilizamos o blog como um espaço de participação e um canal de expressão de idéias. Longe de nós assumir um papel de liderança que não possuímos. A luta, seja ela política ou jurídica, deve acontecer na vida real, no cotidiano, não num espaço virtual.
Agora, retomemos o diálogo com José Nivaldo de Castro.
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BLOG DO SANTINHA - Nas resenhas das rádios ou nos comentários do blog, é comum surgir o argumento que o Santa Cruz está do jeito que está porque os grupos políticos do clube não têm união. É possível haver união no tricolor do Arruda?
José Nivaldo - Essas pessoas que pregam a união entre os grupos políticos ligados ao Santa Cruz, incluindo as pessoas da atual diretoria, deveriam mudar seus critérios. Quando o time vai bem, essas pessoas aplaudem e preferem ignorar o que está acontecendo no cotidiano e nos bastidores do clube. Quando o time vai mal, pedem união. Essas pessoas desconhecem o tipo de administração que existe no clube, uma administração fechada, isolada. Deveriam repensar seus critérios.
A atual diretoria é a única responsável pelos situação do Santa Cruz?
Não. O culpado por isso tudo sou eu. Foi pelas minhas mãos que Zé Neves entrou no Santa Cruz. Eu estava na presidência quando ele foi me procurar no clube. Ele era advogado de um ex-jogador chamado Paulo Ricardo, que movia uma ação trabalhista contra o clube. Conversamos e resolvemos a situação do atleta em acordo. Logo em seguida, ele me pediu para integrar o departamento jurídico do Santa Cruz. Como ele era tricolor, o estimulei a participar, pois era nossa política agregar mais gente. Com Rodolfo Aguiar, ele teve mais espaço de participação. E aí fomos criando a cascavel.
Vamos dar uma folga ao presente e vamos falar da sua história no Santa Cruz. Como foi que o Santa Cruz entrou em sua vida?
Sou alagoano de Anadia, mas o Santa Cruz entrou na minha vida aos 11 anos, quando vim para o Recife com meus avós. Fui morar em Ponto de Parada, ali bem do lado do bairro do Arruda. Então, passei a ouvir falar do Santa Cruz todos os dias. Formei-me técnico em contabilidade e, logo em seguida, trabalhei como representante de vendas, que antigamente se chamava caixeiro-viajante. Viajei muito pelo Nordeste e, nessas viagens, fazia de tudo para acompanhar o Santa Cruz nos jogos pelo Interior e nos outros estados.
E como é que o torcedor virou dirigente?
Fui parar no Santa Cruz quando eu tinha 25 anos, depois que conheci James Thorpe, que era meu vizinho no Rosarinho. Foi ele quem me botou no Conselho, aí passei a freqüentar o clube junto com Jorginho, que tinha sido ponta-esquerda do supercampeonato de 1957. Enquanto isso, na vida profissional já convivia com Joca (João Caixero), que era gerente do Itaú. Joca assumiu a presidência interinamente depois que Gastão de Almeida renunciou em 1974. Eu já tinha minha empresa e estava viajando de férias pela Europa. Quando retornei, virei diretor de futebol com mais 29 pessoas. Aí, eu disse pra Joca: “tá, eu assumo, mas 30 pessoas não é diretoria, é assembléia”. Ele concordou e assumi o futebol junto com Napoleão Macedo e Aristófanes de Andrade. Perdemos o campeonato, mas já havia uma base para recomeçar.
Como foi a experiência como presidente do clube?
Logo depois, houve a eleição e eu me candidatei representando o grupo que passou a se chamar colegiado. Nosso adversário foi Marcionilo Lins. Vencemos e passei a administrar uma situação financeira e administrativa horrível. No futebol, a situação também era horrível, pois os três principais jogadores estavam desmotivados. Ramón, Givanildo e Luciano, que vivia dando entrevista dizendo que queria mudar de clube. Logo entendi que Luciano tinha que sair mesmo, pois precisava de outros ares. Então, aproveitei o carnaval e vendi ele pro Sport. Como era carnaval, a negociação não repercutiu muito. Logo depois, viajei pro Rio Grande do Sul porque o Grêmio estava na maior crise depois de perder o quinto campeonato seguido pro Inter. Por isso, estavam desmanchando o time. Fui lá e peguei técnico deles, Carlos Froner, o goleiro Jair, Picasso e o meio Mazinho, que seria o maior nome da campanha do Brasileirão em 1975.
Voltando, parei em Curitiba e peguei o Levir Culpi, que estava sem contrato com o Curitiba. Para trazê-lo de volta, assumi um débito que o Santa já tinha, pois tinha tomado Levir emprestado e não pagou. No Rio, fui ao Palmeiras e trouxe Pio
Como torcedor, qual foi a vitória inesquecível?
Foi o primeiro jogo do supercampeonato de 1976 contra o Sport, na Ilha do Retiro. Vencemos por 2 x 0, com dois gols de Betinho. Eu e Rodolfo Aguiar assistimos a essa partida nas arquibancadas e levamos muita chuva.
E a derrota mais doída?
Ah, foi aquele 5 x 0 pro Bahia, em abril de 1981. Inclusive muita gente vincula meu nome a essa derrota porque fui diretor de futebol naquela época, mas tive problemas com Humberto Ribeiro Alves e resolvi me afastar 10 dias antes da partida, mas viajei por conta própria e fui até a Fonte Nova. Aquela doeu muito.








