O caos aéreo e coral
Por Coronel Peçonha
Estamos vivendo o chamado caos aéreo. Não é de agora, mas atualmente todas as mazelas acumuladas estão aparecendo. O ápice dessa loucura foi o acidente do avião da TAM, que, desgovernado no pouso, saiu da pista e chocou-se com um prédio da própria TAM (!). Mais de 200 mortos.
A TAM era uma empresa que oferecia vôos regionais, mas com pujante administração e um presidente (Comandante Rolim) que sabia prestar serviços (tapete vermelho, receber os usuários na porta do avião, etc), pulou para ser uma das maiores - senão a maior - empresa de aviação do país.
Mas o Comandante Rolim morreu em um acidente de helicóptero e parece que, com essa morte, a sina da TAM para envolver-se em acidentes e agruras teve início e atingiu o cume em julho deste ano, no acidente que mais se fala na imprensa.
Nós - sei lá quando - perdemos nosso comandante em um acidente de helicóptero e estamos sendo a TAM do futebol!
No final da década de 60, firmamos nosso nome no cenário nacional. Éramos o Terror do Nordeste, o time que não disputou finais do Brasileirão por conta de “detalhes” bastante estranhos. Nunes e Givanildo usavam nossa camisa quando foram para a Seleção Brasileira. O Fita Azul do Brasil.
Porém, há cerca de duas décadas somos apenas um arremedo de um grande time do passado. Não vamos nos enganar. Espoliaram o clube, os bons se omitiram e a conquista de alguns estaduais, alguns de forma espetacular, cobria a verdade, o câncer que se espalhava em metástase no Arruda.
Em 1999, tivemos um milagre; em 2005, outro. Mas os santos cansaram do Santa. Para que tanto esforço, se o passeio pela Primeira Divisão é mais tortuoso do que tudo?, devem pensar os anjos que sempre tiveram muito trabalho no Santa Cruz.
Ontem, para mim, nosso avião perdeu-se no pouso e chocou-se contra a alma do torcedor do Santa Cruz. Perder de 6×0 não é nem novidade nessa Segundona, alguns outros times já levaram igual goleada; perder fora de casa para um time que tinha, na partida anterior, enfiado 5×1 no ipatinga, também não seria demérito; afinal, NUNCA ganhamos da ponte preta e o tabu foi mantido.
O que doeu e dói é olhar para o céu e ver que estava chovendo, que a pista não tinha ranhuras, que o avião estava com defeito, que estava com excesso de peso, com excesso de bagagem, com excesso de combustível, que aquele aeroporto estava sendo usado além de sua capacidade, que edifícios construídos ao redor do aeroporto tornaram ainda mais arriscado os pousos e decolagens, que a empresa aérea já tinha se envolvido em outros acidentes, etc, ou seja, a tragédia era anunciada.
Não quero mais tratar de gestões anteriores, todas elas, que efetivamente contribuíram para um caos administrativo que deságua no futebol. Não adianta. O futebol romântico acabou e nós não conseguimos vislumbrar isso de forma concreta.
A administração do clube, tenho certeza, caminha para um futuro melhor, até por não se fazer pior do que antes era feito.
Mas no futebol…
Estamos repetindo erros crassos e infantis do passado, passado até recente, com centralizações inexplicáveis, contratações espantosas e equivocadas, desprezo da prata da casa (a que ainda estiver) e aposta em melhora em um futuro que não chega. BASTA!
A Presidência do Santa Cruz, a sua Diretoria e o Conselho devem se reunir ainda esta semana e tomar todas as providências necessárias a salvar a empresa. Sim o “avião” da classificação já perdemos (salvo milagre), mas não podemos jogar no lixo o resto de honra que resta ao Santa Cruz Futebol Clube, com a queda para a Terceira Divisão.
bahia e guarani, campeões brasileiros, paysandu (com grandes passagens pela 1ª Divisão e título da Copa dos Campeões), apenas para citar os que me lembro, são times considerados grandes que estão no inferno da Terceiro na e de lá este ano não saem. O inferno existe. Sem muito esforço, cadê csa, união são joão, bragantino, américa/MG, abc de Natal e outras tantas forças do futebol? Por que sumiram? Clubes acabam, senhores, e esse é o meu maior medo.
Varig, Cruzeiro, Transbrasil, Pan Air, etc, também foram grandes no que faziam. E sumiram.
O tempo urge e a urgência é para agora. Não vamos insistir nos erros ululantes que todos vêem.
O Santa Cruz é minha pátria.
P.S.: Nesse contexto todo, cabe a Edinho encarar o acidente da goleada como a prova indiscutível do erro da sua escolha. Ser humilde e abrir as portas para as sugestões. Ainda há tempo.
Uma dica: Pode ser até que, diretamente, o nosso presidente não tenha tido culpa. Podem ter sido falhas individuais de jogadores. Pode ter sido falha na arbitragem, sei lá. Só não faça como o Presidente Lula, que, omitindo-se (ah, o pecado da omissão), deixou que a imprensa já escolhesse os culpados e as responsabilidades. EDINHO, seja proativo, gere notícias positivas, tome as medidas necessárias, inclusive a escolha de um novo técnico, pois o atual já provou que não sabe decolar - apenas gerar acidentes.
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