Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 5 de julho de 2007

Carta ao pequeno Tom

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Tom está quase confirmado para estrear no próximo sábado

Meu sobrinho,

chegou o grande dia. Esperei um jogo à tarde porque é mais tranqüilo para levá-lo. Tudo é mais visível. Vamos ao Arruda no sábado. Prometo que você vai ao melhor programa da sua vida nesses seus três anos e pouco. Vou apresentá-lo ao povo. Passo na sua casa às 14h30. Já combinei tudo com sua mãe. Meias, calção e camisa do tricolor. Às 14h30, esteja devidamente uniformizado. Vestido de emoção. A bandeira eu compro lá na hora mesmo. Tamanho médio para você não se atrapalhar.

Você vai conhecer um novo mundo. Um mundo sincero, imenso. Um planeta diferente. Em três cores. Um lugar de pobres e honestos torcedores. Paixão até onde sua vista alcançar. Você vai presenciar uma legião de abnegados e sorridentes. Gente que deixa de fazer tudo para acompanhar o jogo do nosso time. Muitos não têm emprego. Batalham por ele, levam uma vida dura. Mas dão um jeito de arrumar um trocado e comprar o ingresso. Você vai perceber que não gostamos tanto assim de futebol. Gostamos mesmo é do Santa Cruz.

Não se espante com o tamanho do Arruda. É grande mesmo. Prometo não largar a sua mão, principalmente na hora em que o Mais Querido estufar a rede adversária. Tricolor não se perde no Arruda. Lá, ele se encontra. Pode ficar tranqüilo, você não vai se perder. As torcidas adversárias costumam levar uma bússola. Nós não precisamos.

Sábado, você vai saber porque seu tio é louco pelo Recife. Não é pelos rios e nem pelas belas pontes. É simplesmente porque o Santa Cruz, o clube da multidão, mora no Recife. O santinha, como chamamos o nosso clube, mora num coração encarnado, preto e branco. Um coração maior até do que a nossa cidade. Maior do que tudo que você olha de sua varanda. Maior do que o infinito. Eu juro.

Pensei em levá-lo para as cadeiras por se tratar do primeiro jogo. Mas, desisti. Vamos ao cimento da arquibancada. Lá, é onde a paixão se senta. Onde milhares de corações se apertam para assistir aos jogos. Lá, é onde os palavrões são mais sinceros. Na arquibancada do Arruda, você vai entender o que é fazer amizade na hora do gol. Vamos abraçar desconhecidos e conversar com os melhores amigos.

Vou colocá-lo nos ombros. Você pode perder alguns lances. É assim mesmo. Não se assuste com o barulho da torcida e nem com os fogos na entrada do time. O espetáculo é grandioso. São berros de alegria. De desespero também. Vou te mostrar um trio de forró que anima a torcida. É a Sanfona Coral. Juro que ela vai (!?!?!). Vou mostrar a você a maior bandeira do mundo. Ela engole quase toda a arquibancada. Nesta hora, o tio vai explicar que aquela bandeira só pode ser aberta no Estádio do Arruda e, talvez, no Maracanã. Antes que você pergunte, vou dizer que ela só cabe lá. É do tamanho da torcida. Enorme.

Na hora do jogo, vamos bater palma bem forte e gritar tri tricolor tri tri tri tri tricolor. Vamos dividir um rádio de pilha e rezar um pouco. Entre um lance e outro, compro guaraná, queijo assado e cachorro quente. Não se espante com o meu nervosismo. Prometo me controlar. No gol, você vai pular sem sentir e apreender o sentido de duas novas palavras para o seu vocabulário: Santa Cruz. No fim do jogo, sua bandeira vai tremular. Vamos voltar cantando. Quando chegar em casa, conte aos seus pais o que é ser tricolor do Arruda.

do seu tio, João Valadares

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