Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de dezembro de 2006

Não é hora de festa: o Santa Cruz faliu!

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As partidas para segurar Marlon e Jacozinho e a construção do Arruda (na foto de 1971, em sua primeira etapa): dois exemplos do esforço e da confiança da torcida tricolor.


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por Inácio França

Não, a equipe do blog não endoidou nem está rachada. O problema é que, depois que colocamos no ar a convocação para a confraternização no Mercado da Boa Vista, a  ficha caiu. Compreendemos que o momento não é de farra, mas de gestos simbólicos que confirmem que outras pessoas, dignas de confiança, assumirão o Santa Cruz a partir do próximo sábado

Depois de uma prolongada troca de e-mails entre este que vos escreve, Samarone, Anízio, Gerrá da Sanfona e Ivan Patriota, decidimos a data, hora e o local da confraternização conjunta do blog e da Sanfona Coral. Fiquei com a tarefa de convidar Fred Arruda e Edinho para a festa, o que seria uma atitude de grande simbolismo dos novos ventos que sopram no Arruda.

Ontem à noite, liguei para Edinho. Grosso que nem papel de embrulhar prego, o presidente eleito foi logo dizendo:

 "Não vou. Aliás, não vai ter festa nem na minha posse".

Pasmo, tentei argumentar, mas ele não me deixou falar.

"Meu amigo, o Santa deve ao verdureiro que fornece o tomate pro almoço dos júniores, deve à padaria que fornece o pãozinho pro lanche dos atletas, deve à Celpe, deve 10 meses de salários aos funcionários administrativos, deve quatro meses ao time profissional e acho que tem dívida até com a papelaria que fornece o material de escritório. Você acha correto que eu faça festa, beba uísque, aparente uma opulência que é exatamente o oposto da situação do clube?".

O caso é sério, pra se decretar estado de calamidade pública ou coisa pior.

Em seguida, ele defendeu a tese de que, para salvar o Santa Cruz da extinção, será preciso uma grande mobilização popular, como aquela que possibilitou a construção do Arruda, nos anos 1960, e a contratação de grandes jogadores (de Barbosa, na década de 50, a Marlon, há 20 anos). Ele também pretende buscar informações junto a clubes que ressuscitaram após crises brabas, como o Internacional-RS e o Colo-Colo, do Chile.

Edinho está consciente que os tempos são outros, afinal, as últimas diretorias ficaram marcadas pela insensatez e falta de transparência (caso de Jonas Alvarenga e da ditadura Neves-Cavalcanti) ou pela falta de criatividade (caso de Edelson ou Luiz Arnaldo). Isso tudo afastou a torcida do cotidiano do clube e extingüiu a cultura de participação ativa. Além disso, o individualismo e o egoísmo são moda no século XXI.

No final da conversa, me convenci de que teremos de nadar contra a maré. Teremos de apostar no esforço coletivo da torcida tricolor. Me convenci também de que cobrar gestos simbólicos de Edinho não é o suficiente: nós, que fomos co-responsáveis pelo 1º de Dezembro,  temos a obrigação de encabeçar atitudes prenhes de simbolismo, capazes de sinalizar para todos os torcedores que precisaremos dar nosso suor para salvar o time do povo.

Mesmo sendo contrário à tese de que participar é apenas dar dinheiro do próprio bolso, fiz a seguinte proposta para Edinho: "Levante quanto falta para completar a folha de janeiro de 2006. Vamos marcar a confraternização no Arruda, a casa de todos os tricolores. Vai ser no domingo, dia 17, mesmo. E, pelo blog, vamos pedir que todo mundo que iria para a festa no mercado, leve o dinheiro correspondente ao que gastaria em cerveja e tira-gosto. Acredito que o pessoal da Coralnet, das comunidades do orkut e do TricolorPE vão entrar nessa. Vamos ajudar na folha de pagamento e entregar o dinheiro diretamente para você."

Edinho concordou, irá esperar pelos leitores do blog no Arruda, no domingo,17 de dezembro. Depois, publicaremos aqui os recibos assinados pelos funcionários. Toda transparência do mundo ainda será pouco para  mudar a imagem do clube.

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