Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de outubro de 2006

A mediocridade venceu

Por Samarone Lima

Quem escreve, geralmente parte de algum tema, uma idéia, um fato,uma emoção. Há sempre algo que o motiva. Nos últimos tempos, eu e Inácio estamos fazendo das tripas coração, para encontrar um mote e escrever sobre o Santa. Como não podemos inventar outras realidades, vamos esbarrando no que está aos nossos olhos.

Escutando o jogo pelo rádio, a frase que mais escutei foi "o Botafogo está pedindo para apanhar".

Resultado: perdemos de 3 x 0.

Infelizmente, a palavra adequada para o momento é somente uma: mediocridade.

O time foi aos poucos avançando, e a cada rodada foi conseguindo se superar. O resultado é que chegamos à mediocridade.

A administração do clube, sem mais delongas, é medíocre, e acredita que vai manter a hegemonia na capangagem, como se o Santa Cruz fosse um timeco do sertão brabo, onde as coisas se resolvem pela ignorância. A oposição, sempre por ali, não deixa de ser cúmplice da mediocridade. Não aparece uma criatura para aglutinar essa insatisfação que é notória, que aparece no comentário do mais simples torcedor da geral, aos tricolores mais ricos de Pernambuco.

Quem estiver contente com um reles título de estadual, a cada dez anos, é outro medíocre.

Temo que nosso futuro seja mais medíocre que o presente.
E não conheço algo pior que a mediocridade.
Há, sim, algo pior que a mediocridade: é quando ela vence.
No caso do Santa, precisamos admitir: ela está vencendo e criando raízes.

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Oito minutos de ilusão

por Inácio França

A caminho de casa, minha mulher/namorada/amada pergunta: "A que horas começa o jogo do Santa?".

De uma hora para outra a vida se tornou tão intensa, com trabalho, estudo e free-lancers, que nem percebi que já eram 20h38min. Melhor assim do que ficar grudado no rádio, imaginando os lances perigosos e outros nem tanto.

Mas, depois das ferozes críticas de uns leitores pouco compreensivos e incomodados com a indiferença do blog horas antes da partida,  me senti na obrigação de ligar o rádio.  Mexi no botão e logo subiu o grito de "goooooooollll do Botafogo", na voz de um desses radialistas com a garganta proporcional à hipocrisia.

Eram oito ou nove minutos de jogo e já tinham acabado as ilusões. Desliguei no ato.

Com mais curiosidade do que esperança, resolvi dar mais uma chance para o time de Fito Neves. Com os olhos ardendo por causa do xampu, fiquei sabendo da expulsão de Rafael Marques. Como já ouvi falar bem do futebol desse sujeito, voltei a sonhar, mas foi um sonho modesto. Um a um já me contentava.

O radinho permaneceu do meu lado durante o segundo tempo, porém desligado. Um ou dois andares acima, algum tricolor mais iludido do que eu e com TV por assinatura, dava pulos, gritos e urrava como um louco. Parecia que o Santa estava decidindo a Libertadores. Vou tratar de descobrir que é mais esse fanático.

Cada berro do sujeito significava que algo de importante tinha acontecido no Maracanã. Aí, eu ligava o rádio. Na primeira vez, foi Mexerica que manteve a regularidade e perdeu mais um gol feito. Depois, escapamos de tomar um gol.

Eram umas nove e meia da noite quando o vizinho fez um barulho esquisito. Acho que meteu a cabeça na parede. Fiquei preocupado, mas antes de telefonar pro Samu, liguei o rádio novamente: segundo o locutor, Nenê fez uma "infantilidade" e não empatou a partida. O que será que esse centroavante abestalhado fez, que quase mata o tricolor do quinto andar?

Escutei o finalzinho das narrações do segundo e do terceiro gol botafoguense.  E as acusações de incompetência do comentarista da rádio.

Depois fiquei sabendo que o enganador Fito Neves substituiu Jorge Henrique. Deve ter sido na hora que o vizinho se jogou pela janela, agarrado com a televisão e vestido com a camisa tricolor.

Encerro esse texto sem conseguir descobrir qual meu sentimento. Resignação pelo inevitável rebaixamento? Tristeza? Raiva do burro velho que treina o time ou do burro jovem que pensa dirigir o Departamento de Futebol do clube? Ou seria vergonha por testemunhar meu clube de coração se tornar motivo de chacota nacional?

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