Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 16 de junho de 2007

Desvio de função (ou o estranho caso dos zagueiros mumificados)

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Dudu e Adriano: futebol de fazer inveja ao velho Tutâncamon

por Inácio França

Edinho apelou durante a semana, quase desesperado com todos problemas do clube com a Justiça do Trabalho. Ele está coberto de razão, os direitos trabalhistas foram solenemente ignorados nas Repúblicas Independentes do Arruda. O assunto foi empurrado com a barriga, até estourar nas mãos da atual diretoria.

Como o assunto “Direito Trabalhista” está na agenda da semana, nosso dedicado presidente poderia aproveitar mais um problema dessa natureza: Charles Muniz vive um notório caso de desvio de função, pois, apesar de ser preparador físico, o sujeito está desempenhando as funções de treinador. Isso pode gerar problemas mais adiante, caso ele também decida recorrer à Justiça.

A oportunidade é excelente para devolver Charles às suas funções e contratar um técnico de verdade, principalmente porque ele começa a extrapolar. Essa semana, além de técnico, resolveu se arriscar como arqueólogo.

Isso mesmo: arqueólogo.

Provavelmente influenciado por algum filme B, Charles pôs na cabeça que era fácil trazer as múmias de volta à vida como num passe de mágica. Botou Adriano e Dudu para jogar.

O processo de mumificação do primeiro já havia sido concluído e o segundo estava quase lá, quando o dublê de arqueólogo e treinador anunciou a dupla de zaga contra o São Caetano.

O resultado não poderia ser outro (poderia ser outro sim, poderia ser uma derrota). Desacostumados com a umidade, o vento e os ruídos da vida ao ar livre, os dois zagueiros tiveram que se movimentar. Por isso, se atrapalharam, cometeram erros bizarros (em geral, filmes de múmia são cheios de cenas bizarras como aquelas protagonizadas por Dudu e Adriano).

Curiosamente, o clima de Egito Antigo contaminou o meio-de-campo e o ataque. Quando o time estava com a bola, nossos meias e atacantes pareciam parados no tempo, mais ou menos na época de Ramsés II. Talvez a Comissão Técnica deva abandonar a leitura sobre as dinastias dos faraós e treinar movimentação, posicionamento, essas coisinhas banais do futebol.

Já no finalzinho, um sopro de lucidez varreu um pouco da poeira milenar que paralisa o espírito de Charles Muniz: ele entendeu que, já o time joga o tempo todo com volantes inúteis, seria melhor tirar os dois e ponto final. Afinal, deve ter pensando ele, se César Baiano e Amaral não marcam, não protegem a zaga e não sabem sair jogando, por que mantê-los em campo?

Os sete míseros pontos obtidos em seis rodadas traduzem o que se vê em campo: o time está involuindo. Depois de um início ruim contra o Ipatinga, duas partidas animadoras em casa, seguidas de uma derrota com futebol vibrante no Ceará. Aí, uma partida medíocre contra o Marília e o quase-vexame de ontem.

A programação da Comissão Técnica já nos levou ao tempo dos faraós. O problema é que, nesse ritmo, em breve o futebol coral chegará ao período jurássico, com o Santinha fazendo papel de comida de dinossauro.
P.S - para ninguém me acusar de preconceito contra os jogadores trintões, como Dudu e Adriano, esclareço que sou pouco mais velho que os dois zagueiros, mas bato uma peladinha todo domingo de manhã. Há meses que a dupla não fazia nem isso.

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