Até quando?
Fernando Henrique Arruda, o FHA
por Fernando Henrique Arruda, servidor público federal
Não quero ser chamado de chato, falso tricolor, profeta do apocalipse etc etc. Antes de mais nada, esclareço que faço o que posso pra ajudar o Clube. Sou sócio em dia até o final do ano. Pedi a diversos tricolores que, como eu, antecipassem a anuidade como forma de ajudar o Mais Querido. Apesar de não ser conselheiro, empenhei-me e consegui vender 5 rifas do Gol 1000. Comprei o pacote de ingressos de toda a série B. Vou a todos os jogos e dou apoio incondicional ao time. Nunca vaiei o Santa Cruz. Quando quero protestar, deixo de ir a campo.
Mas, permitam-me os que de mim discordam, não posso ficar calado ao ver Charles Muniz tentar desempenhar o papel de técnico do Santa Cruz. Decididamente, essa não é a praia dele.
O jogo contra o Marília foi, sem dúvida, um exemplo cristalino do que estou dizendo. No primeiro tempo, o adversário levou perigo, principalmente, em bolas paradas. Bem ou mal, Fabiano Gadelha, o único jogador que realmente incomodava, quase não apareceu. No intervalo, Charles disse que o Santa Cruz teve sorte no primeiro tempo. Na verdade, sorte a gente teve porque ele ainda não havia mexido no time.
No segundo tempo, a sorte foi pro espaço. O que Charles fez? Inventou um atabalhoado 3-5-2 que deixou Fabiano Gadelha deitar e rolar. Aí, o jogo, que estava equilibrado, pendeu pro lado do Marília, que merecia até mais. Achando pouco, Muniz ainda tirou Cláudio pra colocar Tarrafas. Alguém entendeu o que ele fez?
Ao final do jogo, Charles Muniz disse que, na segunda etapa, o time melhorou e conseguiu corrigir os erros de marcação. O quê? O Santa Cruz foi melhor no segundo tempo de jogo? Será que ele viu o mesmo jogo que eu? Qual é a lógica desse técnico? O problema é esse: ele é preparador físico. Não é um técnico de verdade.
Neste ponto, peço uma reflexão. Uma coisa sobre a qual ninguém ainda falou foi sobre a motivação do elenco. Será mesmo que os jogadores sentem-se motivados em trabalhar com um profissional improvisado como técnico?
Eu, particularmente, já fui comandado por quem não tinha condições de chefiar equipe alguma e, confesso, detestei. Pra quem nunca passou por isso, fique sabendo que a experiência é amarga. É angustiante a tentativa de discutir trabalho com um improvisado chefe que não entende do riscado. Você se sente desrespeitado profissionalmente pela empresa em que trabalha.
Acredito que o Santa Cruz seja o único time das séries A e B do campeonato brasileiro que tenha improvisado no comando técnico do time um preparador físico. Não há como continuar aceitando uma situação dessas. Por maiores que sejam as dificuldades enfrentadas pelo Clube, urge contratar um técnico de verdade. Pode ser qualquer um, desde que seja um especialista no assunto. Só isso!
Não precisamos trazer um renomado treinador que traga consigo uma enorme comissão técnica e peça, logo de cara, a contratação de um caminhão de jogadores. Pelo contrário. Contribuindo com a linha adotada por Edinho de valorizar profissionais da região, pode-se pensar em alguém como Peu Santos, por exemplo. E por que não? Técnico barato, Peu fez um bom trabalho no Estadual deste ano. Quando assumiu, mudou completamente a postura do modesto Vera Cruz, fazendo-o inclusive ficar à frente do nosso glorioso Santa Cruz.
O campeonato brasileiro é longo, mas não há mais tempo a perder. Passadas 5 rodadas, vejam a nossa situação. No Arruda, o apoio da massa tem feito o time ir pra cima e com isso conseguimos ganhar os 2 jogos que aqui tivemos. Entretanto, nem sempre isso será possível, pois não é incomum perder alguns pontos mesmo jogando em casa. Mas lá fora é que temos visto o prejuízo que a falta de um técnico de verdade pode nos acarretar. Sem um comandante capaz de fazer uma correta leitura de jogo, fica difícil conseguir bons resultados jogando longe da torcida.
Por fim, gostaria de solicitar à diretoria do Clube, em geral, e ao meu amigo Fred Arruda, em particular, que conversem com o presidente Edinho e o demovam dessa teimosia de manter Charles Muniz como técnico. Peçam-lhe que demonstre grandeza de espírito ao escutar os anseios de boa parte da torcida coral.









