Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 16 de dezembro de 2006

Ainda dá tempo de ir!

Por Cláudio Machado

Para quem ainda não foi no Arruda hoje, considere esse conselho:  VÁ! Ainda dá tempo!

Estive na sede do Santa e fui no estádio levar meu filho, Francisco, para conhecer o Arrudão. Foi uma estréia daquelas: entramos no campo, ele até arrumou uma bola e saiu chutando até a barra para fazer um gol.

Encontrei Chiló, com sua sanfona, e Gerá.  Estavam filmando alguma coisa junto com ex-jogadores. Os ídolos dos  gramados estavam consideravelmente mais em forma do que a dupla de artistas das arquibancadas.

Meu pai, reencontrou Fernando Santana, que foi seu colega no ginasial.
Poucas vezes vi a sede social do clube com vida, com encontros, sorrisos e conversas descontraídas. Se você está no Recife, não deixe de passar no Arruda hoje. Ainda dá tempo!

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Lugar de mulher é no estádio

por Anizio Silva

“(…) no movimento feminista, nota-se grande preocupação com o corpo - reprodução, maternidade, sexo, expressão, violência, sensibilidade -, mas persiste a lacuna quando se trata da mulher no esporte. De futebol, então, nem se fala”, afirma o pesquisador Eriberto Lessa Moura, autor de um interessante estudo sobre o futebol feminino.

Como acreditamos que a participação da mulher no clube não deve se confundir com as marias-fantasma, que apareceram nesta última eleição, estamos colhendo os depoimentos de algumas torcedoras de verdade - amantes apaixonadas do Santa Cruz. A idéia é levar as verdadeiras tricolores para assumirem os destinos do clube.

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Tatuagem e amor ao Santa Cruz: é para a vida toda

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"Mulher tem que ir a campo e participar do dia-a-dia do Clube"

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Meu nome é Marcela Oliveira, tenho 22 anos, acabei de me formar em direito e pretendo me especializar em direito desportivo. Fiz minha monografia baseada nos contratos trabalhistas de atletas de futebol profissional, e posso dizer com toda certeza que essa escolha sofreu influência pelo fato de ser fanática pelo Santa Cruz Futebol Clube, e vivenciar o cotidiano do mesmo.

Algumas pessoas se surpreenderam com o tema, tanto os que fazem parte do universo jurídico, quanto as pessoas que olhavam de fora. Na parte jurídica, em relação ao fato de que aqui em Pernambuco não temos especializações nesse tema (direito desportivo), e a cadeira em si, na faculdade, é tratada de uma forma eletiva, isso quando existe essa possibilidade.

No geral para quem observava de fora, incomodava o fato de uma mulher se preocupar com um mundo predominantemente masculino, por ser uma coisa nova, e tudo que é novo geralmente traz receio.

Eu, diferente de muitas meninas, nunca joguei futebol. Entrei para o mundo do desporto ainda no colégio, joguei handebol, fiz dança e pratiquei natação, até tentei uns passos no futebol, o que não deu muito certo, conseguindo jogar no máximo umas partidas de salão, para completar o time feminino.

A minha história com o Santa Cruz Futebol Clube é bem inusitada. Meu Pai é rubro-negro doente (todos eles são na verdade) e minha mãe é torcedora da barbie. A primeira lembrança que tenho sobre o Glorioso na minha vida foi em 1993, quando o Santa, vencendo a barbie, ganhou o título pernambucano daquele ano. Via o meu avô materno, que é tricolor, vibrar e chorar de alegria escutando o rádio e eu, como não tinha muita noção do que estava acontecendo, só acompanhava observando.

No mesmo ano, dois primos meus por parte de pai foram jogar futebol nos júniores do santa, daí por diante eu dizia ser SANTA CRUZ oficialmente, para revolta dos meus pais e da minha irmã (vale ressaltar, também torce pela coisa) e para glória do meu avô, de alguns tios e alguns amigos mais velhos, que eram tricolores e trataram logo de protocolar o fato, me presenteando com uma camisa do Santa.

A primeira vez que fui a um estádio de futebol foi em 2004 com um ex-namorado. Era no campeonato pernambucano, não me lembro qual o placar do jogo, sei que era Santa x barbie, eu fiquei tão impressionada com a quantidade de gente, com a imensidão do Arruda e a beleza da torcida, que eu não consegui assistir ao jogo; ficava filmando a torcida na arquibancada. O namoro acabou, mas eu continuo desde aquele dia indo aos jogos, e o engraçado é que ele hoje em dia raramente vai a campo.

Em outubro desse ano, fiz uma tatuagem com o escudo do Santa Cruz nas costas. Sempre tive vontade de fazer uma tatuagem, e acho que o desenho escolhido não poderia ser algo diferente, pois acredito na idéia de que tatuagem se faz com o intuito de tê-la para a vida toda, tem que ser algo que nos marque e nos identifique. Muita gente fala do fato de ter feito logo esse ano, que nosso Santa foi rebaixado para segunda divisão e realizou uma campanha pífia durante todo o campeonato brasileiro.

Mas amar, quando está tudo às mil maravilhas, é muito fácil; difícil é amar quando se mais precisa. E apesar de tudo de ruim que nos aconteceu esse ano dentro de campo, houve a maior prova de amor que a torcida do Santa poderia dar ao clube: o resultado da última eleição para a presidência do mais querido.

No ano de 2005 criei no orkut a comunidade “Mulheres que AMAM o SANTA CRUZ” com o intuito de reunir as mulheres que iam ao Arruda, e as que tinham vontade mas por algum motivo não iam. A comunidade tem 1 ano e meio e 6.814 membros, e estamos organizando nosso site e a criação de uma faixa para ser colocada no Arruda em dias de jogo, que se tudo der certo, já estará pronta no começo do campeonato pernambucano de 2007, pois estou fazendo os últimos acertos com o patrocinador. Alguns amigos me sondaram sobre a possibilidade de fazer camisas femininas para divulgá-la nos jogos e levei adiante a idéia. Hoje a camisa (desenho criado pelo designer Rubens da CoralJampa) é vendida pelo site da Coralnet.

Já conversei com algumas meninas sobre a hipótese da criação de uma torcida oficial feminina, e já estamos com algumas idéias, mas preciso de mais meninas para ajudar na organização. Queremos organizar um movimento que aumente o número de torcedoras nos estádios, não penso nisso só para o Santa, mas sim para o futebol no geral. Conversei com algumas torcedoras de outros times, que gostam e vão aos jogos, sobre o movimento: “Lugar de mulher é no estádio” (não só indo a campo mas vivenciando o dia-a-dia do clube).

O preconceito ainda é muito grande e, na maioria das vezes parte dos próprios torcedores, que não levam suas namoradas, mulheres, filhas, etc. para o estádio. Somado a isso, algumas mulheres que, como já citado, por medo do novo, acabam taxando as que gostam de ir aos jogos. Por que não mulheres assistindo futebol? Por que mulher não pode entender e debater futebol?!

Não existe uma causa lógica para esse tipo de preconceito. Seria bom extinguir a idéia de que mulheres que vão a campo são divididas em 3 grupos: “Maria chuteira”, homossexual (nada contra opção sexual de ninguém) e as que vão ao estádio por que a concentração da população masculina é maior e isso seria “interessante” para as solteiras (pasmem, eu já ouvi isso). Mulheres também vão a campo com intuito de assistir aos jogos, por que gostam de futebol e não por que têm algum interesse obscuro!

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