Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de outubro de 2006

Eleição não! Renúncia já!

 

Qual o pecado maior?


por Inácio França

Pela primeira vez, a torcida deu as costas para o gramado e apontou o dedo para os verdadeiros responsáveis pelo desmantelamento do futebol e do patrimônio moral do Santa Cruz Futebol Clube.

Ao xingar o presidente Romero Jatobá Filho, os torcedores reagiram de forma inédita na história do clube à diretoria espúria, formada quase que exclusivamente por integrantes do clã Neves-Cavalcanti.

Está claro, desde o intervalo da partida contra o Paraná, quando os apaixonados que foram ao Arruda xingaram Romerito e o obrigaram a fugir da tribuna para se refugiar num camarote, que a torcida não irá tolerar que uma família se aproprie de uma clube pertencente a uma multidão, a uma parcela do povo pernambucano.

Os Neves-Cavalcanti não têm mais legitimidade para continuar no comando do clube, posição conquistada, aliás, de forma completamente fraudulenta. Os Neves-Cavalcanti não tem legitimidade para conduzir mais um processo eleitoral do qual, antes mesmo de sua convocação, já se conhece o resultado.

A ilegitimidade da atual diretoria não decorre dos resultados sofridos em campo, mas do fato do clube ser controlado como se fosse um negócio particular do clã.

Detêm alguma legitimidade uma presidente que só consegue circular no clube cercado por capangas? Detêm alguma legitimidade quem espalha espiões pelas sociais para delatar os insatisfeitos? Essas são atitudes de quem encara a torcida como um obstáculo para a concretização dos seus negócios.

Que o grito da torcida sirva para que inocentes úteis - gente honrada como Paulo Melo, Henrique Melo e Flávio Uchôa -, percebam que não podem mais continuar emprestando sua credibilidade para o clã. Chegou a hora deles se afastarem, sob pena de entrarem para a história como coadjuvantes do enredo que terá como epílogo o fim do Mais Querido.

Por isso, Romerito, Romero Neto, Murilo Falcão, João Caixeiro, José Neves precisam ser obrigados a devolver o clube a quem o ama.

Mas, aí, esbarramos numa dúvida teológica: qual o pecado maior, o que comete o ato vil ou aquele que se omite?

Quem poderia assumir o clube hoje, uma oposição que se calou diante dos bons resultados de 2005 com medo de assumir uma postura e ser tachada de anti-tricolor? Ou milhares de torcedores revoltados, porém desorganizados, que se limitam a vomitar queixas à espera que a solução caía das nuvens?

PS - As fotos da revolta nas sociais, registradas por Inácio França, não puderam ser baixadas por causa de um misterioso problema na máquina digital. Quem fotografou alguma coisa, favor enviar para blogdosantinha@gmail.com

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Das arquibancadas um só grito: Fora Romerito (Ou: pede pra cagar e sai)

por Samarone Lima

Raras vezes as classes sociais pensam harmonicamente. No Arruda, posso afirmar que nasceu um socialismo de opiniões, unindo a elite econômica ao mais fodido torcedor, aquele capaz de ir a pé estádio, porque não tem dinheiro para a passagem. A massa coral quer somente uma coisa: que o atual presidente tenha a decência de renunciar, para que o Santa possa começar a renascer, agregando todas as criaturas de bom senso, que foram sendo enxotadas do clube.

Se nas sociais, onde está o maior PIB coral, o clima era de revolta, com gente de costas para o campo, as arquibancadas tinham apenas um grito de guerra: palavras de baixo calão contra o atual "dono" do Santinha. Não posso reproduzir o que escutei nas arquibancadas, por causa do meu pudor literário. Procure, caro leito, os palavrões os mais desaforados. Foram esses mesmo, gritados com uma raiva secular.

Ninguém agüenta mais um clube onde o presidente anda cercado de seguranças, onde jogador apanha no vestiário, onde jornalistas são ameaçados, fora as coisas que não sabemos. A paciência do torcedor, do mais rico ao paupérrimo, chegou ao limite. Ontem, na metade do segundo tempo, me dei ao trabalho de olhar para o semblante dos torcedores, enquanto a pelada corria em campo. Os mais velhos revelavam aquela tristeza infinita, certamente por repassarem, nas lembranças, momentos gloriosos do Mais Querido. Vi inúmeros senhores de cabelos grisalhos com os olhos marejados. Os mais jovens gritavam a plenos pulmões pela saída do atual "dono" do nosso clube.

Voltamos para casa naquele silêncio fúnebre. Lanterna do campeonato, mais uma vez. Motivo de chacota em todo o País. Motivo de alegria para burronegros e barbies. Vi vários pais saindo com seus filhos, com aquele olhar envergonhado de quem diz "o que diabos eu vim fazer aqui, com o meu filho?"

Particularmente, acho que a atual diretoria deveria ter a decência de renunciar o quanto antes. Seria um favor ao clube, uma demonstração de grandeza que, sabemos, não existe. Nem passa pela minha cabeça, nem da massa coral, a possibilidade de uma nova gestão de dois anos com a turma que está à frente do Santa. Seria o mergulho no caos, justamente quando os dois principais adversários avançam para a primeirona, ano que vem.

O sentimento dominante é de que não adianta marcar eleições, porque serão, novamente, fraudadas. Surgirão eleitores fantasmas para referendar a atual gestão, a exemplo do último pleito.

Na linguagem popular, posso resumir toda essa conversa com apenas uma frase, gritada por um torcedor, do cimento da arquibancada, ao final do jogo: 

"Romerito, pede pra cagar e sai".

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