Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 8 de junho de 2007

“Babões de Edinho” - Parte 1

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha.

Amigos corais,

Todos lembram de uma cena fantástica ocorrida comigo, há alguns meses. Eu estava no Bairro do Recife, quando um sujeito passou em seu carro de luxo, baixou o vidro elétrico, sentiu o bafo quente do Recife pela primeira vez no dia, baixou também o celular, e gritou para mim:

“Babão de Edinho!”

Pois bem. Com o passar do tempo, cada dia entendo mais a fúria do camarada, um jovem que torce pelo Santa como eu. Se eu tivesse alguma relação com a diretoria anterior,  e com o grupo que tomou conta da máquina administrativa do clube, eu estaria mesmo muito puto por ver outras pessoas no comando do Mais Querido. Mais que isso: pessoas honestas tomando conta do clube, uma camisa que mexe com a paixão e o cotidiano de milhares, milhões de pernambucanos e seres de outros planetas.

Então vai uma confissão: sou mesmo um babão de Edson Nogueira, o Edinho, e de todo o grupo que atualmente comanda o Santa Cruz Futebol Clube.

Tenho meus motivos.

Quando chegou a um jogo do Santa e vejo a multidão de sócios querendo renovar carteira, esperando pacientemente na fila pela vez, relembrando jogos importantes, sou um babão de Edinho;

Quando vejo torcedores alugando telão, fazendo feijoada, arrecadando dinheiro e entregando à diretoria, no dia seguinte (e vejo que o dinheiro foi usado no pagamento do salário de funcionários do clube), sou um babão de Edinho; 

Quando vejo o Santa jogando com raça, honrando o manto sagrado, seguindo uma determinação do presidente, dizendo que nosso time pode até perder, mas que perca jogando com raça, sou um babão de Edinho;

Quando vejo a sede do Santa tomada de torcedores, na piscina, nos bares dentro do clube, num frenesí de tomar seu clube de volta e vivê-lo no cotidiano, sou babão de Edinho;

Quando encontro meu amigo Inácio no Unicef, e ao final da tarde, vejo que ele se prepara para ir à “Reunião do Conselho”, em detrimento à sua natação, sou babão de Edinho;

Quando vejo Inácio no dia seguinte, e pergunto como foi a reunião do Conselho, e ele me responde “foi fraca, só tinha 50 pessoas”, vejo que sou mesmo babão de Edinho;

Quando vejo pessoas como Fred Arruda, nosso vice-presidente, sentado no cimento da arquibancada, admitindo humildemente os erros e prevendo acertos, sou babão de Edinho;

Quando sei que a torcida recuperou a auto-estima, quando vejo a camisa do Santa circulando nas ruas, o mais simples vendedor de picolé com o peito estufado por causa das três cores, sou mesmo um babão de Edinho;

Quando tiramos o cabaço da coisa e morgamos a festa de um campeonato que eles tanto aguardavam, sou babão de Edinho;

Tá bom por aqui. Daqui a pouco vão dizer que sou babão do Edinho, um sujeito cheio de defeitos, como, por exemplo, o de não gostar de música clássica.

Ouvi dizer que ele detesta Chopin.

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