Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 6 de março de 2007

Cem anos de solidão

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Na entrada para as sociais, o coração acelera

Por Dimas Lins

Dois dias atrás, estava com uma sensação de que havia alguma coisa errada com o meu final de semana, mas não sabia o que era. Parei para pensar: tomei umas cervejas na sexta. Confere. Tomei outras no sábado. Checado. No domingo também. Positivo. Se estava tudo como deveria ser, então que danada de sensação era essa? Só percebi o que era, quando deram umas duas horas da tarde do domingo e eu não estava indo para o Arruda. O Santa não ia jogar. Ué, mas por quê? Coisas dos cartolas do futebol, pensei. Vai ver que é para beneficiar a coisa. Tá certo que o time não vai bem na temporada, mas e daí? Convenhamos que ficar dez dias sem ver o Santa jogar é de lascar! Parece que faz uma década ou cem anos de solidão! Para qualquer tricolor, isso é uma verdadeira eternidade.
 
Definitivamente estes últimos dias estão diferentes. Estou numa secura arretada para ver o Santa em campo novamente. Ir aos jogos no Arruda é como um ciclo que tem início num jogo e só termina no começo da próxima partida. O ciclo desta vez está longo demais.
 
Normalmente em dia de futebol (para mim, futebol é só quando o Santa joga, o resto deve ser outra coisa e ter outro nome, mas futebol não é), tudo é diferente, especial. A rotina muda completamente. Tem outra cara, outra energia. Primeiro, porque a gente acorda e já sabe que camisa vai usar. Depois é como se você dissesse para todo mundo: “não conte comigo para mais nada, que hoje eu vou pro Arruda!”. E pode até ser que as pessoas não entendam, mas aceitarão. Até mesmo porque não há o que fazer. Nessa hora, o sujeito esquece mulher, mãe e menino. É mais forte do que ele. E aí, vai embora para o Arruda, que o mundão é todo seu.
 
Já no estádio, faço uma parada obrigatória no bar. Antigamente, eu ia para o Colosso, mas depois que fechou, passei a me bandear para o bar da piscina. Chegando lá, a gente encontra os amigos, abre uma cerveja e vai logo pedindo um arrumadinho. Conversa vai, conversa vem e tudo gira em torno do Santa.
 
– Quanto vai ser o jogo hoje?
– dois a zero.
– Pra quem?
– Como assim, pra quem?
– Mas é contra o Serrano! E você sabe como está o time, né?
 
Todo mundo olha puto, doido para dar uma cambada de pau no sujeito. Um amigo tricolor, mais altruísta que os demais, pede para deixar para lá: “ele tem coração fraco!”. “E miolo mole!”, acrescentaria outro.
 
Ao passar pelas catracas das sociais, alguém ainda perguntará, olhando aquele campo todo iluminado: “é verdade que as torres de iluminação foram penhoradas?”. Todo mundo xingará a gestão passada, se encaminhará para o mesmo ponto de todos os jogos e pedirá uma cerveja ao gasoseiro.
 
– Me dá uma Skol.
– Só tem Frevo.
– Vixe!
 
O torcedor ficará puto, mas lembrará que a Frevo está agora patrocinando o clube e que, ao menos, está deixando uma grana no Santa. “Que cerveja boa da porra!”.
 
Finalmente, começa o jogo e junto com ele ressurge a esperança de que o Santa agora vai ser outro.
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Beleza pura

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Lulinha, em primeiro plano, de camisa de listras horizontais de sócio diamante

por Inácio França

Eram 9h da manhã de ontem, domingo, quando o ilustríssimo diretor social do Santa, o senhor Luís Alberto, mas conhecido pela alcunha de Lulinha, me ligou:

- Inácio, é Lulinha. Te acordei?

- Acordou..

- Tem nada não. Telefonei pra dizer que estou indo lá pro Arruda, pra dar expediente. Se der, aparece lá.

- Tá, mas…

- Ah, e avisa aos leitores do blog que, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as funcionárias do Santa Cruz receberão tratamento de pele, facial, de rejuvenescimento, tudo grátis. Depois, as esteticistas vão ficar no clube, atendendo as associadas até a hora do jogo contra o Serrano.

- Como é que tu arrumasse isso?

- Minha mãe é esteticista. Aí ela e mais duas amigas tricolores resolveram dar uma dia de serviço pro Santa.

- Como é o nome da tua mãe?

- Hilda… Hilda Marques.

- E os nomes das amigas dela?

- Sei não… aparece no Arruda. Precisamos ocupar o espaço, aquele clube é nossa segunda casa. Precisamos estar sempre lá…

- Me deixa dormir, porra…

- Tá bom. Tchau.

Lulinha é assim, se deixar, ele fala o dia todo. Mas trata-se de uma figura ímpar, um dirigente completamente diferente daquilo que nos acostumamos a chamar de cartola, cheio de idéias inovadoras. Estamos devendo uma matéria sobre seu trabalho no Departamento Social, mas, enquanto isso, publicamos a informação do tratamento de beleza para as funcionárias e sócias. São esses pequenos gestos que deixam claro: no Arruda, há pessoas que encaram os outros como seres humanos e não como gado.

Pronto Lulinha, taí seu recado.

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Ainda hoje: Cem anos de solidão, por Dimas Lins

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