Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 5 de janeiro de 2007

Reencontros: Reginaldo Esteves

Desde o início do dezembro, muitos tricolores que dedicaram tempo e suor para ajudar a construir a história do Santa Cruz voltaram a freqüentar a clube. A partir de hoje, o Blog do Santinha irá contar a história de três desses homens que, além da experiência e cabelos brancos, têm em comum o amor ao Mais Querido.

O homem que sonhou o Arruda

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por Inácio França (texto) e Pedro Lopes de França (fotos)

Foi da inspiração de Reginaldo Esteves que o Arruda ganhou forma. Quando todos os tricolores só viam as acanhadas arquibancadas de madeira, ele foi o primeiro a imaginar as curvas de um colossal estádio no terreno da avenida Beberibe. Da sua imaginação, os traços do Arruda desaguaram na prancheta de trabalho para, logo depois, erguer-se em cimento, aço e paixão.

Em meados dos anos 60, Esteves era um jovem professor de arquitetura da UFPE e já acumulava algum prestígio em sua área. No bairro do Arruda, os homens que dirigiam o Santa Cruz sonhavam em construir o estádio, mas não tinham dinheiro nem mesmo para encomendar o projeto arquitetônico. Então, as carências do clube encontraram-se pela primeira vez com o talento do arquiteto.

Com orgulho, Esteves desenhou em linhas arrojadas o estádio do seu clube de coração. Anos depois, e 1980, foi chamado mais uma vez para elaborar o projeto da ampliação: "imaginei um estádio novo construído sobre o anterior". Nunca cobrou um tostão,  mas aceitou a pequena geladeira vermelha oferecida como pagamento pelo serviço. "Era uma geladeirazinha linda, com um valor simbólico enorme ", recorda.

O século XXI chegou e o orgulho cedeu espaço para a amargura. Há poucos anos, o lance de arquibancadas por trás da barra do lado do canal foi interditada. Eram necessários reparos urgentes. Reginaldo Esteves se dispôs a ajudar, queria ver o que poderia ser feito. Foi barrado, impedido de entrar no estádio que leva sua assinatura. Afastou-se.

Aposentado depois de quatro décadas nas salas de aulas da Faculdade de Arquitetura, não esperou convite para retornar ao clube. Aos 76 anos, ofereceu novamente seu talento ao Santa Cruz. "As prioridades ainda serão definidas, mas já estou trabalhando mais do que quando estava na ativa". Uma tarefa ele já está tocando: irá desenhar os projetos para a nova fachada da sede e para a área em ruínas vizinha ao parque aquático (foto abaixo).

"Alguns arquitetos orgulham-se dos prédios de luxo e dos monumentos que projetam. Eu me sinto realizado por ter desenhado o Arruda e a praça do Marco Zero, espaços onde o povo comemora, brinca ou protesta".

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Retrospectiva 2006: Junho

No recesso do campeonato brasileiro, o Blog do Santinha entrou no clima da Copa do Mundo e convidou alguns comentaristas para escrever sobre os jogos.

Fizeram parte do nosso time de escribas o jornalista Marcel Tito (da equipe de esportes do Diário de Pernambuco), o advogado Paulo Araújo, o músico Júlio Vilanova, além do enviado especial à Alemanha Luís Oliveira (foto).

O jornalista João Valadares (da editoria de Cidades do Jornal do Commércio), ficou encarregado de cobrir Inglaterra x Paraguai, mas não pôde assistir o jogo devido a um compromisso etílico. Para escrever a resenha, recorreu à brilhante análise do porteiro Juarez:

(…)

“- Sim, porra. Conta do gol.

- E então. Ele meteu um bola daquelas mei de rosca. A bichinha foi voando, voando e Gamarra meteu a cabeça nela. E jogou merda no ventilador. Fedeu. E Galvão passou o jogo todinho babando o ovo dele. Dizendo que ele não fez nenhuma falta. Era melhor ter feito 80 faltas e num ter jogado contra a própria barra. Né foda? Me arreto com essas coisas.

- E o Paraguai?

- No primeiro tempo ficou só olhando. Parecia um time chamado Cabeça de Calango, que tinha lá no meu interior. Os sulanqueiros ficaram olhando a menina passar de um lado para o outro. Por isso que chamam cavalo paraguaio né? Cavalo do Paraguai é assim, é? Seio não. Esses putos num fizeram nem um gol falsificado.

- Pensei que eles tinham um time arrumado. Tem não é?

- No segundo tempo, até que melhoraram. Mai aquela coisa que engana quem não entende de futebol. Fica tocando, mas num faz porra nenhuma.Tinha até um tal de Santa Cruz. O cabra disse que ele jogava bola. Pelo nome, desconfiei logo. Nem no Paraguai, essa porra do nosso time tem jeito. Tá foda. Já tô me arretando.”

Texto completo (e hilário) + Comentários:
Profunda análise dos sulanqueiros e galegos

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