Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 22 de agosto de 2007

Quando Emerson Neto fizer vinte anos

Fotos: Anizio Silva e Robson Sena
Criançada Tricolor

Por Coronel Peçonha

Vocês conhecem Emerson Neto? Provavelmente ainda não. Ele nasce até setembro e é filho do grande chapa e radialista Marcelo Araújo e da sua Gilmara, a qual, mesmo com o barrigão de véspera de parto, fez questão de acompanhar o marido e também prestigiar a festa de sexta-feira passada. O casal deu show no salão!

André Tricolor Virtual foi com a esposa e sua filha de três anos de idade para a festa, sendo de ressaltar que a menina mostrou uma disposição incrível no salão.

Tinha uma senhora bastante idosa - parece que é verdade - nascida em 1914; dançou como se fosse uma criança.

Uma mulher no nono mês de gestação, uma criança de três anos de idade e uma senhora com a idade do Santinha: elas foram e abrilhantaram o baile.

E Emerson Neto, o que tem a ver? E o Santinha?

Em 2027, o Santa Cruz já terá dois títulos brasileiros da Série A, uma Libertadores e até um título mundial, sendo o primeiro clube do norte-nordeste a obtê-lo. A Arena Coral será referência para outros projetos similares, o CT se tornará uma fábrica de novos talentos, noivos utilizarão o Arruda para tirar fotografias do álbum de casamento (tal qual ocorre no Coliseu, em Roma), haverá lojas especializadas em produtos do Santa Cruz espalhadas por todo o Brasil, etc, etc, etc. Emerson Neto será um orgulhoso torcedor santacruzense e já estará trabalhando nas Comunicações Santa Cruz, um conglomerado que envolverá rádio, Internet e um canal de televisão interativa exclusivo do clube, comandado por Marcelo Araújo, o maior empresário do ramo de comunicações do país.

Para mim, algo realizável sim, mas não pensem que esse futuro virá apenas da vontade dos torcedores, tampouco será concretizado em um passe de mágica. Tempo, trabalho e participação, senhores. Todos sabemos o futuro que virá se ficarmos parados e apenas reclamando.

Não quero tratar aqui de como a diretoria pode ou deve fazer, quem e como contratar esse ou aquele jogador, estou clamando é para que se fortaleça esse movimento que noto estar tomando corpo dentro do Santa Cruz: a participação de todos os torcedores, e foi por isso que elegemos a atual diretoria.

Quero chamar a atenção para a necessidade de todos nós começarmos a freqüentar o clube de maneira sistemática, no sentido de o clube ser o local onde todos nós possamos ter como verdadeira - e até a melhor - alternativa para tomar uma cerveja, jogar uma sinuca, encontrar os amigos, levar os filhos, ir a festas, etc.

Desculpe a pretensão, não pretendo exaurir todas as possibilidades, mas acho que AGORA devemos ter a consciência que (eu digo a todos, porque também quero escutar):

1) Campanha da Celpe: Milton Santos Jr já alertou com exatidão sobre a importância de cada um trazer cinco, dez, vinte novos contribuintes. Até aquela tia idosa vai poder cooperar, sem medo. Dez mil adesões implicarão dez mil reais, em um clube que hoje clama por muito menos para despesas imprescindíveis do dia-a-dia (N do E.: em breve vamos colocar o formulário de adesão aqui no blog);

2) Associar-se e manter-se em dia: Marcelo Beltrão, o nosso Forrest Gump, é um dos que vem criticando diversos erros da atual gestão, porém faz questão de salientar que é sócio em dia. Parabéns (ele tinha de ter algo positivo, eh, eh, eh);

3) Participar das festas e eventos em prol do clube: Quanto mais gente nos Telões Corais, Quintas-Santa e, principalmente, nas festas promovidas pela Diretoria Social, mais dinheiro no clube e melhor para este;

4) Destaco que as festas no clube parecem ainda sofrer um certo preconceito por muitos. Senhoras e Senhores, se a juventude não voltar ao clube, o que será do nosso futuro? Lembrem-se de que temos de deixar o Santa Cruz bem melhor para Emerson Neto, e a nossa participação nessas festas é que poderemos melhorar ainda mais os futuros eventos, com nossas críticas e sugestões;

5) Patrocinadores: A partir de 1995 e durante certo tempo, na minha casa só entrava produto de uma empresa italiana. Não tinha jeito e eu nem pesquisava o preço, na esperança de aumento de vendas e a manutenção do patrocínio do Santa Cruz. Portanto, cerveja para mim é Frevo, carne é na Master Boi, tintas é Iquine, etc. Pedro Zimmerle, salvo engano, falou sobre isso em uma participação no nosso programa de rádio.

6) Santa Cruz de Corpo e Alma: O nosso programa de rádio, todo dia das 20h às 21h, na Rádio Capibaribe, AM 1240, com Marcelo Araújo. Vamos escutar o programa, participar (tem sempre sorteios), entrar no ar ao vivo, divulgar a existência do programa, procurar patrocinadores. É nosso programa, destinado somente aos santacruzenses. Sem contar que o programa é bem dinâmico e viciante como o Blog do Santinha (N. do E.: Escute o programa pela internet no site www.radiocapibaribe.com.br).

7) Visitar o clube em horários vagos durante a semana: Conversar com um ou com outro, assistir aos treinos, oferecer um serviço que saiba fazer, tirar dúvidas que tenha sobre vendas de jogadores, criticar, dar sugestões, tomar uma cerveja, falar com os funcionários, dirigentes, etc.

Claro que a diretoria tem de entrar com algumas participações, no entanto, sem a nossa freqüência dentro do clube isso jamais existirá. Vejam que falei sobre jogar sinuca em um clube que não tem nem mesa para esse jogo-esporte. Ora, tenho certeza que torcedores se reunindo na sede do clube e falando sobre isso, dentro em breve teremos um salão de sinuca para, por exemplo, Valter Azevedo mostrar se com um taco na mão, ele faz campanha melhor do que quando usava luvas e pensava que era goleiro.

Quinta-Santa, outro exemplo: um dos assíduos freqüentadores começa a pedir que sejam vendidos espetinhos. O bar leva uma ou duas semanas, mas acaba trazendo o produto, que vira sucesso de vendas e nunca mais deixa de ser oferecido. Bom para todos, mas só ocorreu porque alguém que estava e freqüentava o clube notou a deficiência e fez a sugestão.

Levem esse exemplo para a piscina, o salão de festas, contratações (quem sabe se o presidente não termina por nos escutar mais rapidamente?), ou seja, o olho do dono é que engorda o gado.

Bem sei que trabalhos desenvolvidos por voluntários e grupos de voluntários (prefiro não citar os nomes, para não fazer injustiça com os que seriam esquecidos) já objetivam isso e já trazem resultados positivos e concretos. Fabuloso e uma lição de amor ao clube.

No entanto, essas minhas palavras pretendem apenas ressaltar que a menor contribuição que possa parecer - a nossa presença no clube - faz parte de um trabalho grandioso que restaurará nossa dignidade.

E aí, pessoal, quando eu estiver na comemoração dos vinte anos de Emerson Neto, no salão de festas do Arena Coral, vou chegar e dizer para ele:

“Rapaz, queria ter sua idade agora, para combinar o meu apogeu com o do Santinha. No meu tempo, as arquibancadas eram de concreto, as cadeiras eram de ferro e apertadas, banheiro era tudo sujo e velho, a gente usava gerador a diesel porque a energia elétrica estava cortada, já teve festas de funk no clube, o Santa atrasava salários de funcionários e jogadores, cheques sem fundo, teve jogador que apanhou no vestiário, o clube não tinha crédito e tanta coisa a mais que se não fosse o trabalho de todo tricolor, eu não sei não…”

O aniversariante rirá, educadamente encherá meu copo e pensará: “Esse amigo de papai, o velho Coronel, já bebeu todas! Quem é que pode imaginar o Santa Cruz passando por esse tipo de problema? O coroa me sai com cada uma. Daqui a pouco vai dizer que já teve festa em que muito gente não quis ou teve preguiça de ir, mas uma grávida, uma menina e uma idosa foram e prestigiaram o clube“.

P.S.: Para quem perdeu o show-baile: a Super Oara e Mozart deram verdadeiros espetáculos. Quando Mozart entrou, após a primeira parte da apresentação da Super Oara, pensei que a animação ia cair; ledo engano, o cara sabe como poucos fazer o show e manteve o astral lá em cima durante toda a apresentação. Tinha gente nova, velha, feia, bonita, todo tipo, mas todos alegres e se divertindo. Até o Insatisfeito balançou a pança, digo, o esqueleto por lá. O destaque negativo e único foi que não houve a quantidade de gente que eu, pelo menos, esperava.

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Nordeste: seca de futebol e chuva de gente

Por Marcelo Torres - jornalista e torcedor de futebol
(artigo publicado originalmente no Blog de Juca Kfouri)

Em Os Sertões, Euclides da Cunha escreveu que o nordestino (simbolizado pelo sertanejo) “é antes de tudo um forte”.

Pois é, depois de tudo o que já sofreu no futebol, o nordestino ainda é um forte.

Bahia, Vitória, coisa, barbie, Santa Cruz, América de Natal, Fortaleza e Ceará vêm se revezando na degola, subindo num ano, caindo no outro.

Em 2005, não havia equipe nordestina na primeira divisão. Naquele ano, Bahia e Vitória caíram abraçados para a terceira. Já está virando rotina a queda após a subida, como aconteceu com Santa Cruz e Fortaleza.

Neste ano, até este domingo, o Vitória subiria para a primeira, mas a barbie e o América de Natal retornariam à segunda e o Santa Cruz cairia para a terceira.

No Nordeste, apesar da seca nos campos de futebol, “chove” gente nas arquibancadas.

É como se, numa contraposição intrigante, a fraqueza das equipes estivesse a desafiar a força das torcidas.

É como um teatro sempre lotado para espetáculos ridículos.

Na Série A, a coisa - de volta ao baile da elite - ocupa o primeiro lugar em média de público (26.071), mesmo realizando uma campanha de altos e baixos, como o sobe-desce das ladeiras de Olinda.

Um consolo é que, por ora, a equipe não corre risco de degola.

Mas veja a situação da barbie e do América. Nem bem voltaram à elite, parecem já ter comprado a passagem de volta para a Série B.

E apesar das campanhas pífias em campo, seus torcedores os colocam, respectivamente em 11º e 13º lugares (12.623 e 12.448) no ranking de público da Série A - o líder na tabela, o São Paulo, está em 12º (12.603) em público

E antes que o Machadão e os Aflitos desabem sobre a minha cabeça, eu digo: não quero que os dois co-irmãos nordestinos caiam.

Mas eles vão ter que apelar para o Sobrenatural de Almeida, para não caírem.

Não custa lembrar que o Sobrenatural é cria de Nelson Rodrigues, nascido em Pernambuco.

Na Série B, o contraste é mais evidente: no chamado G4 da classificação, só um é nordestino (o Vitória, que realiza campanha instável e não inspira muita confiança no seu torcedor); no G4 de torcida, todos são do Nordeste: Santa Cruz (24.512), Vitória (14.863), Fortaleza (12.632 ) e Ceará (11.740).

Curioso é que o líder em público, o Santa Cruz, está querendo ir para o inferno da terceirona - está na zona de rebaixamento.

O clube tem nome santo, tem uma cruz o protege, toma banho de Arruda… e ainda vive nessa urucubaca.

Parece que vai repetir o “feito” dos co-irmãos Bahia e Vitória, que em 2005 desceram a Ladeira dos Aflitos (uma das mil e uma ladeiras de Salvador).

Mas a mais incrível prova de amor a um clube é, sem dúvida, a torcida do Bahia.

A relação da torcida do Bahia com a sua equipe é um capítulo à parte.

Eu, sendo torcedor do arqui-rival Vitória, admito e admiro a força daquela massa (essa é uma das três invejas que eu tenho deles, as outras duas são o título brasileiro de 88 e o hino, que é um dos mais bonitos do País).

Ainda bem (para nós, torcedores do Vitória) que os milhares de tricolores que, ano passado, fizeram uma passeata de protesto não tenham mudado a direção do clube.

Aliás, é provável que os 36 mil que foram neste domingo à Fonte Nova tenham participado do protesto do ano passado - eis aí mais um sinal das contradições no futebol nordestino.

Viajando ainda pela Série C, Atlético de Alagoinhas e Poções, clubes de cidades de médio porte no interior baiano, tiveram a terceira e a quarta melhores médias de público da primeira fase, 7.641 e 6.062, respectivamente. Para se ter uma idéia, o Atlético de Alagoinhas teve melhor média de público que Atlético-PR (6.908), Santos-SP (6.784) e Juventude-RS (4.449).

A média de público dos “pequenos” clubes do interior baiano na terceirinha supera a do líder da segundona, o Criciúma (6.020) e de outros 11 clubes, entre eles o Marília, a Ponte Preta, a Portuguesa, o Ipatinga e o São Caetano.

Estes números e estatísticas estão lá no site da dita-cuja, a CBF.

Os curiosos de plantão podem ir lá checar.

Bom, números pra lá, fatos e argumentos pra cá, eu lhe pergunto: o torcedor nordestino é ou não é um sujeito cabra da peste de forte?

Este é ou não é um caso de amor (para ser estudado)?

Um amor não correspondido pelas equipes em campo, é verdade.

Mas não deixa de ser amor.

Nota do Editor Assistente Jr.:
1) Os nomes dos times locais foram alterados, conforme o Manual de Redação do Blog do Santinha;
2) Achou o artigo interessante? Então leia os comentários do artigo original do Blog do Juca, que complementam muito bem o texto.

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