A arte da prudência e a importância dos imprudentes.
Por Samarone Lima, da equipe do Blog.
A julgar pelos depoimentos dos possíveis candidatos da oposição à presidência do Santa Cruz Futebol Clube, ao longo da semana, parece que todos andaram lendo, com um certo excesso, aquele livro do Baltasar Gracian: "A arte da prudência".
Edson Nogueira informou que a possibilidade de ser candidato é a mesma de disputar a presidência dos Estados Unidos. Como a torcida do Santa está cagando e andando para os norte-americanos, todo mundo entendeu: ele não quer encarar essa, apesar de ter cacife e apoio de parte importante da oposição.
Tonico Araújo, do grupo Ninho das Cobras, disse ao Jornal do Commercio que "é preciso uma reunião para analisar a viabilidade de uma candidatura única", a de Ricardo de Paula, bancada pelo atual presidente.
A Confraria, aos poucos, vai perdendo uma oportunidade histórica de agregar o descontentamento generalizado da torcida. Vários leitores do Blog, em seus comentários, dizem coisas mais interessantes e fazem leituras políticas mais lúcidas, sem esperar reuniões.
Antônio Luiz Neto, também da oposição, afirmou que "só se pronunciará sobre o pleito após a definição do rebaixamento ou não do time", quando até as roletas do Arruda sabem que o time já está na Segundona.
"Não vou falar nada agora em respeito aos jogadores. Mas vou me pronunciar. Vários ex-diretores, a torcida e eu sabemos o que nós representamos para o clube e o que eles (a atual diretoria) representam".
Haja prudência!
De formas que vai se desenhando um fenômeno político gracioso no Mais Querido: o lançamento de uma candidatura dos imprudentes. Sim, aqueles sócios medianos, que não fazem parte de nenhum grupo político, nem da situação, nem da oposição - apenas amam o Santa Cruz, e não aceitam esta situação vexatória.
Uma candidatura olímpica, só para constar, para ficar na história do clube, o pequeno gesto de Davi contra Golias.
Uma candidatura para dizer à situação que este não é o Santa que queremos.
Para dizer à oposição que em certos momentos da vida, é preciso ter menos prudência e um pouquinho de culhão.
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