Categoria fraldinhas tamanho P
Por Gerrá Lima, zabumbeiro e pai-babão
Logo cedo o ambiente foi preparado, os avós paternos convidados para ver o jogo junto com a netinha. Afinal, se tratava de um momento histórico: seria o primeiro jogo do Santinha que Mariá iria assistir. O jogo contra o Belo Jardim, no dia do seu nascimento, não conta, naquela ocasião seus olhinhos ainda não sabia direito o que era o mundo e ainda não tinha saído no berçário do hospital.
Pois bem, atenta a todos os lances, quando o Santa Cruz meteu o quarto gol, Mariá deu aquela relaxada. Na hora que ela cochilou o time da sulanca quis chegar junto.
"Acorda ela Alessandra, esses matutos tão querendo complicar", avisei.
"Deixa a bichinha dormir, ela tá cansada", falou a minha mãe, corujando a neta.
E haja agonia, quando os sulanqueiros fizeram o terceiro gol, Mariá deu um berro, botou a goela pra funcionar.
"É cólica", disse a avó.
"Deve tá com fome", pitacou o avô.
Cólica e fome que nada, rapidamente entendemos a sua fala: "empatar uma pinóia, me bote perto da tv que o santa cruz não perde essa nem a pau".
De pronto, botamos o sapatinho tricolor e o carrinho com nossa pirralha no pé da televisão. E tome aperreio, juiz expulsando jogadores, Bibi querendo tirar onda, e o filme do jogo contra o Porto passando na nossa cabeça. Aqui vai um parênteses: Belo Jardim no sertão e Porto em Caruaru… povinho criativo esse do interior pernambucano!
Mas Mariá tava lá, no pé da televisão, fazendo a corrente positiva, se contorcendo toda no seu carrinho, vibrando feito gente grande, até que o homem do apito resolveu encerrar a partida. Alegria geral. A tricolorzinha deu aquele suspiro e um grito de felicidade, depois caiu no choro. Quanta emoção. Corujice a parte, Mariá é pé-quente. E já aproveito o momento para solicitar à Comissão Patrimonial e à ATASC, a construção de um berçário, porque na segundona quero levar a nossa bruguelinha pro Arruda.
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