Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 22 de abril de 2007

Virei a casaca?!

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Uma amiga presenteou Bruno com duas roupinhas, explicando que, como a mãe era alvirrubra, ele teria duas opções. Agora, não há mais qualquer perigo!

por Geórgia Araújo

Sou filha caçula de uma família de tricolores, que sempre teve no conservadorismo uma característica forte. Meu pai talvez nunca tenha percebido que sua única filha mulher pudesse gostar de futebol, por isso, não investiu na minha formação tricolor.

Aos 12 anos de idade, quando treinava basquete no Clube Náutico, acreditei que aquela referência bicolor me satisfazia. Sempre achei a combinação alvirrubra bonita, também por serem as cores que simbolizavam o colégio onde estudava. Porém, nunca me interessei em saber mais sobre a história do clube nem da sua torcida.

No início de 2005, ao reencontrar um ex-colega de colégio (tricolor doente), hoje meu marido, comecei a conhecer mais sobre os seus amores, dentre eles, o Santa Cruz e, aos poucos, fui me identificando com a história da formação do clube, a postura da sua torcida etc. Comecei a freqüentar mais o estádio, assistir aos jogos e participar da paixão da torcida coral pelo seu clube.

Lembro-me de um momento marcante de um jogo do Santa Cruz com a Portuguesa, quando vi crianças tricolores se divertindo ao terem que se proteger com uma bandeira do xixi que caía nas suas cabeças. Ali, tive a certeza que jamais viria uma cena daquelas no estádio dos Aflitos. Percebi que o cheiro de povo do Arrudão tem muito mais a ver comigo do que o ambiente perfumado dos Aflitos (Não é questão de higiene, mas de visão de mundo!). Então, comecei a ficar balançada, tendo surgido em mim uma discreta vontade de virar a casaca. Virar a casaca?!

No ano passado, tomei finalmente a decisão: vou ser tricolor! Porém, não era uma boa hora para mudar de time, pois no final de 2005, o Náutico havia perdido vergonhosamente do Grêmio, enquanto o Santa Cruz subia para a primeira divisão e todos iam dizer que era uma situação muito fácil para se virar a casaca. Continuava a me questionar: Virar a casaca?!

Como sou uma pessoa muito paciente, decidi esperar o momento ideal para assumir publicamente essa decisão, visto que, depois dos 15 anos, fica mais difícil fazer isso… E o momento ideal chegou: O Náutico na primeira divisão, o Santa Cruz na segundona e na situação perturbadora em que se encontra. Além disso (ou melhor, especialmente por isso!), nasceu meu filho, que misturou seu sangue tricolor com o meu. Segundo a amiga Alessandra, “havia um coração tricolor batendo dentro de mim”.

Pensei em anunciar a boa nova no dia do seu nascimento, mas o corre-corre foi muito grande e não houve como. Porém, hoje, no dia do “aniversário” de um mês de Bruno, digo com muita tranqüilidade que me tornei tricolor, virei a casaca. Virei a casaca?! Ou ainda não a havia vestido de verdade? Não importa o que seja, o que me deixa feliz agora é ser tricolor por opção e não por não sei lá o quê…

Para Inácio e Bruno, que deixaram a minha vida mais colorida.

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