Futebol, o reino do lugar-comum (revisado e ampliado)

Eles subestimaram a inteligência do povo

por Inácio França
Alegria, festa e criatividade sempre foram palavras associadas ao imaginário do futebol brasileiro, da mesma forma que a cordialidade é costumeiramente atribuída como uma qualidade do povo brasileiro. Quem conhece de perto os bastidores do futebol, sabe que por trás dessa mitologia do futebol há uma estrutura de poder viciada e patriarcal, que fincou raízes na era da República Velha e floresceu na ditadura militar.
Sob a sombra de cartolas e seus cúmplices nas redações, na Justiça e nos parlamentos, uma série de preconceitos, acompanhados de suas respectivas frases feitas, convivem com os torcedores nas arquibancadas ou com os jogadores dentro de campo.
Depois da vitória da oposição e por conta da intensa mobilização que começa a tomar conta da torcida tricolor, é possível escutar essas frases feitas em todo canto e a toda hora. Até na posse de Edinho, escutei um sujeito afirmando que "bastam duas derrotas pra essa euforia acabar". Outro lugar-comum é repetir que "o torcedor precisa de um incentivo para se associar". O mais engraçado é que os caras dizem isso de peito estufado, com se fosse algo muito inteligente pra ser dito.
Quem não escutou uma dessas frases nos últimos dias que levante a mão.
Como eu disse antes, esses lugares-comuns são frutos do preconceito, filho dileto do poder viciado. Quem pensa não conhece o povo, tem medo do povo. Ou só vê povo quando passa no Globo Repórter. Ou seja, quem pensa assim em relação à torcida do Santa Cruz, não conhece nada das arquibancadas do Arruda. Vê jogo dos camarotes - ou por televisão a cabo, que, aliás, é a mesmíssima coisa.
O torcedor do Santa Cruz tem as três cores cravadas no espírito. O tricolor doa e se doa ao clube, mas para isso precisa confiar, precisa saber que seu dinheiro não está sendo usado para comprar uísque 12 anos ou casa na praia. O time pode até perder, mas se sentir que o clube lhe pertence, continuará sócio e presente nos estádios. Afinal, como diz o único lugar-comum digno de citação, torcedor é movido pela emoção. E não há emoção maior do que reconstruir seu clube de coração.
É por isso que não acredito em campanhas para gerar novos sócios que distribua ingressos. Que faz a opção de ser sócio de um clube não quer ingressos de graça. Quer trabalho sério e a certeza de que os amigos dos dirigentes e as celebridades de plantão também vão pagar para assistir aos jogos.
Quem pensa o contrário, está convidado a frequentar as arquibancadas do Arruda ao lado da Sanfona Coral.
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Agora são sete camisas a serem sorteadas na confraternização de domingo, no Arruda: 03 camisas são oficiais e foram doadas pela diretoria do Santa Cruz. Serão sorteadas também duas camisas da Sanfona Coral e duas da Coralnet.
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