Sobre a relatividade dos tempos (revisto e ampliado)

Givanildo é notório formador de grupos, mas terá que
adiantar ponteiros do seu relógio.
por Inácio França
Em outubro de 2005, o time do Santa Cruz comandado pelo mesmo Givanildo Oliveira liderava a Segundona. O feijão-com-arroz consistente jogado por Bala, Rosembrick e cia. empolgava a torcida. Naquela época, o Blog do Santinha assumiu uma posição arriscada: anunciamos que, apesar do apoio ao time e da nossa presença nas arquibancadas ao lado da Sanfona Coral, nossa postura era de oposição à autoritária e personalista diretoria do clube naquela época.
Pouco mais de um ano depois, assumimos um novo risco, este em sentido inverso ao primeiro: apesar dos maus resultados e do péssimo futebol nos três primeiros jogos da temporada, nos colocamos em posição favorável à forma como o Santa Cruz Futebol Clube está sendo conduzido nos primeiros meses pós-ditadura. Em qualquer atividade humana, a formação de um grupo é um processo lento e, muitas vezes, doloroso.
Mesmo com essa posição tomada às claras, sei dos riscos que corre a nova diretoria por conta dos atuais insucessos. Não tenho a intenção de discutir tática ou escalação, mas não há como negar que a obsessão de Givanildo em usar o 3-5-2 com um magote de zagueiros pesadões pode afastar a torcida e atrapalhar a reconstrução do clube.
O problema é que a marcha dos relógios é relativa. Para o treinador, que precisa observar, analisar e testar, três rodadas equivalem a uma gota no oceano, para o torcedor que sofre incontáveis derrotas, três rodadas são uma eternidade. Mas a situação do Santa Cruz é tão caótica que o time não pode se dar ao luxo de ter dois relógios andando em velocidades diferentes por muito mais tempo. O treinador - cujo ponto forte é sua capacidade de formar times a partir do nada absoluto - terá que adiantar seus ponteiros e o bom futebol terá que aparecer, sob pena da reconstrução também atrasar sua marcha.
*****
Depois que li os comentários escritos pelos leitores, percebi que - mais uma vez - não consegui me fazer entender. Não por culpa de quem me leu, mas da minha pressa em escrever na hora do almoço, passei a impressão de estar cobrando resultados de forma apressada. Está certo quem me criticou. Faltou dizer que , se Givanildo terá de adiantar os ponteiros do seu relógio de preparação, a torcida tricolor terá de atrasar seu relógio de expectativas. Precisaremos resolver o problema da relatividade do tempo e buscar a quase impossível sincronia.
*****
Incluímos na lista das páginas recomendadas pelo Blog do Santinha, o link para o Arquibancada, blog do jornalista José Neves Cabral, que promete misturar paixão e história nos seus escritos sobre futebol.
56 comentários







