Vozes corais: Fred Arruda

Quando anunciamos a idéia de entrevistar tricolores comprometidos com o futuro do clube para debater o futuro do Santa Cruz, listamos alguns nomes que seriam procurados pela equipe do blog, incluindo o de Fred Arruda. Bastou essa simples menção para que recebêssemos centenas, quiçá milhares, de pedidos para que publicássemos as opiniões de Fred. Os mais comedidos diziam que esse executivo da área de Informática tinha a "serenidade indispensável nessas horas conturbadas". O fã-clube do sujeito é grande.
Numa tarde sábado, Fred recebeu a equipe do blog, contou as histórias do seu tempo de mascote, do tio que o levou para o Santa Cruz, analisou a conjuntura do clube e nos entregou fotos valiosas do seu álbum de recordações. Tudo na maior serenidade. Acompanhem abaixo, a conversa com Carlos Frederico Arruda.
BLOG - Pra começar, quais seus vínculos com o clube? Já tentou contribuir diretamente com alguma administração anterior?
Fred Arruda - Sou neto do ex-jogador e ex-presidente Jaime Pires Galvão, sobrinho do ex-médico Paulo Galvão, e fui mascote. Na época do penta, era conhecido como Fred Vagareza. Não costumo perder jogo: ano passado fui a quase todos, inclusive os fora de Recife, incluindo todos do quadrangular final da segundona. Tenho 43 anos, sou casado há 20 anos, tenho uma filha e dois filhos, todos tricolores. Não tenho experiência dentro do Santa Cruz, não conheço os bastidores e manhas do futebol. Mas entendo de gestão e sei que posso ajudar numa gestão realmente profissionalizada, pois só acredito em futebol visto como empresa, como um negócio. Não sou empresário como alguns acham. Sou executivo de empresa e atualmente trabalho na WPD Tecnologia, empresa que desenvolve soluções para a área de saúde. Tenho saudade dos tempos de Nunes, meu grande ídolo. Acho que não podemos nos acostumar com a mediocridade. Temos que pensar grande, pensar num grande CT, numa Libertadores, na volta à elite do futebol brasileiro, como foi entre 1975 e 1981.
Fred, num período curto, de um ano e meio, o Santa foi campeão estadual, subiu para a primeira divisão, passou vexames históricos e ensaiou uma reação. No meio dessa turbulência toda, como você avalia o atual momento do clube?
Perdemos uma ótima chance de consolidar o clube e arrumar suas finanças., mas não costumo atirar pedras naquilo que não conheço. Fui chamado várias vezes por Romerito para chegar junto, mas por não dispor de tempo não estive presente. Logo, não acho justo ficar falando mal. Mesmo tendo sido oposição, sempre fui muito bem tratado pelas pessoas dessa administração. Fui oposição nas últimas eleições por entender que o modelo de gestão do clube estava ultrapassado. Continuo achando a mesma coisa, mas daí a acusar a atual diretoria de roubo e outras coisas mais, como muitos vem fazendo, isso não faço. Eu realmente não acho que esse tipo de coisa contribua para o clube. Romerito é tão tricolor quanto qualquer um de nós, sofre como qualquer um de nós. Logo, não esperem de mim acidez nas palavras. Acho que ele teve o mérito de reduzir a folha, conquistar um Campeonato Pernambucano que não ganhávamos havia 9 anos e de nos levar de volta à primeira divisão. Infelizmente, não teve capacidade de unir o Santa Cruz e também de se preparar para a primeira divisão, na minha opinião as principais razões do time estar com um pé na segundona mais uma vez. A saída de Edinho, articulador de boas parcerias que traziam dinheiro para o clube, o grande captador de recurss, foi bastante prejudicial ao Santa Cruz. Apesar da quase certa volta para a Segunda Divisão, avalio a gestão Romerito como razoável, pois foi boa no primeiro ano e sofrível no segundo. Resgatamos nossa auto-estima e voltamos a conquistar alguma coisa, mas seu maior defeito é a incapacidade de unir.
Você foi parceiro de Antônio Luiz Neto e da Confraria Ninho da Cobra na chapa de oposição em 2004. Quais os erros cometidos pela chamada oposição?
Apoiei Antônio Luiz Neto porque ele abraçou o planejamento da Confraria Ninho da Cobra, da qual faço parte. Não queríamos um de nós como candidato, mas alguém que abraçasse a nossa proposta, e ele o fez sem exigir absolutamente nada. Hoje, acredito que lhe falta mais vivência no Santa Cruz para postular o cargo de presidente. Não acho que ele deva tentar novamente, pelo menos agora. Com toda a sinceridade, se desta vez a eleição polarizar entre Romerito e Antônio Luiz Neto, fico com Romerito, por mais que eu goste e respeite muito Antônio. Não vejo chance alguma da oposição vencer as eleições do clube. Num país como o nosso, onde os clubes não sofrem qualquer tipo de auditoria, situação só perde eleição se for incompetente demais. Houve fraude nas últimas eleições. Todo mundo sabe disso, inclusive a “Justiça”, se é que podemos chamá-la assim. E haverá em todas se o modelo não mudar. E que a atual oposição não reclame, pois muitos dos que lá estão , quando eram situação, já se beneficiaram desse modelo equivocado que está implantado nos clubes. O estatuto é velho e ultrapassado, embora não seja antigo. Precisa de ajustes urgentes. Mas, para quem está no comando do clube, será que interessa mudá-lo? Com certeza não! Achei uma irresponsabilidade levar essa causa de anulação das últimas eleições adiante, em plena disputa de primeira divisão. E olha que eu fui um daqueles que foram ao escritório do advogado José Antônio Alves de Melo para contratar a causa! Mas isso já fazem quase dois anos. Na minha opinião, o tempo passou pra isso. Se a oposição quisesse mesmo ganhar as próximas eleições, só haveria um caminho: em dezembro último deveria ter pedido na justiça a lista dos sócios do clube e estimular os insatisfeitos a se associarem para votar contra nas próximas eleições. É na urna que as coisas se resolvem. Hoje, eu não sou nem situação nem oposição: sou Santa Cruz. Não entro em briga política nem levo as coisas pro lado pessoal. Por onde passei fiz amigos e tem sido assim também no Santa Cruz. Condeno o modelo de gestão, não as pessoas.
Você aceitaria participar da administração do Santa?
Agradeço aos que lembraram do meu nome no blog. Tenho capacidade, considero-me um executivo que administrou bem as empresas onde esteve. Estejam certos que um dia serei presidente do clube que amo. Mas não reúno, no momento, as qualificações para assumir esse cargo tão importante. É preciso alguém que conheça o clube, entenda dos bastidores do futebol, disponha de tempo e seja muito bem relacionado com todas as correntes políticas do clube. Esse não é o meu caso. Acho que o empresário Alexandre Férrer ou Ricardo de Paula são os melhores nomes. Pelo que sei eles não querem, mas essa é a minha opinião. Ricardo tem feito um trabalho muito bom à frente da Patrimonial, isso é uma unanimidade. Para continuar, Romerito precisa apresentar um modelo de captação de recursos para o clube. Ele vem cobrando apoio financeiro dos tricolores abastados, mas considero isso um equívoco. Primeiro porque o tempo em que as pessoas enterravam seu dinheiro nos clubes já passou. Depois, porque quando ele candidatou-se, afirmou ter as alianças capazes de levar o Santa Cruz adiante. Se o modelo existe, muito bom, é só apresentar e vamos fazer o possível para apoiá-lo. Se não tem condições, melhor abrir caminho para outro desde já.
Vamos ver se você entende de futebol: qual sua opinião sobre o atual time do Santa Cruz?
Temos uma boa defesa, um goleiro razoável e bons volantes. Com dois meias e mais um bom atacante, creio que teríamos escapado da degola (ainda tenho esperança que escapemos). Se cairmos pra segunda, sugiro que não se faça um novo desmanche. Melhor aproveitar as boas peças e trazer uns 3 ou 4 nomes que realmente somem.
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