Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 26 de janeiro de 2007

“Eu entrei de mascote”

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por  Inácio França, a partir de depoimentos de Pedro Lopes de França e Júlia Lopes de França

Quando era criança, assistia aos jogos das sociais. Morria de inveja dos meninos que entravam como mascotes, posando para fotos ao lado do time e dando tchau para a torcida. Enquanto escrevo isso, meu filho me pergunta porque o avô nunca tentou me colocar entre os mascotes. "Não sei, pergunte você mesmo quando ele chegar de Natal amanhã", respondi. Prefiro delegar a meu filho a tarefa de acertar contas com o passado. Ainda não tratei desse tema com meu terapeuta.

Pois bem, morria de inveja e sempre quis proporcionar essa emoção a meus filhos. No Nordestão de 2002 (ou 2003, sei lá…), Pedro tinha uns oito anos e entrou de mascote na partida contra o CSA. Perdemos de 0 x 3. Ele ficou decepcionado, mas não tanto quanto o pai.

Admito que tive receio da frustração se repetir quarta-feira. Afinal, o ipiranga é tão azul-e-branco contra o CSA. Pedrinho tem 13 anos e nem estava fazendo muita questão, mas Júlia, de quatro anos, só falava nisso desde que chegou do vale do rio Araguaia para passar as férias comigo. Por isso, achei que valia a pena correr os riscos.

Bem, como não tenho literatura suficiente para falar da emoção dos dois, segue o depoimento dos meus dois filhos sobre a aventura de entrar no gramado do Arruda sob a luz branca dos holofotes.

"Cheguei no Santa Cruz com a roupa de mascote que você comprou de manhã pra mim" (Júlia)

"Ficamos esperando um tempão até chegar a hora de entrar. Ficamos quietos, num canto. Os outros meninos estavam quietos também" (Pedro)

 "A gente subiu um bocado de escadas para chegar no gramado. Tem um monte de escadas para entrar. Aí, depois eu e Pedro tiramos foto com os jogadores" (Júlia)

"Tiramos foto com Rodriguinho. Júlia deu sorte pra ele porque ela dá uma sorte danada pro Santa. Dos nove jogos que a gente levou ela, o Santa ganhou oito. O outro foi empate. Rodriguinho não jogou nada contra o Porto e, depois que botou Juju no colo, jogou muito bem contra o Ipiranga. Acho que a gente vai ter que morar aqui em Recife de novo pra Júlia poder ir pra todos os jogos do Santinha". (Pedro)

"Foi emocionante entrar no gramado com Júlia. Foi muito legal ficar mostrando o estádio pra ela. Eu me afastei do tumulto de gente que fica entrevistando os jogadores só para Júlia poder ver melhor como é o gramado e como é a torcida de outro ângulo”.  (Pedro)

Abaixo, segue o depoimento de Samarone depois que Júlia falou para ele, por telefone, a frase "Sama, eu entrei de mascote":

"Dá vontade de emprenhar uma mulher amanhã, só para botar o filho de mascote também" (Samarone Lima)

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