Nosso aniversário

Hoje é aniversário daqueles que são tricolores desde sempre
por Inácio França
Ontem, a pedido do repórter João Andrade Neto, do Jornal do Commércio, escrevi uma pequena crônica para marcar o 93º aniversário do Santa Cruz. Como nem todo mundo lê esse jornal, resolvi dar uma mexida no texto e republicá-lo aqui.
Todo torcedor de qualquer time sempre tem, na ponta da língua, uma explicação transcendental para explicar sua paixão pelo clube de coração. Toda torcida tem uma frase-feita do tipo "uma razão para viver", "mais do que um clube, uma religião", "ser tricolor é um estado de espírito" ou coisa do gênero. O repertório é vasto.
Mas não acredito que seja preciso recorrer à fé ou à metafísica para encontrar a explicação do amor a um time de futebol. A explicação está a infância, ou no menino que teima em sobreviver dentro de cada um de nós, torcedores. Afinal, mesmo transformado em negócio que movimenta bilhões de dólares mundo afora, o futebol, antes de espetáculo, não passa de um jogo de bola. Um jogo de garotos que, só por acaso, tem barras retangulares e não triangulares, é jogado por 11 de cada lado e não por 10 ou 12.
O Santa Cruz me remete diretamente às tardes de domingo da minha infância, quando saía da longínqua praia de Piedade, vestindo uma camisa de listas verticais com um escudo colado e o número 5 às costas, para viver a delicionsa aventura de me misturar à multidão. Assim, o Arruda foi o palco das minhas mais emocionantes aventuras de menino, quando meus super-heróis se chamavam Ramón, Nunes, Fumanchu, Betinho, Wendell e Givanildo.
O Santa Cruz era a liberdade da quarta-feira à noite, em forma de chicabon, pipoca e uns churrasquinhos esquisitos que, em nenhuma outra circunstância, meu pai usaria como alternativa para me alimentar. Foram raros os jogos noturnos da minha infância, sempre havia aula na quinta de manhã. Por serem raros, inesquecíveis. O gramado brilhando de tão verde, sob as luzes dos refletores, era a coisa mais linda que eu tinha visto aos 10 anos de idade.
É verdade que a fartura de títulos e ídolos adubaram minha paixão, mas só os pragmáticos demais, os neoliberais, os globalizados, podem acreditar que o amor ao clube pode ser alimentado por trófeus e campeonatos. Nesse caso, não haveria amor, só interesse mesquinho. Como explicar então que meu filho, acostumado ao cimento do Arruda durante a escassez de títulos da segunda metade dos anos 90 e primeiros anos desse século, seja tão ou mais apaixonado do que eu?
Sou capaz de apostar que, para ele, o Arruda é o local onde ele pode perder o controle em meio a palavrões , sempre tolhidos em casa ou na escola. É no Arruda onde meu filho recebe do pai os abraços mais emocionados, mais apertados. É no estádio onde, a cada gol, vive uma das mais belas experiências humanas, a confraternização com gente desconhecida, de todas as classes sociais e idades.
Hoje é o aniversário de todos nós, crianças de todas as idades que vestimos preto-branco-e-vermelho para nos divertirmos no Arruda.

O Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente

"O Santa Cruz nasceu e vai viver eternamente", já dizia
Alexandre Carvalho, um dos fundadores do clube
Foto: Rodrigo Cantarelli
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Pátio da Igreja de Santa Cruz, onde tudo começou
Por Anizio Silva
Assim como os muçulmanos devem efetuar, ao menos uma vez na vida, uma peregrinação à cidade sagrada de Meca, todo tricolor deveria visitar a Igreja de Santa Cruz e seus arredores. Só recentemente fiz isso. Até então, só conhecia o Mercado da Boa Vista, que fica na rua lateral, e os sabores da sua comida regional.
No casarão rosa da foto acima existe uma placa, colocada pela diretoria do clube em 1983, que avisa: "Aqui, há 69 anos, uma plêiade de jovens fundou aquele que seria o maior e mais querido clube futebolístico do Norte-Nordeste do Brasil, o Santa Cruz Futebol Clube".
Com estas imagens, deixo então meus parabéns a toda a torcida tricolor, que neste 03 de fevereiro comemora o aniversário do Santinha!
Mais tarde, nos encontramos no Baile de Carnaval comemorativo dos 93 anos do clube, e de 100 anos do frevo.
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