Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 28 de maio de 2007

Zezinho, um típico torcedor do Santa, em pleno aniversário de criança

Zezinho
Zezinho com seu manto sagrado

Por Gerrá Lima

Um dos melhores programas de domingo, exceto jogo do Santa Cruz, é ir para aniversário de adulto. Feijoada, caldinho, cerveja, aguardente e boas conversas. E quando o aniversário é de um santacruzense? Ah! meu amigo, aí o nego toma todas e fica feliz. É abraço pra todo lado, risos no canto da boca, bolo com escudo do Santa Cruz, enfim, é do carai.

“Saudações tricolores!!”, “tricolores não, santacruzenses”. “E aí, o time tá engrenando né?”, “e então, série B é bom demais”. O papo inicial é por aí.

Domingo passado foi o aniversário de Guila, tricolor coral, que é casado com minha amiga Raquel, também torcedora do mais querido. Raquel, por sua vez, é filha de Vavá, o qual é apaixonado pelo Santa Cruz, cujas filhas, neta e netos são todos do Santa Cruz. Para encerrar esse lenga-lenga sobre a árvore genealógica, a família de Guila e a de Raquel são todos torcedores do Santa Cruz Futebol Clube.

A festança tava entupida de cerveja, tira-gosto, sobremesa e de torcedores corais, exceto uns dois ou três gatos pingados, que devem ter sido convidados apenas por consideração.

É engraçado ver a cara das barbies e leoas num ambiente desses, ficam perdidinhos feito cachorro que caiu do caminhão de mudanças. Mas deixa os cachorros pra lá.

Vou lá atrás pegar uma cerveja e dou de cara com Zezinho. Zezinho, que pra variar é tricolor coral, há 25 anos é porteiro do prédio. Nas horas vagas ele faz umas “ôias” pra garantir a bolacha dos meninos. Manto sagrado no corpo, tava dando uma de garçon.

“Zezinho, cabra bom! Tudo em paz?”

“Tudo. E o Santa Cruz?”

“Tá bom demais”

“E eles? Perdem hoje né?”

“Eles quem?”

“A coisa.”

“Claro, vão levar uma lapada”.

Peguei a gelada e saí perambulando pelo aniversário. Vez por outra via Zezinho tomando suas lapadinhas, afinal, torcedor do Santa Cruz, quando não bebe, ou tá doente, ou fez tratamento no AA.

Nas conversas sobre o Santa Cruz, Zezinho era a bola da vez. “Zezinho é uma onda, Cuca (irmão do aniversariante) sempre dá o ingresso pra ele ir pro jogo. Danado é que quando o Santa ganha, ele sai a pé, tomando uma em tudo que é barraca. Ele mora em Casa Amarela.”, disse Adriana. “Essa camisa oficial do Santa Cruz, os “meninos” daqui do prédio compraram e deram a ele de presente.”

Em outra investida minha, para pegar cerveja, Zezinho tava tomando uma lapada de Cavalo Branco, daquelas que a turma chama de cowboy.

“Eita Zezinho, tás entrando abaixadinho heim!?”

“E então, eu gosto é de cachaça”.

Não sei se ele já tava confundindo uísque com aguardente, ou se considera tudo uma coisa só.

“Zezinho, pega outra aí.”

“Queres Juliana ou Zeca Pagodinho?”

“Qual tá mais gelada?”

“Homi!!! A Juliana é mais gostosa.Conhece esse aqui?”

“Não. Tudo bom?”

“É meu filho.”

“Ele é Santa Cruz, né?”, perguntei pra puxar conversa.

“Oxe. E eu vou criar menino pra num ser Santa Cruz!? Lá em casa, é tudo do Santa.”

Na hora dos parabéns, Zezinho já tava pra lá de depois. Enquanto a mãe do aniversariante tentava acender a vela, Zezinho puxou: “Eu sou Santa Cruz, de corpo e alma, ….”

A pirralhada, animada toda, ficou batendo palmas e o canto foi geral: “… e serei sempre de coração, a cobrinha quando entra no gramado, eu fico todo arrepiado, torço com satisfação”.

“Peraí Zezinho, peraí. Deixa a gente cantar os parabéns”, disse alguém.

Ele respeitou, acompanhou até o “é pic, é pic”, e como se fosse um pout-pourri, não deixou nem a turma tomar fôlego: “tri, tricolor, tri, tri, tri, tri, tricolor”. E a massa acompanhou o maestro. Zezinho abriu o sorriso, vibrou como se fosse um gol do mais querido e tomou um gole de cerveja pra lavar.

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