Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 31 de julho de 2007

Eu sou um cara Internacional

Por Gerrá Lima

Ainda um pouco de ressaca do final de semana, só hoje mandei esse escrito para a editoria do Blog do Santinha.

Pois bem, mesmo com toda descrença e desconfiança, sábado não podia ser diferente, uma mistura de angústia e ansiedade, leitura de caderno esportivo, acesso aos blogs. Sempre me bate um nervoso quando vai ter jogo do Santa Cruz.

O dia começou cedo. O meu despertador Mariá, tocou por volta das 5h45 da madruga. E como já é de costume, a primeira dama sai pra caminhar e eu cuido da herdeira. O período da manhã foi de um olho nas broncas e outro no relógio. E aí, depois das 11h, começa a agonia. Eduardo, o chaves, telefona. Chego em casa, tá o invocado e folgado do Chiló, almoçando com a minha sogra. Daqui a pouco é João Valadares ligando. Como estou de morada em Setúbal, um bairro cheio de barbies e leoas, e a noite tinha o casamento de Rochinha(Manoel Valença), não dava pra sair para muito longe.

Ligo pra Beto Miranda, que mora pro aquelas bandas.

“E aí tricolor, vai ver o jogo aonde?”

“Fala Gerrá. Vou ver na padaria. Bora?”

Nessa hora pensei, o cara ir ver um jogo numa padaria, ou tem algo muito especial ou é pantim de torcedor.

“Rapaz vou não. Vai lá.”, disse a Beto.

Afinal, não ía atrapalhar a superstição do nobre torcedor, depois dava azar pro Santinha e o remorso bateria com certeza. Lembrei de Fabiana.

“Ei Fabiana, tu vai ver o jogo aonde?”

“Gerrá, aqui do lado. No lava-jato.”

Pqp, eita lugarzinho eu estou morando. Não fui pra uma padaria, mas fui para um lava-jato. Aqui pra nós, ver jogo em lava-jato é negócio pra barbie. Mas, pra ver jogo do Santa, o sujeito vai até pra vitrine de loja.

O jogo começa, eu e Fabiana estamos lá. Daqui a pouco chega Beto e Gentil.

“Oxente, tu não ía pra padaria?”

“A gente foi, mas tá passando o jogo de basquete do Brasil”.

Chega também o pai de Fabiana, Seu James. Pense num coroa pra tomar uma. O único defeito é que é barbie.

“Fabiana, teu pai aqui vai dar um azar arretado”, chamei atenção.

“Nada, ele torce pelo Santa Cruz.”, disse ela pra agradar.

“E aí Seu James, o seu time ganha hoje”, fiz o social.

“Rapaz, não sei. Estou meio desconfiado. Botaram um trio da América do Norte pra apitar”, disse James.

Só depois de um tempo, entendi que ele tava querendo dizer que o juiz era do Rio Grande de Norte e que ía roubar pro Santos para ajudar ao América. Acho q o álcool já tava fazendo efeito em Seu James.

Ficamos lá torcendo, tomando cerveja e papeando. Enquanto a bola rolou, futebol foi o tema. Depois, Beto começou a falar de suas andanças pelo estrangeiro.

“Rapaz, o estádio de Guyaquil, lá no Equador, bota qualquer um daqui no bolso. O negócio lá é organizado. E olhe que eu conheço muita coisa por aí afora”.

“Tu moraria lá?”, perguntei.

“O que? Na hora”.

Gentil falou maravilhas do Chile. “Ali é a Europa”. Pelo visto, ele deve conhecer aquele mundo.

“O Chile é primeiro mundo!”, ressaltou Beto.

“E cambista Beto? Tem lá em Guayaquil?”, saí com essa pérola.

“Cambista tem até em Londres!”, falou Gentil.

Os caras realmente são internacionais, pensei. Pedimos a conta.

Fui pro casamento de Rochinha, tomei uns Johnies, gritei Tri-Tricolor e defendi Edinho na mesa.

No domingo a noite, não sei porque, assim como Beto e Gentil, estava me sentindo um cara Internacional.

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