Eu sou um cara Internacional
Por Gerrá Lima
Ainda um pouco de ressaca do final de semana, só hoje mandei esse escrito para a editoria do Blog do Santinha.
Pois bem, mesmo com toda descrença e desconfiança, sábado não podia ser diferente, uma mistura de angústia e ansiedade, leitura de caderno esportivo, acesso aos blogs. Sempre me bate um nervoso quando vai ter jogo do Santa Cruz.
O dia começou cedo. O meu despertador Mariá, tocou por volta das 5h45 da madruga. E como já é de costume, a primeira dama sai pra caminhar e eu cuido da herdeira. O período da manhã foi de um olho nas broncas e outro no relógio. E aí, depois das 11h, começa a agonia. Eduardo, o chaves, telefona. Chego em casa, tá o invocado e folgado do Chiló, almoçando com a minha sogra. Daqui a pouco é João Valadares ligando. Como estou de morada em Setúbal, um bairro cheio de barbies e leoas, e a noite tinha o casamento de Rochinha(Manoel Valença), não dava pra sair para muito longe.
Ligo pra Beto Miranda, que mora pro aquelas bandas.
“E aí tricolor, vai ver o jogo aonde?”
“Fala Gerrá. Vou ver na padaria. Bora?”
Nessa hora pensei, o cara ir ver um jogo numa padaria, ou tem algo muito especial ou é pantim de torcedor.
“Rapaz vou não. Vai lá.”, disse a Beto.
Afinal, não ía atrapalhar a superstição do nobre torcedor, depois dava azar pro Santinha e o remorso bateria com certeza. Lembrei de Fabiana.
“Ei Fabiana, tu vai ver o jogo aonde?”
“Gerrá, aqui do lado. No lava-jato.”
Pqp, eita lugarzinho eu estou morando. Não fui pra uma padaria, mas fui para um lava-jato. Aqui pra nós, ver jogo em lava-jato é negócio pra barbie. Mas, pra ver jogo do Santa, o sujeito vai até pra vitrine de loja.
O jogo começa, eu e Fabiana estamos lá. Daqui a pouco chega Beto e Gentil.
“Oxente, tu não ía pra padaria?”
“A gente foi, mas tá passando o jogo de basquete do Brasil”.
Chega também o pai de Fabiana, Seu James. Pense num coroa pra tomar uma. O único defeito é que é barbie.
“Fabiana, teu pai aqui vai dar um azar arretado”, chamei atenção.
“Nada, ele torce pelo Santa Cruz.”, disse ela pra agradar.
“E aí Seu James, o seu time ganha hoje”, fiz o social.
“Rapaz, não sei. Estou meio desconfiado. Botaram um trio da América do Norte pra apitar”, disse James.
Só depois de um tempo, entendi que ele tava querendo dizer que o juiz era do Rio Grande de Norte e que ía roubar pro Santos para ajudar ao América. Acho q o álcool já tava fazendo efeito em Seu James.
Ficamos lá torcendo, tomando cerveja e papeando. Enquanto a bola rolou, futebol foi o tema. Depois, Beto começou a falar de suas andanças pelo estrangeiro.
“Rapaz, o estádio de Guyaquil, lá no Equador, bota qualquer um daqui no bolso. O negócio lá é organizado. E olhe que eu conheço muita coisa por aí afora”.
“Tu moraria lá?”, perguntei.
“O que? Na hora”.
Gentil falou maravilhas do Chile. “Ali é a Europa”. Pelo visto, ele deve conhecer aquele mundo.
“O Chile é primeiro mundo!”, ressaltou Beto.
“E cambista Beto? Tem lá em Guayaquil?”, saí com essa pérola.
“Cambista tem até em Londres!”, falou Gentil.
Os caras realmente são internacionais, pensei. Pedimos a conta.
Fui pro casamento de Rochinha, tomei uns Johnies, gritei Tri-Tricolor e defendi Edinho na mesa.
No domingo a noite, não sei porque, assim como Beto e Gentil, estava me sentindo um cara Internacional.
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