Pra não dizer que não falamos dos espinhos
por Inácio França
O clima estava quente hoje de manhã na redação do Blog do Santinha. Intensos debates dividiram a equipe em dois grupos: de um lado, Samarone defendendo a tese de que, em vez de abordar o desempenho do time e a ridícula derrota para o Vera Cruz, deveríamos publicar um texto lírico, uma crônica sobre o cotidiano ou coisa que o valha. “Deixemos o futebol de lado, vamos dar espaço à poesia, pois a realidade futebolística está muito dura”. Contra-argumentei, afirmando que seria preciso encarar os fatos para atender à demanda dos leitores. “Não podemos fugir do assunto, pode dar a impressão de uma fuga”.
Satisfeito com esse argumento ou com preguiça de enveredar por um intricado debate filosófico, Samarone desistiu. Em compensação, fiquei com a tarefa de encontrar alguém do Departamento de Futebol coral para conversar sobre o assunto. Por isso, na hora do almoço, telefonei para o diretor de Futebol, Sylvio Belém.
Educadíssimo, Belém largou a família na mesa para nos contar que, agora à tarde, ele, Fred Carvalho e Rosemberg Rafael irão se reunir com o presidente Edinho. Ontem à noite, já em Recife, os três já tinham se reunido com Givanildo. Algumas decisões urgentes deverão ser tomadas.
“Não está na nossa cabeça a idéia de sair mudando tudo, refazer tudo de uma hora para outra. Esse tipo de coisa sempre atrapalha e complica ainda mais. Mas é evidente que algumas correções terão de ser feitas. Não dá para jogar sempre a culpa no calor, no gramado e no juiz. Isso não é possível. É hora de cobrar resultados porque não podemos admitir a postura que o time teve no jogo de ontem. O segundo tempo foi simplesmente hor-ro-ro-so”.
Belém não quis adiantar quais seriam as mudanças, mas deu algumas pistas sobre, pelo menos, uma das decisões que serão tomadas daqui a pouco: “Contra o Central, perdemos, mas pelo menos o time lutou. O problema é que, contra o Central, perdemos em 7 minutos um jogo que estava ganho contra um adversário com apenas 10 homens. Por coincidência, quando levamos os dois gols estávamos com a mesma zaga que atuou ontem: Alex Pinho e Adriano. A postura da defesa atuou com uma postura muito ruim, horrível”. Nem é preciso ser gênio para adivinhar qual deverá ser uma dessas decisões.
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Pra não dizer que não falamos das flores, o Blog do Santinha tem o prazer de informar que o músico e professor Júlio Vila Nova, um dos mais fiéis leitores do blog, irá lançar seu livro Panorama de Folião hoje, às 19h, no Museu da Cidade do Recife (Forte das Cinco Pontas). A noite de autógrafos terá como atrações o desfile de blocos líricos e de orquestras de frevo-de-bloco, além da declamação de poemas de Ascenso Ferreira.
O livro é resultado da dissertação de mestrado em Letras, defendida por Júlio em 2006, e enfatiza a importância da canção popular para o estudo e compreensão da realidade brasileira, ao longo de um século de história, desde os primeiros registros fonográficos. No livro, Júlio defende a idéia de que o frevo-de-bloco é um gênero fortemente marcado, em suas letras, pela ênfase na exaltação aos valores da cultura pernambucana. Assim, encontram-se no cancioneiro dos blocos, por exemplo, a reverência a personalidades da nossa história e do universo carnavalesco, a descrição poética de paisagens típicas das cidades (Recife, Olinda e outras) e a louvação à beleza do próprio carnaval.









