No caminho do Arruda, a encruzilhada
A força do povo no clube das Pás
Da equipe do Blog do Santinha
O relato dos fatos e falas do lançamento da chapa de oposição à diretoria do Santa Cruz, no lendário clube das Pás, já é de domínio público. Seria redundância repetir o que já foi dito nas resenhas radiofônicas e escrito nas páginas dos jornais.
É lógico que é importante saber que Édson Nogueira foi apocalíptico em seu discurso ao dizer que ‘’junto com os senhores, só tenho medo dos castigos de Deus”. Também vale a pena lembrar que o prefeito de Paulista, Yves Ribeiro, foi buscar inspiração em Che Guevara para emocionar a torcida ao dizer que “quando o Santa Cruz perde, a gente perde a ternura”.
Acreditamos, porém, que o blog pode contribuir na compreensão do momento político do clube, indo além da notícia. Conversando com sicrano, trocando uma idéias de pé-de-ouvido com beltrano, telefonando para fulano, identificamos as encruzilhadas em que estão a ditadura do clã Neves-Cavalcanti-Jatobá e pudemos reconstituir algumas conversas dos últimos dias.
Uma coisa que pouca gente sabe é que a troca de telefonemas entre os dois grupos continuam. Depois de falar grosso nas negociações e tentar encurralar os oposicionistas, José Neves e Romerito voltaram a procurar Édson Nogueira, o articulador e negociador oficial da “aliança” de oposição.
Mesmo com a certeza da vitória nas urnas por conta do grande número de carteiras de sócios distribuídas, a ditadura amenizou o tom da conversa. Eles querem ajuda porque não suportam a convivência com Alberto Lisboa. Dizem que se trata de uma figura de trato difícil e que começa a se comportar com mais autonomia do que o combinado.
Falastrão, Lisboa deixou o ambiente no Arruda ainda mais tenso ao declarar que o próximo treinador do Santa seria Dario Pereira. Sem um tostão no bolso e convivendo com todas as dificuldades possíveis e imagináveis, Fito Neves sentiu-se (com razão) completamente desrespeitado. Só não largou tudo porque tem caráter e esperança de receber uns trocados.
Para se livrar de Lisboa e sair da sua encruzilhada, a ditadura faz qualquer negócio. Ou quase. Chegaram a voltar atrás e ofereceram a presidência do Conselho para Alexandre Férrer, desde que assegurem alguns nomes como Ricardo de Paula (leia-se João Caixero) e mais uns nomes de pouco peso na executiva. Nesse caso, a presidência ficaria com Edinho.
O problema é que o recuo (ou a possibilidade de recuo) da ditadura, leva a oposição para sua encruzilhada: composição ou enfrentamento?
Os favoráveis à união afirmam que só é possível mudar o clube aproveitando os espaços deixados pela atual diretoria, que controla todos mecanismos de sucessão e de poder. A estranha (estranhíssima, aliás) lentidão da Justiça e a absoluta omissão do Ministério Público reforçam os argumentos dos conciliadores, que preferem ser chamados de pragmáticos.
A tese é que, uma vez lá dentro, novos espaços seriam abertos. Pelo que pudemos apurar, Édson Nogueira, Sylvio Belém, Luís Alberto “Lulinha” e Tonico Araújo pensam dessa forma.
O problema é que boa parte da oposição acredita que a própria fragilidade da ditadura deverá ajudar o grupo, já que os conflitos internos com Lisboa podem provocar uma crise maior na situação. Além disso, compor significa entregar ao próprio Lisboa o status de oposicionista e, talvez, vencer a eleição com a ajuda do esquema de fraude montado pelo clã e que foi exaustivamente denunciado por todos. Rodolfo Aguiar, Antônio Luiz Neto e José Nivaldo de Castro são alguns expoentes dessa idéia.
Édson Nogueira, por sua vez, parece estar em sua própria encruzilhada: aceitar o consenso de forma individual iria afastá-lo da torcida e do amplo leque de oposicionistas que podem ajudá-lo a construir uma gestão realmente diferenciada. Recusar de forma intransigente pode deixar o clube nas mãos de gente que pode, a curto prazo, reduzir o Santa Cruz a um Santo Amaro.
A pergunta que precisa ser respondida é: Será preciso ir ao fundo do poço para renascer mais forte?
Edinho só teme a fúria divina, mas sabe que precisa desatar vários nós
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