A culpa é minha
Com o texto abaixo, o jornalista tricolor Sérgio Travassos se junta à mobilização para abraçar o Santinha no próximo domingo. Além disso, ele recorreu a frases lapidares de intelectuais vivos ou mortos para expressar o sentimento da torcida.
por Sérgio Travassos
Caros amigos corais, a culpa é minha. Sim. Por mais que queira me eximir da culpa ela é minha. E pronto. Eu sou um sócio que, por motivos particulares, deixo de arcar com as despesas que todo sócio paga. “Ah, mas eu gasto muito mais em uma partida do Santa Cruz do que a mensalidade que cobram!”, digo para mim mesmo. Mas não adianta, sinto-me culpado.
Tentei, anos atrás, ajudar a criar um grupo de torcedores para modificar a administração do nosso querido Tricolor. Surgiu a Revolução Tricolor, que só tinha vontade e uma língua ferina similar ao Blog do Santinha. Busquei contatos com os mais abastados tricolores (são poucos, mas existem), tentamos até uma chapa de consenso com o recém-formado Ninho da Cobra, mas permitimos que Jonas Alvarenga assumisse. Em seguida, nos afastamos e “eles” tomaram conta do Santinha. Culpa minha, também.
Comprei, durante aquela campanha de ascensão à Série A dois ingressos por jogo. Convenci amigos e parentes a fazerem o mesmo. Gastei muita conversa para que os amigos comprassem produtos tricolores. Tudo valia para ajudar o Santa. Eu não via, ou não queria ver, que a administração continuava feudal, desorganizada, ditatorial. Tudo na mesma.
Nos vexames que se seguiram, o jejum de títulos, continuei acompanhando o Santa Cruz – diminuindo-se a cada pensamento desses pseudo-dirigentes. Se nos pensamentos o nosso querido clube já se diminuía, imagine nos gestos. Bem, não imaginem nada, basta puxar pela memória e creio que ninguém terá dificuldades em lembrar. Afinal, quem leva o tapa não se esquece, certo?
Agora, amigos, abro o coração coral e desabafo. Sou culpado, apesar de alguns gestos, algumas atitudes, muitas palavras e certas articulações. Sou culpado por omissão. Isso mesmo, me condeno por omissão. Eu, Sérgio Travassos, nascido e criado em família tricolor praticante, condeno-me por omissão. Deveria ter brigado mais, destinado mais tempo para participar da vida do meu clube que desfalece na UTI, sem companhia, solitário, ficando apenas com uma lanterna para iluminar o fim do túnel.
Por me sentir culpado, talvez, vou a todos os “jogos” do nosso time, quando boa parte das fileiras da resistência já caiu. Tenho assistido atônito a este circo ridículo, imaginando uma solução para me redimir e fazer este gigante, pelo menos, abrir os olhos. Se houver uma maneira de solucionar este problema, façamos, pois. Não quero me sentir omisso, prefiro pagar pelo excesso. Vamos nos reunir, não para o blá-blá costumeiro, mas para protestar de forma pacífica, sem agressões. É isso ou o fim. Nos reunamos, então, e vamos abraçar o Arruda, para mostrar que o Santa Cruz é nosso, nuncas de uma minoria. Vamos dar o primeiro passo para mudar a história deste clube, a nossa História, que se confunde com as três cores.

VOLTAIRE: "No início da noite, Fouquet estava no topo do mundo. Quando ela terminou, ele estava no chão" - segundo Travassos, essa frase espelha a sensação de viver a atual humilhação após os meses de felicidade de 2005, mas também podeá ser aplicada para estimular aqueles que pensam em ver os Neves "no chão" em 2007.
FRIEDRICH NIETZCHE: “É mais fácil suportar uma consciência pesada do que uma má reputação” - pensamento escolhido por Travassos para sintetizar a omissão da torcida e dos tricolores formadores de opinião

CHICO BUARQUE: "Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão, não/Apesar de você amanhã há de ser outro dia" - Essa dispensa explicações
CARDEAL DE RETZ: "Os fracos jamais cedem quando deveriam" - para a diretoria refletir (se bem que, para eles, força tem a ver com os brutamontes da segurança…)
LA ROCHEFOUCAULD: “A ausência enfraquece as paixões medíocres e inflama as grandes paixões, como o vento apaga a chama de uma vela e atiça as de uma fogueira”. - Sérgio Travassos provoca: nossa paixão é medíocre?
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