O tempo não pára

Dimas Lins - Transmissão simultânea com o Torcedor Coral
Eu não dou sorte mesmo. Parece que sempre sobra para mim escrever sobre uma partida quando o Santa joga mal. Aliás, pondero melhor e vejo que não é nada disso. Na verdade, contam-se nos dedos as boas partidas que o time fez na temporada. De certo, os demais cronistas do blog também têm carregado esse fardo.
E bate novamente aquele cansaço de ser repetitivo e dizer que o time não foi bem, que não ganha de ninguém fora de casa, que já se acostumou a ficar na zona do rebaixamento, que Marquinhos Caruaru morreu e não sabe, que Carlinhos Paraíba faz falta como 3º volante, que Carlinhos, o lateral, é ruim que dói, que faltam meias, que temos jogadores demais e qualidade de menos, que o time não tem criatividade e todas essas coisas que qualquer tricolor já está cansado de saber. Que coisa mais chata essa de ter de falar da mesma coisa ruim de sempre. Ficou sem graça. Aliás, nunca teve graça.
Num jogo em que até Hugo cometeu falhas, não há mesmo o que falar. Os jogadores parecem entrar em campo derrotados e acabam perdendo mesmo a partida. Se compararmos as suas entrevistas, antes e depois do jogo, veremos algo do tipo “já está na hora de ganhar uma fora de casa” e “nossa equipe não se encontrou em campo”. Nunca se encontra. A nossa sorte, se é que se pode falar em sorte numa derrota, é que o Coritiba não soube aproveitar a falha de marcação da equipe coral, que sempre deixa um jogador adversário livre, para entrar na cara do gol com bola e tudo.
Como diz Perrusi, a realidade é lutar contra o rebaixamento. Nada mais, nada menos. E é por isso, que nesta fase de jogos de volta, o coração vai bater ainda mais acelerado. A preocupação será real e o temor da Série C, pelo visto, estará presente em todas as partidas. Matemáticos apresentarão fórmulas estatísticas sofisticadas sobre as chances de evitar o rebaixamento, pais de santos farão seus despachos e astrólogos dirão que sete astros se alinharão em escorpião, como só no dia da bomba de Hiroshima.
O desapontamento é que o time é capaz de fazer um pouco mais. Mostrou isso em alguns jogos. Pena que seu único combustível seja a torcida. Longe dela, a equipe é incapaz até mesmo de jogar com vontade. Saem jogadores, entram zumbis.
Este ano, estamos vivendo de dores e oratórios e de cabeças de alho mergulhadas em copo d’água nos dias de treino. De futebol que é bom, nada. O futebol já não nos dá prazer. Já não nos alegra mais.
Esse time não merece a torcida que tem. Temos a maior média de público da Série B e a maior e mais apaixonada torcida. Tudo isso para ver e apoiar um time pífio, de pouco valor.
Enquanto isso, o tempo não pára. O fim do campeonato está logo ali e a porta da terceira divisão também. Convém, ao menos, mantê-la fechada.
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