Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Outubro de 2006

Quarta-feira decisiva para o Santinha

Da redação do Blog do Santinha

A quarta-feira vai ser decisiva para o Mais Querido. Não, não estamos falando de futebol, mesmo sabendo que o Santa vai entrar em campo, com seus surrados 24 pontos, contra a Agremiação Atlética Framengo de Regatas, no velho e glorioso Maracanã.

É que hoje a oposição entra em campo. Cardeais, ex-combatentes, revolucionários explosivos, simpatizantes, moderados, jacobinos, distanciados, talebans e outras facções as mais diversas, prometem um encontro longo e maciço para discutir os rumos do clube. O lugar está sendo definido nas próximas horas, e deve entrar nas postagens deste espaço comunicativo e sentimental do nosso clube.

O exemplo do Bahia Futebol de Regatas, que vai se esfarelando aos poucos, apesar de ter uma imensa e apaixonada torcida, tem mexido com os brios da massa coral. Mesmo entre os menos interessados por um assunto difícil, como as eleições no Santa, quer saber o que fazer para mudar os rumos do Santa.  A nau se move. Lentamente, mas se move.

Como o jogo começa às 19h30, a programação promete ser longa. Primeiro, assistir à pelada, tomando uma garapinha com um pedaço de alguma coisa. Em seguida, uma reunião demorada, para fazer aquilo que a gente vê muito na política: "afinar o discurso".

Nos bastidores ainda silenciosos, vai chegando o momento do famoso "ou vai ou racha".

E, para a nossa surpresa, parece que vai.

Aguardemos, aguardemos, pero no mucho.

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Valença: pequena homenagem de uma grande torcida

Foto: CoralNET
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O Blog do Santinha reproduz um texto publicado em 25 de setembro de 2006.

Há um mês, nosso atleta era saudado como um exemplo da raça coral. Hoje, com problemas de saúde, ele está sendo proibido de continuar o tratamento no clube que aprendeu a amar.

A Valença, o nosso abraço.

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Por Samarone Lima

Amigos, ganhamos mais um jogo, o Juventude saiu envelhecido do Arruda, a brasa da esperança ganhou um soprinho, mas não posso deixar de invocar mentalmente, espiritualmente, psicologicamente, uma cena para a galeria dos grandes momentos do Santa Cruz: o zagueiro Valença.

Mais que isso: Valença jogando com uma faixa, para que o queixo não desabasse.

Poucos jogadores tiveram a oportunidade de sair do panteão dos que têm "amor à camisa", para entrar na galeria dos heróis, aqueles capazes de lutar apenas com um canivete, se as suas armas tivessem ficado no lamaçal das batalhas. Lembro do Beckembauer, na Copa de 70, jogando com o ombro deslocado. Algum jogador por aí, com a faixa na cabeça, também mostrou amor à camisa. Mas faltava ao Santa, nesta campanha, algum ato heroico, algo que ficasse gravado em nossa memória.

Por motivos os mais diversos, acabei assistindo a partida em um boteco derrubado, em Olinda. Estávamos eu e outro tricolor, ocupando duas mesas. Do lado direito, uma mesa repleta de rubronegros. Não, amigos, não era gente comum, seres humanos normais. Eram urubus, com a boca pingando, à espera de nossa carniça.

Humildemente, peguei meu Rum Montilla e fui bebericando. De leve, para não ficar cego, como Saulo Profeta, ou Joãozinho Peruca, de leve. O jogo começou. Os rubronegros calados, exalavam veneno. Havia cheiro de enxofre no ar. O coroa, ao meu lado, começou a soltar seus uivos:

"Estão secando o meu tricolor….vôte!"

A partida seguia. Eu, quieto, bebericando meu aperitivo. O tricolor continuava.

"Eu sinto que estão secando o Mais Querido… saravá!", berrava ele.

Lá pelas tantas, acontece o improvável. Valença leva uma bordoada, fica em campo. Algo grave aconteceu, porque Valença não é de ficar no chão. O choque atingiu em cheio nosso zagueiro.

"O mau olhado já está fazendo efeito. Querem derrubar o meu tricolor!", continuava.

Então, a TV mostrou o nosso zagueiro. Estava enfaixado, à altura do queixo. Teria que jogar em silêncio. Ali, amigos, Valença entrou para a galeria dos heróis corais. Um homem amordaçado, correndo como um louco para tirar o Santinha da lanterna do campeonato.

"Só o Valença, amigo, só o Valença para jogar baleado desse jeito", confessou meu amigo do lado. Depois, arregalou os olhos e completou:

"Valença não tem medo nem da morte".

Quando o Santa fez o gol, corremos e nos abraçamos. Faltou pouco para meu amigo soltar impropérios contra a mesa rubronegra. O restante do jogo, ele ficou entre mugidos:

"Ainda estão secando o meu tricolor".
E a cada jogada de Valença, ele gritava:

"Esse homem é um herói. Merece uma estátua no Arruda".

Do jogo do domingo, amigos, me ficou esta imagem do nosso Valença jogando todo enfaixado.

Amigos, temos um jogador com vocação para herói. Nossa esperança, portanto, é maior que a soma de todas as outras torcidas deste Brasileirão.

E como já dizia o lendário Nelson Rodrigues, " se os fatos estão contra mim, pior para os fatos".

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Time de futebol ou trupe de comédia pastelão?

por Geraldo Lima, o Gerrá da Zabumba

Passei o dia na dúvida se ia ou não ia, Chiló tá com uma frieira das grandes no pé, daquela tipo sarou morreu, João Valadares não atendeu telefone, Inácio tesá cheio de nó pelas costas, enfim, dos que sempre me acompanham indo ao Arruda, apenas a primeira-dama é que estava disposta a ir ao jogo. Acabei indo.

Assim que entrei, encontrei Flávio, pai de Victor, e ele sai com essa:

"Rapaz, tá um empurra-empurra danado pra entrar, é o povo passando na rua e os seguranças de Romerito empurrando pra dentro do arruda!"

Só sendo, porque o público foi menor do que aulão de vestibular.

O jogo começa e os gandulas estavam todos vestidos com a roupa da cor do Fortaleza. Roberval Davino com um esquente todo azul, parecendo o treinador do São Caetano. No meio da TUF, tinha um bandeirão da inferno, no meio da inferno tem um bandeirão da TUF, entre as faixas da Inferno Coral tinha faixas da garra jovem fortaleza e, pra complicar tudo, tinha torcedores da uniformizada do Fortaleza junto com torcedores da Inferno Coral. Que confusão do carai.

 Mais confuso ainda foi o esquema do Santa Cruz, 4-2-4, com Bruno Lança substituindo Mexerica e Pelé jogando com a camisa 16.

Em alguns momentos parecia os trapalhões jogando. Era Nenê derrubando Fabrício Ceará, Sidraílson levando drible da bola, Rinaldo trombando com Reginaldo Araújo, fazia tempo que eu não via um jogo de futebol tão engraçado. 

A última vez que vi um negócio parecido foi numa pelada de praia, com os camaradas de tanque cheio de cerveja.

Bom mesmo foi a torcida do Santinha gritando: “Expulsa! Expulsa!”, era para o juiz expulsar Nenê. E “num é” que o juiz botou ele pra fora! Isso eu nunca tinha visto, a torcida pedir a expulsão do artilheiro do próprio time.

O que salvou foi o goleiro querido de Samarone, o Anderson. Pegou umas 4 bolas de pagar ingresso.

 E no final, já ouvindo a resenha no rádio, uma autoridade falando sobre o incêndio do ônibus sai com essa pérola:

Repórter: "Já tem alguma suspeita de como foi provocado o incêndio?"
Otoriedade:  "Desconfiamos que foi um coquetel “molotofe” que jogaram dentro do veículo".
Repórter:  "Mas, os motoristas que estavam dormindo dentro, falaram que não ouviram nenhuma explosão".

Otoriedade:  "Aí eu não posso afirmar nada, eu não estava lá dentro".

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