Feijão com emoção
Telão com feijoada: sucesso de público e de crítica
por Inácio França
A perplexidade me esperava na entrada da sede do Santa Cruz, a 15 minutos do início da partida contra o Ipatinga, no sábado à tarde. Tinha até fila pra pagar os R$ 3,00 que daria acesso ao telão instalado pela rapaziada da Atasc e da diretoria social do clube.
Lá dentro, centenas de corais se espremendo entre as mesas ou tentando arrumar um espaço para assistir ao jogo em pé nas laterais, sem precisar ficar com o pescoço esticado. Todos com esperança, muita esperança de dias melhores.
A cerveja acabou. O jogo nem tinha começado quando Gerrá e Fred Dias deram o aviso fúnebre. Lulinha mandou comprar mais umas duas ou três grades. O pessoal esperava uns 100 fanáticos, amigos ou amigos dos amigos. Apareceram 400. Metade do público pagante que foi ao estádio Ipatingão.
As novas grades de cerveja salvaram a tarde. Pelo menos foi essa a sensação já aos 10 minutos do primeiro tempo. Afinal, aquela altura o time demonstrava um entrosamento perfeito: todos os jogadores estavam péssimos. “O jeito é beber”, repetia Bruno Carvalho ao meu lado direito. Ou então vaiar Charles Muniz toda vez que ele aparecia na tela.
No intervalo, os tricolores saíram procurando os conhecidos para desabafar e expressar raciocínios geniais concebidos nos primeiro 45 minutos. O ex-deputado Sérgio Pinho Alves formulou uma tese interessante: “Bastavam aqueles jogadores da primeira divisão do ano passado para a gente ganhar essa segundona. Márcio Alemão, o zagueiro Valdson, Reginaldo Araújo, Neto…”. Só não sei como ele faria para manter no Arruda um jogador que apanhou do presidente ou os outros que ficaram sem receber salários.
“A preleção de Charles e duas ave-maria e um pai-nosso. Ele reza e diz ‘pronto, vamos ganhar’”. Não sei quem falou, mas fiquei imaginando a cena.
“Não entendo como dois laterais que não apóiam o ataque ainda conseguem levar bola nas costas o tempo todo. Só leva nas costas que sobe pra atacar. No Santa é diferente”. Essa profunda análise é de minha autoria mesmo. Do meu lado, um sujeito simpático que ficou enchendo meu copo de cerveja o jogo todo, concordou. Infelizmente, quando fui comprar uma garrafa pra rachar com ele, tinha acabado o segundo lote de geladas.
Veio o segundo tempo e a esperança subiu a escada dos túneis de mãos dadas com o time. Além de rezar, Muniz mexeu no time. O que parecia ser azar, tinha dado sorte: Jairo, que só entrou porque o eficiente Amaral se machucou, fez o gol logo em seu segundo toque na bola.
Depois do jogo, o gosto amargo de uma derrota injusta e a esperança por conta do futebol razoável do segundo tempo. Já na saída, fui apresentado a Tadeu Patriota, comentador assíduo do blog. Ele mora em Maceió e já anunciou: “Vocês são meus convidados para a partida contra o CRB, no returno. Minha casa fica em Barra de São Miguel. O jogo vai ser num sábado, mas cheguem na sexta que é pra a gente poder tomar uma”.
Não sei se o pessoal gosta mais de cerveja ou do Santa Cruz.
* * * * * * * *
As fotos da primeira edição do TELÃO CORAL estão em nosso álbum:
http://www.blogdosantinha.com/fotos/album/ipatinga-2-x-1-santa-cruz-12052007/
(Atualização: incluímos mais algumas fotos, enviadas pelo tricolor Diego Galdino)
86 comentários









