Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Julho de 2007

Eu sou um cara Internacional

Por Gerrá Lima

Ainda um pouco de ressaca do final de semana, só hoje mandei esse escrito para a editoria do Blog do Santinha.

Pois bem, mesmo com toda descrença e desconfiança, sábado não podia ser diferente, uma mistura de angústia e ansiedade, leitura de caderno esportivo, acesso aos blogs. Sempre me bate um nervoso quando vai ter jogo do Santa Cruz.

O dia começou cedo. O meu despertador Mariá, tocou por volta das 5h45 da madruga. E como já é de costume, a primeira dama sai pra caminhar e eu cuido da herdeira. O período da manhã foi de um olho nas broncas e outro no relógio. E aí, depois das 11h, começa a agonia. Eduardo, o chaves, telefona. Chego em casa, tá o invocado e folgado do Chiló, almoçando com a minha sogra. Daqui a pouco é João Valadares ligando. Como estou de morada em Setúbal, um bairro cheio de barbies e leoas, e a noite tinha o casamento de Rochinha(Manoel Valença), não dava pra sair para muito longe.

Ligo pra Beto Miranda, que mora pro aquelas bandas.

“E aí tricolor, vai ver o jogo aonde?”

“Fala Gerrá. Vou ver na padaria. Bora?”

Nessa hora pensei, o cara ir ver um jogo numa padaria, ou tem algo muito especial ou é pantim de torcedor.

“Rapaz vou não. Vai lá.”, disse a Beto.

Afinal, não ía atrapalhar a superstição do nobre torcedor, depois dava azar pro Santinha e o remorso bateria com certeza. Lembrei de Fabiana.

“Ei Fabiana, tu vai ver o jogo aonde?”

“Gerrá, aqui do lado. No lava-jato.”

Pqp, eita lugarzinho eu estou morando. Não fui pra uma padaria, mas fui para um lava-jato. Aqui pra nós, ver jogo em lava-jato é negócio pra barbie. Mas, pra ver jogo do Santa, o sujeito vai até pra vitrine de loja.

O jogo começa, eu e Fabiana estamos lá. Daqui a pouco chega Beto e Gentil.

“Oxente, tu não ía pra padaria?”

“A gente foi, mas tá passando o jogo de basquete do Brasil”.

Chega também o pai de Fabiana, Seu James. Pense num coroa pra tomar uma. O único defeito é que é barbie.

“Fabiana, teu pai aqui vai dar um azar arretado”, chamei atenção.

“Nada, ele torce pelo Santa Cruz.”, disse ela pra agradar.

“E aí Seu James, o seu time ganha hoje”, fiz o social.

“Rapaz, não sei. Estou meio desconfiado. Botaram um trio da América do Norte pra apitar”, disse James.

Só depois de um tempo, entendi que ele tava querendo dizer que o juiz era do Rio Grande de Norte e que ía roubar pro Santos para ajudar ao América. Acho q o álcool já tava fazendo efeito em Seu James.

Ficamos lá torcendo, tomando cerveja e papeando. Enquanto a bola rolou, futebol foi o tema. Depois, Beto começou a falar de suas andanças pelo estrangeiro.

“Rapaz, o estádio de Guyaquil, lá no Equador, bota qualquer um daqui no bolso. O negócio lá é organizado. E olhe que eu conheço muita coisa por aí afora”.

“Tu moraria lá?”, perguntei.

“O que? Na hora”.

Gentil falou maravilhas do Chile. “Ali é a Europa”. Pelo visto, ele deve conhecer aquele mundo.

“O Chile é primeiro mundo!”, ressaltou Beto.

“E cambista Beto? Tem lá em Guayaquil?”, saí com essa pérola.

“Cambista tem até em Londres!”, falou Gentil.

Os caras realmente são internacionais, pensei. Pedimos a conta.

Fui pro casamento de Rochinha, tomei uns Johnies, gritei Tri-Tricolor e defendi Edinho na mesa.

No domingo a noite, não sei porque, assim como Beto e Gentil, estava me sentindo um cara Internacional.

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“Ainda vão matar um papudinho desses”

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha.

Estava no Alto José do Pinho tomando uma cerveja e conversando água, com minha amiga Eliete, quando entrou uma senhora baixinha, meio encurvada, meio negra, com um pano amarrado à cabeça.

“Isso do Pan dos Papudinhos ainda vai terminar em morte, Eliete, ainda vai terminar em morte”.

Saí da minha letargia clássica e peguei logo minha Bic preta. Aqui tem uma crônica boa, foi o que pensei.

Ela disse que tinha acabado de acontecer a corrida do “Pan dos Papudinhos”, disse o nome do ganhador, mas o fundamental mesmo era a preocupação dela com o resultado da iniciativa.

“Isso vai terminar em morte”.

A distinta, que entrou no salão para saber quanto custava uma massagem, detalhou a competição. Os principais papudinhos da região (Alto José do Pinho, Bomba do Hemetério, Alto Santa Terezinha), se reúnem, abrem inscrição, mandam fazer camisa, até que realizam uma corrida. Só podem concorrer aquelas pessoas que estão mais pra lá do que pra cá, por conta do excesso de cana.

A corrida de ontem saiu do Skylab (não sei se é assim que se escreve, porque faz muito tempo que não se fala dele), no final do Alto José do Pinho, e terminou na “Rua do Rio”, que desconheço a localização.

O ganhador da peleja levou para casa três grades de Pitú.

“Ainda vão matar um papudinho desses”, repetiu, antes de citar um problema existencial com sua TV.

“Está desligando sozinha, aquela desgraça. Tem hora que dá vontade de jogar uma pedra nela”.

Depois, a criatura foi embora.

Algumas horas depois, a coisa levou um 5 x 1 do Internacional, e tomei umas boas doses, a título de comemoração.

Ps. Gostei do Santinha no sábado. O time está se arrumando.

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Desabafo de Arnildo Ananias de Oliveira

Sem querer me comportar como “espírito de porco”, peço humildemente licença a todos pra dizer que AINDA ACREDITO.

Dentre as contratações aparentemente sem sentido (um caminhão de velhos), não acho que foi um erro termos contratado o Kuki. Pode dar certo. Chegou ao Clube sem prestar juras de amor, sem beijar nosso escudo sagrado, dizendo-se mui grato ao seu ex-clube, bem diferente de uma pessoa que há pouco tempo era nosso ídolo e, ao transferir-se lá pras banda do mangue, até incitou a torcida do nosso rival a invadir nosso campo de jogo (quem não se lembra, “do jogo do cabaço”?). Futebol sabe-se que o mesmo ainda tem e sua idade é a mesma de Marcelo Ramos (quisera que nosso time tivesse 11 Marcelos Ramos).

Também há muita precipitação em relação ao técnico. Quanto ao seu caráter não me diz respeito, pois, como diria o finado João Saldanha, também não o quero pra casar com minha filha. Nunca pedi a saída de Muniz por acreditar que técnico bom é aquele que não atrapalha (inclusive votei no Fito Neves na enquete realizada), mas, já que isso foi feito, temos que esperar, pelo menos, mais umas duas ou três partidas pra se ter uma posição mais firme a respeito do mesmo.

Se a alegação é que não temos mais esse tempo, mais uma razão pra não se fazer mais uma mudança de comando técnico à essas alturas foi teríamos que esperar, novamente, mais 5 ou 6 rodadas. Afinal de contas, o Mauro Fernandes não tem currículo de perdedor.

Esperemos pra ver como se comporta o time com as presenças do Kuki e do Jonhnson, do Nildo na sua real função no time, bem como com uma zaga melhor estruturada e posicionada, além da entrada de volantes de verdade no time.

Quem é mais velho sabe da estrepitosa vaia que o Maracanã “presenteou” o Julinho (extrema direito do Palmeiras) a se atrever a tomar a posição de um tal de Mané Garrincha, ao adentrar o estádio na ponta-direita do selecionado Nacional. Pouco depois se ouviu um uníssono aplauso de todo o Maracanã ao mesmo em face de sua exuberante atuação (“A mão que afaga é a mesma que apedreja”).

Acho legítima toda essa manifestação de protesto da parte de pessoas reconhecidamente tricolores que fazem esse blog, entretanto, não vamos exacerbar pois é prudente que aguardemos mais um pouco.

Se o inferno realmentes e materializar saibam todos que o primeiro a se deprimir serei eu.

E, antes que alguém me taxe de fdp digo que não sou e que respeito é bom e eu gosto pois minha querida e insubstituível mãe faleceu recentemente. Também não tenho procuração pra defender Edinho nem quem quer que seja, pois meu único compromisso é com o futuro do nosso querido Santa Cruz Futebol Clube.

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