Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 16 de outubro de 2006

Abraçando o nosso Arruda

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Por Samarone Lima.

Amigos corais,

Acordei hoje de manhã e me dei umas duas beliscadas. Não é que nosso pequeno exército brancaleônico conseguiu sacudir aquele Arruda? Não é que a idéia do abraço, uma coisa sem reunião, sem grandes articulações, sem a presença de nenhuma liderança política de oposição, conseguiu, de fato, demonstrar a insatisfação com o desmantelo que impera dentro e fora do nosso clube? Liguei para Inácio e ele me confirmou. Era verdade, o Abraço Coral foi um sucesso. Depois encontrei Naná, ainda com uma ressaca monstra. Ele era um sorriso de canto a canto. “Geramos na alta”, disse.

Sim, amigos, a nossa mobilização afetiva e política foi dez vezes melhor que o esperado. No início, pensei que viveríamos o fiasco de uns 10, 20 gatos pingados. Mas aos poucos, foram chegando mais tricolores, e mais outros, até que iniciamos a nossa corrente de braços, faixas e bandeiras. Gentes as mais diversas, de todas as classes sociais. Homens, mulheres, crianças. Tudo deu certo. A Sanfona Coral estava inspiradíssima. Demos volta olímpica e depois entramos no nosso clube. Outros e outros foram chegando. Diante do portão fechado, para não chegarmos às sociais, escutamos muitos aplausos.

Minha constatação é simples: o número de insatisfeitos é muito maior que eu pensava. Ontem, muita gente teve finalmente a coragem de dizer algo. O clima de medo foi vencido pelos acordes da nossa Sanfona. Essa torcida é tão espetacular, que até na hora de protestar, o faz com poesia e beleza. É isso que os tontons macoutes não conseguem ver.

Presenciamos ontem, também, uma das maiores tolices políticas da história do nosso clube: o fechamento da churrascaria Colosso, em pleno domingo de futebol. O raciocínio político foi o seguinte: como marcamos para iniciar o protesto defronte à famosa churrascaria, algum iluminado encontrou no seu fechamento, a melhor solução para esvaziar o nosso ato. Esqueceram de uma coisa simples: não é um lugar que determina o tamanho de uma ação, mas as pessoas. Fica aqui meu repúdio. A Colosso, meus amigos, desde ontem deixou de ser meu local de encontro, antes ou depois das partidas. Não sei de quem é o estabelecimento, mas para mim, pode decretar falência. O lugar, nosso pequeno santuário etílico, foi maculado por uma bisonha manobra política de vícios e conivências. Se escolhemos aquele lugar para nossa concentração, é porque ali reconhecíamos como nosso espaço. Quantas e quantas vezes a Sanfona entrou ali, gloriosa, sacudindo a galera, enchendo de brios a torcida? Quantas vezes “cegamos” ali, junto com nosso Profeta Saulinho? Quantas conversas, quantos encontros, quantos momentos vivemos naquele lugar. E no momento que mais precisamos de um lugar de abrigo, de um ponto de referência para nosso abraço, fomos impedidos de entrar. O dono da Colosso deve pedir desculpas de joelho à massa coral. Um cliente ele já perdeu: este que vos escreve. Patético fechamento, porque gerou em todos os torcedores uma indignação muito maior. O tiro, mais uma vez, saiu pela culatra. Do lado de fora mesmo, nossa humilde tropa iniciou a mobilização.

Parabéns a todos que participaram deste ato pacífico, que não precisou sequer de uma reunião para nascer. O fato político está, hoje, em todos os jornais. A esperança está vivissima.

Ah, e para quem andava esquecendo: O Santa é nosso.

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