Essa torcida do Santa…
Por Samarone Lima
Amigos corais, continuo minha peregrinação nas ruas do Recife, à procura dos personagens da semana para nosso Blog do Santinha. Semana passada foi Biró, do Alto José do Pinho.
Hoje é Eliete, a única cabeleireira do Recife que sabe o que fazer com meus cabelos.
Estava em sua nova casa/salão, no Alto José do Pinho, comecei a elogiar a decoração, tudo muito bonito, até que meus olhos esbarraram numa pequena bandeira da coisa.
“Eliete, o que é aquilo, pelo amor de Deus, numa casa tão linda?”
“Ah, foi meu filho quem colocou, professor, pode tirar. O senhor sabe que sou tricolor”.
Ela só me chama de “professor”.
Fui lá, e “zapt”, dei um peteleco na bandeirola, que caiu detrás da estante, e ali vai ficar até o final dos tempos.
A casa voltou a ficar linda.
Perguntei a Eliete quando começou a paixão pelo Santa.
“Foi quando eu vim de Nazaré da Mata, com cinco anos. Lembro que foi a primeira palavra que escutei no Recife”.
“Qual?”
“Tricolor. Achei aquela palavra linda”.
Então ela detalhou. Chegou ao Recife, veio para morar, e encontrou um tio, que morava no Alto José do Pinho. O tio falou com a menina de cinco anos, depois olhou-a com aquele brilho metafísico de esperança, e disse:
“Eu vou escutar agora o jogo do Santa Cruz no rádio. O Santa é o tricolor”.
Ela gravou aquilo, achou lindo o tio tão radiante, por causa do seu clube, e assim ficou.
Já são cinquenta anos de paixão.
Essa torcida do Santa me mata.
48 comentários







