Ainda na lanterna, mas curtindo com a cara do Parmeira e tomando caldinho no Arruda, ao lado de um bocado de malucos (revisado)


Por Samarone Lima
Amigos, ando cada vez mais desinformado, e foi lá para o início do segundo tempo, quando um zagueiro do Parmeira levou um cartão amarelo, que um torcedor ao lado vociferou:
“Foi esse feladaputa que disse que vinha botar a tampa no caixão do Santa”.
Imediatamente, fui tomado por aquele ódio visceral do jogador, um tal de Ricado, creio, mas como o Santinha estava o diabo mesmo, em pouco tempo já estávamos mandando 3 x 1. Lá pelas tantas, começou um “olé” que nos divertiu deveras. Depois a Sociedade Esportiva Parmeira fez mais um golzinho, e constatamos que nada para o Santa é fácil. Passamos uns apuros no final, e chegamos a temer o pior.
Mas, tirando a pressão no final e a falta crônica de um matador, a noite no Arruda foi deliciosa. Cheguei à constatação, com meu amigo Joãozinho Peruca, que ir ao estádio com o time na lanterna, levando lapada de todo mundo, tem lá suas vantagens.
Primeiro, o ingresso é mais fácil de comprar. Os cambistas não estão nervosos, e fazem até um abatimento maior. Entrar no estádio, então, é como ir ao cinema. Passei com uma sacola preta, o policial olhou para mim com uma preguiça imensa e fez de conta que não estava me vendo. Se o Santa estivesse na décima posição, iriam querer confiscar minha sacola, dar em mim, e se tivesse uma latinha de Pitu, ela ficaria por ali mesmo.
Não vivemos, portanto, aquela “tensão-de-entrar-no-Arruda”, que todos conhecem, que é aquela provação física e espiritual que conhecemos de perto. Às vezes, quando o time está bem, penso que entrar no nosso estádio parece uma batalha campal. Quando chego à arquibancada, só falto me ajoelhar e rezar, agradecendo estar vivo.
Lá pelas tantas, eu não acreditei. A mulher aponta para o marido.
“Benhêê, quero um”.
O marido chama. Sim, amigos corais, o singelo, o pacato, o singular, a mística figura do vendedor de caldinhos, que encontramos nas praias e ruas do Recife! Só mesmo o contexto desportivo anormal, para o sujeito passar de mansinho, vendendo caldinhos de feijão e fava.
A mulher tomou o caldinho. Mulher faz coisas incríveis, em qualquer lugar do planeta. Inácio tirou a foto e queria que eu fosse entrevistar o vendedor de caldinho, mas me recusei, porque não sou corno de ficar trabalhando para nosso Blog durante o jogo. Levantei somente uma informação: o caldo custa R$ 1,50.
Rosembrick entrou no segundo tempo. Está mais magro, mais feio, mais veloz, e jogando um futebol horrível. Os cabelos estão meio aloirados. Foi apelidado por Inácio de “A fada loira”. Perfeito. Só tinha um anão por perto: Juninho.
Nosso ataque continua uma desgraça. Lá pelas tantas, um torcedor comenta:
“O treinador não tira Surubim nem Mexerica, que é para o time não ficar sem tira-gosto”.
Qua qua qua.
E ontem, o Blog do Santinha encontrou o nosso “Google Coral”. Trata-se do camarada José Guibson Dantas. O camarada sabe tudo sobre o passado, presente e até o futuro do Mais Querido. É capaz de frases do tipo:
“Sabe quem é o ídolo do River, do Piauí? Maurício Pantera”. Então ele faz digressões sobre o Pantera, quem jogava com o ele, o treinador na época do cara, os jogos, e falta pouco para dizer a arrecadação de Santa x Central, no jogo do returno, do campeonato de 1999.
Ao longo da partida, ele comentou sobre a terceira divisão do campeonato do Acre, o valor do salário do Otacílio, jogando no Pará, falou sobre as condições da quadra de futebol de salão do nosso clube, lembrou a escalação do time que jogou a terceira partida, no campeonato de 1978, e entabulou uma conversa inacreditável, com Inácio, sobre algum lateral esquerdo que não lembro o nome, que fez uma jogada na diagonal, saindo em direção ao gol adversário, mas depois perdi o resto da conversa.
A questão é simples. Nós do Blog vamos inaugurar o serviço Pergunte ao Guibson. Você clica a pergunta, se ele não souber responder, você ganha uma lata de Mucilon. Basta uma lata, que você troca por dois ingressos para o jogo de domingo. Por sinal, foi dele a frase à saída do estádio:
“E domingo vai ser o Jogo Mucilon, minha gente”.
E ainda perguntam por que somos loucos pelo Santa.
Bem, temos uma tarefa importante. Dar um chocolate no Juventude Esporte e Cultura, da gloriosa cidade de Caxias do Sul.
Perdão pela prosopopéia, amigos, mas vou aqui assistir os noticiários esportivos nacionais. Quero ver aquele Tite dando explicações sobre a derrota. Ele parece um professor de Direito Processual, com aquela cara de alpiste, falando de futebol.Vou esperar ele falar bem muito e depois vou dizer para a TV:
"Sim, meu amigo, mas… e daí?"
Ps. Espera-se que o nosso enfadado sanfoneiro Chiló retorne à boa fase e cante umas loas, na Colosso, antes do match decisivo. A Sanfona Coral está deixando a desejar, nesta arrancada rumo à Sul Americana…









