Reencontros: Reginaldo Esteves
Desde o início do dezembro, muitos tricolores que dedicaram tempo e suor para ajudar a construir a história do Santa Cruz voltaram a freqüentar a clube. A partir de hoje, o Blog do Santinha irá contar a história de três desses homens que, além da experiência e cabelos brancos, têm em comum o amor ao Mais Querido.
O homem que sonhou o Arruda

por Inácio França (texto) e Pedro Lopes de França (fotos)
Foi da inspiração de Reginaldo Esteves que o Arruda ganhou forma. Quando todos os tricolores só viam as acanhadas arquibancadas de madeira, ele foi o primeiro a imaginar as curvas de um colossal estádio no terreno da avenida Beberibe. Da sua imaginação, os traços do Arruda desaguaram na prancheta de trabalho para, logo depois, erguer-se em cimento, aço e paixão.
Em meados dos anos 60, Esteves era um jovem professor de arquitetura da UFPE e já acumulava algum prestígio em sua área. No bairro do Arruda, os homens que dirigiam o Santa Cruz sonhavam em construir o estádio, mas não tinham dinheiro nem mesmo para encomendar o projeto arquitetônico. Então, as carências do clube encontraram-se pela primeira vez com o talento do arquiteto.
Com orgulho, Esteves desenhou em linhas arrojadas o estádio do seu clube de coração. Anos depois, e 1980, foi chamado mais uma vez para elaborar o projeto da ampliação: "imaginei um estádio novo construído sobre o anterior". Nunca cobrou um tostão, mas aceitou a pequena geladeira vermelha oferecida como pagamento pelo serviço. "Era uma geladeirazinha linda, com um valor simbólico enorme ", recorda.
O século XXI chegou e o orgulho cedeu espaço para a amargura. Há poucos anos, o lance de arquibancadas por trás da barra do lado do canal foi interditada. Eram necessários reparos urgentes. Reginaldo Esteves se dispôs a ajudar, queria ver o que poderia ser feito. Foi barrado, impedido de entrar no estádio que leva sua assinatura. Afastou-se.
"Alguns arquitetos orgulham-se dos prédios de luxo e dos monumentos que projetam. Eu me sinto realizado por ter desenhado o Arruda e a praça do Marco Zero, espaços onde o povo comemora, brinca ou protesta".

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Retrospectiva 2006: Junho
No recesso do campeonato brasileiro, o Blog do Santinha entrou no clima da Copa do Mundo e convidou alguns comentaristas para escrever sobre os jogos.
Fizeram parte do nosso time de escribas o jornalista Marcel Tito (da equipe de esportes do Diário de Pernambuco), o advogado Paulo Araújo, o músico Júlio Vilanova, além do enviado especial à Alemanha Luís Oliveira (foto).
O jornalista João Valadares (da editoria de Cidades do Jornal do Commércio), ficou encarregado de cobrir Inglaterra x Paraguai, mas não pôde assistir o jogo devido a um compromisso etílico. Para escrever a resenha, recorreu à brilhante análise do porteiro Juarez:
(…)
“- Sim, porra. Conta do gol.
- E então. Ele meteu um bola daquelas mei de rosca. A bichinha foi voando, voando e Gamarra meteu a cabeça nela. E jogou merda no ventilador. Fedeu. E Galvão passou o jogo todinho babando o ovo dele. Dizendo que ele não fez nenhuma falta. Era melhor ter feito 80 faltas e num ter jogado contra a própria barra. Né foda? Me arreto com essas coisas.
- E o Paraguai?
- No primeiro tempo ficou só olhando. Parecia um time chamado Cabeça de Calango, que tinha lá no meu interior. Os sulanqueiros ficaram olhando a menina passar de um lado para o outro. Por isso que chamam cavalo paraguaio né? Cavalo do Paraguai é assim, é? Seio não. Esses putos num fizeram nem um gol falsificado.
- Pensei que eles tinham um time arrumado. Tem não é?
- No segundo tempo, até que melhoraram. Mai aquela coisa que engana quem não entende de futebol. Fica tocando, mas num faz porra nenhuma.Tinha até um tal de Santa Cruz. O cabra disse que ele jogava bola. Pelo nome, desconfiei logo. Nem no Paraguai, essa porra do nosso time tem jeito. Tá foda. Já tô me arretando.”
Texto completo (e hilário) + Comentários:
Profunda análise dos sulanqueiros e galegos








