Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 30 de dezembro de 2006

Santa Cruz, Música e Carnaval

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Raul e João (os Irmãos Valença), Capiba e Nelson Ferreira:
célebres carnavalescos e tricolores

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Por Julio Vila Nova

Embora não haja qualquer dúvida quanto à importância do futebol, da música popular e do carnaval para a formação da nossa identidade cultural, as ligações entre essas três vertentes coronárias da alma brasileira ainda não renderam frutos em quantidade e qualidade suficientes, no panorama de nossas artes, diante da grandeza que representam para o povo brasileiro.

O tema é recorrente e tem sido abordado na imprensa, de modo geral, em vários momentos. Lamenta-se o fato de compositores boleiros famosos, como Chico Buarque, terem feito tão poucas músicas falando de futebol. Ou ainda a falta de maior divulgação de canções e discos sobre o tema. Cite-se, como exemplo, o excelente “Novos Baianos F.C.”, de 1973, com fotos da galera batendo pelada no sítio em que vivia a comunidade de Moraes, Baby, Pepeu, Galvão e companhia. Um disco que vale mais como LP, pela qualidade gráfica das fotos e textos (bem reduzida em CD), sem falar, é claro, das músicas, de primeira!

Em Pernambuco, especificamente, esse tríplice alicerce sobre o qual nos esbaldamos em plena folia é honrosamente preservado, graças à sólida sustentação do amor desregrado devotado a um clube em particular: o Santa Cruz Futebol Clube, sem dúvida a agremiação futebolística de maior simpatia entre as camadas mais populares, o que lhe valeu apelidos carinhosos como “Clube das Multidões”, “O Mais Querido”, “Clube da Poeira”.

Na galeria de tricolores ilustres na história de nossa música popular – e, curiosamente, entre os artistas mais ligados à música carnavalesca - figuram nomes do quilate dos Irmãos Valença (autores do Hino Oficial do Santa Cruz e do frevo-canção O Papa-Taças, além de outras obras-primas como O teu cabelo não nega, Saudade e Um sonho que durou três dias); Capiba (autor da música que é por muitos considerada o hino do clube, mas que na verdade é uma homenagem ao primeiro supercampeonato, a marcha-exaltação O Mais Querido); Nelson Ferreira (que inclusive presenteou com frevos antológicos os outros dois clubes da capital); Edgard e Raul Moraes (os mestres do frevo-de-bloco); os maestros Edson Rodrigues, José Menezes, Nunes e Spok; os compositores Braúlio de Castro e Fátima de Castro, Getúlio Cavalcanti, Alírio Moraes, Sebastião Lopes, Marambá, Inaldo Moreira, Fernando Neves, Leôncio Rodrigues, Chico Nunes, Carlos Fernando.

A lista inclui ainda Antônio Carlos Nóbrega e Naná Vasconcelos, os cantores Bubuska, Walmir Chagas e Edy Carlos, além de artistas não necessariamente ligados à cena carnavalesca, como Maciel Melo, Nando Cordel, Canibal e a turma da Eddie.

Na elaboração de uma lista dessas, sempre se corre o risco de esquecer alguém, o que provavelmente deve ter acontecido. Não importa. Aqueles que por involuntária omissão foram deixados de fora, reclamem o seu orgulho tricolor e perdoem a ignorância de quem escreve.

O que importa mesmo é saber que, graças à sua origem simples (sabe-se que eram jovens estudantes os seus fundadores), o Santa Cruz conseguiu reunir em perfeita comunhão, ao longo de sua história, três maiúsculas paixões do povão pernambucano: o futebol, a música e o carnaval.

E graças a essa feliz comunhão, para comemorar com mais entusiasmo o novo momento do Santa Cruz, com o sopro vigoroso de participação democrática da torcida para este ano de 2007, estaremos prontos para gritar os refrões da vitória, como aquele de Bráulio de Castro: “ Não adianta mudar, seu doutor! Meu coração sempre será tricolor! Eu não me canso de dizer: SOU SANTA CRUZ ATÉ MORRER!” (Nasci Santa Cruz, do CD Veneno da Cobra Coral).

Um abraço a toda torcida coral. Muita saúde ! Sucesso em 2007, no gramado do Arrudão e na grande área da vida inteira!

Julio Vila Nova é professor, presidente do Bloco Líricos Cordas e Retalhos e pai de Lívia de Castro Alves Vila Nova, decassílaba filha que canta “Papai Tricolor” desde que aprendeu a falar.

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Nota do Editor Assistente Jr, Anizio Silva: Amigos, 2006 vai chegando ao fim, embora para a nação tricolor 2007 começou há um mês, com a revolução que ajudamos a promover no clube. Com este inspirado artigo de Julio, que prepara o espírito e anuncia o carnaval tricolor que vem aí, o Blog do Santinha se despede e manda um forte abraço. A não ser, claro, que os editores senior apareçam para dar um alô.

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