Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de novembro de 2006

Quando futebol e ditadura se encontram

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Emílio Garrastazu Médici (acima) e Jorge Rafael Videla, os ditadores que misturaram futebol e repressão

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Por Samarone Lima, da equipe do Blog do Santinha

Amigos corais, daqui a alguns anos os sociólogos do futebol terão um farto material para analisar a demência generalizada que tomou conta do Santa Cruz Futebol Clube, especialmente no ano de 2006.

Como não sou sociólogo e não sei quantos anos terei pela frente, faço uma análise rápida do fato mais descarado do ano. Após deixar o clube ser humilhado pelo Brasil inteiro, agarrado a uma interminável lanterna da Série A, após colocar o clube rebaixado para a Série B, a várias rodadas do final, após provocar a oposição, desafiando-a para o processo eleitoral, após dispensar 33 jogadores em uma só temporada e após tantas outras coisas humilhantes que nem precisamos lembrar, a diretoria resolveu simplesmente decretar o fim das eleições.

Ontem, depois de uma grande articulação envolvendo dezenas, centenas de tricolores, os integrantes da chapa "Credibilidade e Competência", foram ao clube, fazer o registro da candidatura. Uma rápida olhada nos nomes deixaria qualquer tricolor eufórico: ainda há uma luz no fim do túnel.

Pois bem. O presidente, Romerito Jatobá, promete impugnar o registro ainda hoje. Pior: a chapa "Santa Renovação" pode ser eleita por aclamação.

As firulas jurídicas não interessam. Na eleição passada, tivemos o fenômeno da fabricação de centenas de sócios, na cara dura. Do nada, surgiram levas e levas de sócios em dia, gente que não sabia nem que o estádio do Arruda ficava na Zona Norte.

A "Santa Renovação" se aprimorou. Como a vitória fajuta deixou cicatrizes, como a pressão sobre o Judiciário pode  finalmente ter um retorno, como a oposição está chegando com o respaldo de uma legião de apaixonados, dispostos a contribuir da forma que for possível, o Clube das Multidões corre o risco de viver um momento inédito em sua história: a reeleição de uma ditadura.

Entre 1964 e 1985 o negócio funcionou assim. A cada quatro anos, os militares se revezavam, simbolicamente.

Deu no que deu.

A cada gesto, a cada insensatez, acho que a oposição ganha mais força e credibilidade. Competência tem de sobra.

Vamos juntos para a vitória consagradora, nos tribunais e nas urnas!

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Será que os Jatobá querem entrar para a história do Santa como Idi Amin Dada (acima) e Augusto Pinochet entraram para a história mundial?

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