Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 10 de março de 2007

Creodonor não falhou

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O despacho está pronto para o jogo de amanhã

Por Paulo Araújo

Após vultoso investimento (passagens, oferendas, bebidas, charutos, etc) na contratação de Creodonor – preto véio de renome – e o empate com o serrano, quando o acordado seria a vitória, decidi cobrar explicações da entidade, pois senti-me lesado na minha esperança e fé.

Encontrei Creodonor bastante tranqüilo e, o que é pior, ciente do dever cumprido. A entrevista ocorreu em local secreto, que o Preto Véio não deixou divulgar para evitar assédio, e agora repasso aos amigos Corais, lembrando que muitos segredos foram revelados.

– Preto Véio Creodonor, para começar, cadê a vitória do Santinha?

– Calma, ansioso tricolor. Bem sabeis que tudo faz parte de um plano superior e que as nossas forças podem não dar resultado de imediato; entrementes, tenhas certeza, as mazelas foram afastadas para sempre.

– Onxe, pensei que preto véio falasse diferente…

- É mermu, misifi. Tinha se esquecidu dissu. É promodi as peçoa indemtificá um preto véi.

– Bom… tá me cheirando a 171, Creodonor!

– Se avexe não, hômi! Tu paresse de 7 mez. Tô garantindu qui tudo correu muitcho bem.

– Muito bem? Duas bolas na trave, penalties não marcados, bola que nem sabe se entrou ou não, juiz roubando e, o pior, o empate.

– Mais de pió seria se derrota foçe, caba de pouca fé.

– Pouca fé? Saiba que a torcida está é a fim de pegar um preto véio cheio de bossa que cobrou muito, prometeu ainda mais e só garantiu um empate e uma noite de sono mal dormida. Parecia conversa de macho para puta em cabaré: muito papo de namoro, uma enfiada e adeus depois.

– Ah, ah, ah. Seu mosso se acaume senão morre dus corassão. O que Creodonor promete ele cumpri. Vou mostrá prá vosmicê deixá de ter pouca fé:

   1. Limpei o Arruda das mazela. Tinha limpado a sede e ônti limpei o campo. Acabouçe má fazi.
   2. O nosso Santinha (n.e.: sim, Creodonor é tricolor roxo) paressia outro time na rassa e jogô como agente gosta de vê;
   3. A eispução do zagueiro foi danada mais terminou juntamdu o time – á malis qui vem pro bem;
   4. Eu tiro mau oiado, oio gordo, macumba, feitisso, mais num consigo desviá bola não. Se jogadõ qui é jogadô profissioná num acerta num sou eu qui vou acertá.

 
 – Tá mal explicado, acredita quem quiser, entretanto, gostaria de tirar algumas dúvidas antes de a gente encerrar essa conversa. A primeira é como que é essa conversa de outra dimensão, de macumba, de feitiçaria; teve gente que não quer nem ouvir falar disso no Arruda.

 – Mô rapá, antis de tudo, lembro que Edinho Cabessa, Fred Arruda, Sílvio Beleim (é um veinho tum bonitim qui pode virá entidade), Lulinha, tudo é meus fiote. Eu vou ajudá eles mais é bom que a torssida num deiche de xegar junto não, promodi num haver falta de dindin e de trabaio no Arruda. A fé é o qui importa, com quauqué nome qui si dê. Num pode é ocorrê o ocorrido onti quandu até o Santinha fez gol a torcida paressia num acreditá. Sem fé, sem colaborassão e sem trabaio num tem Preto Véio qui dê certo. Fé e tesão, caboclo!!!

 – E para finalizar, o que eu não entendi até agora foi por que o senhor não conseguiu evitar a má fé da arbitragem ontem.

 – Onxi cabra: eu limpei o Arruda e a aquela mazela veio lá das banda da Federassão, onde tem cabeça de burro enterrada e cabeça do mal trabaiando.

 – E o que o senhor quer para limpar a FPF?

 – Bebesse maxo véi? Tais doido? Isso num é comigo não, tô fora disso, gosto é de Santa Cruz, muié, cachaça e charuto.

 – E é com quem?

 – Isso é trabaio prá puliça e justissa…

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