Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 17 de maio de 2007

Um fio de esperança

Marco Aurélio
Marco quer atenção aos pratas da casa

Por Marco Aurélio Freire, de Natal/RN

Uma das coisas mais interessantes do Santa Cruz é sua origem: fundado por garotos que se reuniam às portas da Igreja de Santa Cruz, que emprestou seu nome ao novo Clube. Tal condição rapidamente transformou o Tricolor (que nasceu alvinegro) em um Clube aberto a todos, e extremamente popular. O reflexo disso é o aumento gradativo de seus simpatizantes, o que faz do Tricolor hoje o time mais popular de Pernambuco (e não há pesquisa encomendada que me tire essa certeza!).

Bem, mas atualmente (na verdade há um tempo demasiado angustiante já) o Santa Cruz parece ter perdido sua identidade. Os melhores anos do Tricolor foram aqueles onde o time valorizou sua origem: investimento na base e nos jogadores da região. O Nordeste é pródigo em revelar talentos, e quando o Tricolor investiu nisso sempre se deu muito bem. Nossos melhores times sempre foram predominantemente “da casa”, com jogadores que entendem bem o que é jogar num time grande do Nordeste. Por exemplo, basta avaliar o timaço de 1975: Nunes, Givanildo, Ramón, Luciano Veloso e outros tantos daquele esquadrão. Todos da região.

Vários motivos nos levaram a perder nossa identidade, muitos dos quais de amplo domínio público. E isso está intimamente relacionado aos anos obscuros que vivemos a partir de então.

É necessário que aconteça algo para que possamos fazer um resgate de nós mesmos. Talvez o gatilho para a mudança (ou seria o recomeço) seja essa crise sem precedentes em que o Clube está mergulhado. E, curiosamente, o pior momento da História do Santa Cruz parece ser (na verdade, PRECISA ser) encarado como um renascimento.

E a saída é investir na base, trabalhar bem a chamada “prata da casa” até que ela se transforme em ouro; pegar o carvão e trabalhá-lo até que ele vire um diamante bem lapidado. Não há mais espaço para contratações de jogadores de fora via fitas, por indicação de empresários (que em grande maioria são inescrupulosos) ou por que ouviu dizer que era bom e tudo o mais. O Clube, na situação periclitante em que se encontra, não pode se dar ao luxo de jogar pela janela o pouco dinheiro que tem.

E cabe à torcida conter um pouco a ansiedade nesse processo. Todos concordam que a tarefa parece um tanto inglória, uma vez que nestes últimos anos a sucessão de dissabores é cada vez maior. Mas é isso ou nada.

Apoio e paciência. Só assim emergiremos do lamaçal em que nos encontramos. Nossa maior força está na torcida, na massa. E acredito em nós. Sairemos dessa! Sou Tricolor e tenho fé.

Nota do Editor Assistente Jr.: nosso amigo Marco Aurélio enviou este texto no dia 6 de maio, antes do time ser finalmente definido - em sua maioria com jogadores do nordeste, como ele pedia. Aguardemos que o treinador dê mais atenção aos pratas da casa também.

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