Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Arquivo de Setembro de 2007

Reformulação total nas divisões de base

Matéria publicada na Coralnet, em 29-09-2007.

Há cerca de 20 dias o vice-presidente do Santa Cruz, Fred Arruda, vem encabeçando junto com alguns torcedores um processo de reformulação das divisões de base do Mais Querido.

A iniciativa pretender facilitar e viabilizar o trabalho que já vinha sendo comandado pelo diretor Dirceu Lins e Silva e pelo coordenador de futebol Charles Muniz. As primeiras metas são: reforma da concentração, reforma do centro de treinamento de Beberibe, acompanhamento psicológico, acompanhamento jurídico da carreira e captação de novos talentos através de olheiros pelo país.

Dos pontos de trabalho estabelecidos, alguns já estão sendo postos em prática, como o acompanhamento do departamento jurídico, que visa a oficialização do vínculo do jogador da divisão de base com o clube através de contrato, como foi feito esta semana com os juniores Miler e Romário.

Outra meta importante a ser cumprida e que será de grande importância para o futuro do Mais Querido é a reforma da concentração dos atletas, que hoje abriga 25 meninos de vários locais do país. A idéia é que em seis meses a mesma já tenha estrutura para acomodar 60 garotos e esteja toda equipada com o máximo de conforto necessário.

A primeira fase da obra já começa essa semana, e os torcedores corais estão convocados a ajudar. Assim como foi feito na construção do Arruda, a doação de materiais será de fundamental importância para a conclusão da reforma.

Foi feita uma parceria com a loja Tupan, que fica localizada na rua João Ivo da Silva, no bairro de Afogados (logo após a concessionária Fiori), onde os tricolores poderão adquirir os materiais necessários para a construção em nome do Santa Cruz, e a própria empresa ficará responsável pela entrega.

A lista dos produtos e a quantidade de cada item está disponível logo abaixo, mas também pode ser encontrada na própria Tupan. Para maiores informações os torcedores devem se dirigir à seção de atacado e procurar Cristina ou Eliane.

É importante lembrar que mesmo que o torcedor não possa comprar toda a quantidade necessitada para a obra, ele contribua apenas com uma unidade ou um pacote, pois essa ajuda já será de fundamental importância para o Santa Cruz.

Quem não tiver tempo de ir até a loja de materiais, poderá passar um cheque nominal a Tupan e entrar em contato com Walquíria, na presidência do clube pelo telefone (81) 3498.1230, ou com Gileno, pelo número (81) 9989.7379, para se informar sobre como dar sua contribuição.

O futuro do Santa Cruz está nas divisões de base.

LISTAGEM DE MATERIAIS NECESSÁRIOS

Qtd. Unid. Cód. Descrição do Produto
20 SC 26085 rejunte flex cinza platina sc 5kg quartzolit
4 PC 40659 chuveiro plast bella maxi tigre
2 PC 47403 chuveiro elet maxi ducha 4500w 220v br lorenzett
6 PC 20087 registro pressao 1416 c44 1/2 cr kelly
5 PC 15599 bacia p/cx acop atlantis br a belize
5 PC 15622 caixa acop p/bac c/mec univ atlantis br a belize
4 PC 15611 lavatorio susp atlantis 40×30cm br a belize
3 PC 32193 porta mad 0,60×2,10 prensada lisa basei
3 PC 43433 grade de caixa 0.14 3 pcs s/alis cerejeira para
4 PC 48247 torneira lavat par max 1197 c34 bica baixa cr de
4 PC 42717 torneira coz par robusta 2160 c44 1/2 kelly
1 PC 6387 mictorio inox 1,50mt c/v franke
81,6 MT 46269 forro pvc 200mm dualita 6,0 br medabil
3 PC 41283 luminaria aco 2×40w plus ii elet biv compl pt bl
10 PC 44075 ventilador parede plast oscil 40cm 220v br venti
1 PC 33619 balcao inox 2,00 c/c 1cb/ret esc s/v(430) franke
2 PC 20052 torneira lavat 1194 c44 1/2 kelly
14 PC 19976 rodaforro pvc 10/12 6,0m tipo f br medabil

Pois é amigos, é correr lá na Tupan de Afogados e comprar o material. E se quiser, mande embalar para presente. As divisões de base do nosso Santinha merecem.

O Grupo que está à frente dessa empreitada informa que é possível usar o cartão de crédito para comprar os itens da reforma. E que, para efeito de prestação de contas, é bom que o colaborador informe o nome completo às meninas da TUPAN.

ATUALIZAÇÃO: Quem quiser depositar alguma grana para colaborar, é só entrar em contato com Gileno Lima, pelo fone (81) 9989.7379 ou pelo email gileno.lima@terra.com.br

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Estamos de luto, branco e vermelho

Robertinho do Empório
Robertinho do Empório

Foto: Anizio Silva
Empório Sertanejo em dia de festa tricolor
Empório Sertanejo em dia de festa tricolor

Faleceu na noite de ontem (25/09) Roberto Novaes Ferraz, proprietário do bar Empório Sertanejo e grande tricolor. Estamos preparando alguns artigos em sua homenagem; quem tiver alguma foto de Robertinho, por favor envie para o email blogdosantinha@gmail.com

ATUALIZAÇÃO: Agradecemos as fotos de Robertinho, enviadas pela sua sobrinha Marília. Ela relatou no email em que enviou as imagens que “no enterro tinha umas 400 pessoas (correção: em outro email Marília informa que havia por volta de 1000 pessoas). Ele era muito querido, recebeu muitas flores e coroas. Vai descansar em paz pertinho de Deus!

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De luto, branco e vermelho!

por Carlos Lopes

Era 26 de novembro de 2005. Por imposição da profissão, havia sido privado da festa com mais de 60 mil convidados no Arruda. Cheguei por lá umas duas horas depois do jogo com a Portuguesa e, apesar da multidão nas ruas e na sede, não encontrei ninguém conhecido pra tomar uma e festejar o acesso à primeirona.

Parti para o reduto onde poderia tirar o atraso e iniciar a comemoração. Cheguei no Empório Sertanejo e dei de cara com Robertinho ajudando os garçons a recolher as mesas da calçada, sem um cliente na casa. “Ué, o que houve?”. Precavido em virtude do desastre lá dos Aflitos, Roberto temia que houvesse algum tipo de confronto dos caras conosco e resolveu fechar o Empório.

Argumentei que o Empório era a nossa casa, que a nossa comemoração não tinha a ver com a dor de ninguém e que uma carrada de tricolores estava pra chegar para uma justíssima festa. O coração do sertanejo amoleceu feito queijo manteiga: “Manéu, bota as mesas pra fora de novo”. Meia hora depois o Empório parecia a sede do Arruda, a Rua da Hora, a Beberibe.

Lembrei desta história ontem à noite, minutos depois de saber que Robertinho tinha partido pra outra. É duro perder anfitrião arretado como ele, gente da melhor espécie. Coração do tamanho de um boi. Um desfalque grande para a família, os amigos, pra nóis que fica.

Mas não sejamos egoístas. Roberto parte pra outra missão que não nos cabe discutir. Em breve, um novo Empório será inaugurado. Nele, Chico Science, Capiba e Jackson do Pandeiro poderão se sentar numa mesa e batucar o hino do Santinha, acompanhados de uma cerveja mofada e uma galinha cabidela, enquanto esperam começar mais um jogo do Mais Querido.

Agora, Roberto, cá entre nós, quando os grandões daí de cima chegarem pra um aperitivo no final do expediente, serve aquela tripinha de porco no capricho, aquele bode guisado no ponto, com farofinha de cuscuz. Quando os caras estiverem pra lá do além, promete um pendura pra eles em troca de uma interferência a favor do nosso Santa, a coisa (ops!!!), como você sabe, num tá boa.

Por aqui, Robertinho, seguiremos fazendo a nossa parte. Agora, de luto, branco e vermelho.

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O luto da Sanfona

Por Gerrá da Zabumba, em nome da Sanfona Coral

A Sanfona Coral nasceu numa mesa suja de bar. E hoje o bar está triste. A Sanfona querendo chorar. Quem conhece o Empório, está com olhos marejados. O boêmio do Empório está meio desnorteado. Mais perdido do que bebo sem bar.

Estampado na faixa da Sanfona está: Empório Sertanejo - Robertinho.

Assim como ele pediu, quando resolveu “patrocinar” a faixa da Sanfona Coral. Foi lá no Empório a última grande farra da Sanfona Coral.

Lá no Empório, tomamos todas, falamos de tudo e de todos. Carnaval, política, amores, futebol, música, trabalho e outros tantos temas. Lá é nosso ponto de encontro. Lá no Empório, já fui até 7 da manhã, bebendo e jogando conversa fora. Naquele bar já fiz grandes amizades. Já consolidei muitas amizades.

Roberto Ferraz, o Robertinho do Empório Sertanejo, conselheiro do Santa Cruz, faleceu tragicamente. Assim de repente.

Soube hoje. Cedo da manhã. Estava eu e a família vendo o noticiário local. Silenciamos. É interessante a falta de palavras diante das fatalidades.

Tricolor apaixonado, boêmio, e amante do forró, Robertinho do Empório, ou melhor, dos Empórios, sempre estava lá, no bar e nos jogos do Santa Cruz. As cadeiras cativas eram o seu lugar preferido. Nas primeiras fileiras. Na direção da linha do círculo central do gramado.

Peço licença à dor do luto, porque hoje quero beber o defunto. Assim como bebi na morte de Chico Science. Assim como fazem no interior.

Hoje queremos tocar um forró, beber uma cerveja e comer um bode guisado. Tenho certeza que ele vai ficar satisfeito.

Escrevendo aqui, leio o texto de Nunes. Eita, meu velho, que vontade de comer um queijo acebolado. Foi no Empório que me apresentaram a este delicioso tira-gosto. Sim, no Empório não tem petisco. Tem tira-gosto. Tem também cerveja gelada e copo americano. Tem música boa. Robertinho tinha bom gosto.

Hoje o toque da sanfona, o tilingado do triângulo e a batida da zabumba é pra Robertinho. Hoje a lapada é uma pra nós, outra pra ele. E que sábado a vitória contra o Ituano seja para Robertinho e todo o povão.

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Menos alegria no mundo

por Inácio França

No longínquo ano de 2001, pouco depois do Santa enfiar dois gols na coisa e acabar matematicamente com as chances de um hexa rubro-negro, cheguei ao Empório com uma bandeira vermelha-e-preta que tinha encontrado numa sarjeta na frente do Arruda. A idéia era queimar a bandeira no bar, mas a famigerada estava imunda e molhada, imune ao fogo dos isqueiros. Apelamos para a única autoridade constituída presente, o dono do bar: “como é que a gente seca essa porra?”. Tricolor e florestano, Robertinho nunca foi homem de desistir diante de um obstaculozinho qualquer. Minutos depois, volta ele do primeiro andar do bar com um secador de cabelos na mão. Comemoramos como se fosse gol e secamos a bandeira até ela ficar no ponto de virar cinzas.

Estou triste Robertinho, mas só me recordo do seu bom humor e de sua alegria em episódios como esse ou da sua insistência para que batesse na porta da casa de sua mãe, em Floresta, e pedisse para comer um rubacão preparado por ela, numa de minhas muitas viagens à sua terra nos tempos de repórter do DP.

Robertinho, que idéia besta essa de morrer!

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Santa Música Popular

Santa Cruz x Corinthians 2006
Walmir Chagas, ladeado por Bacalhau e Bráulio de
Castro e acompanhados pela Sanfona Coral

Por Júlio Vila Nova

Já se falou aqui no blog a respeito do grande patrimônio cultural que o Santa Cruz detém, principalmente na área da música, quando constatamos a quantidade e a qualidade dos artistas tricolores. Prova disso é a Sanfona Coral e mais um bocado de músicos bons que já passaram pelas páginas do blog.

São compositores, instrumentistas, intérpretes, maestros que enchem de orgulho o coração tricolor e deixam mais clara a certeza de que o Santa Cruz é inigualável. A lista é grande, começa com o pessoal do frevo (Capiba, Nelson Ferreira, Irmãos Valença, Getúlio Cavalcanti, Bráulio de Castro, Antônio Nóbrega, etc.) mas inclui cobras de todos os estilos, do coco ao hardcore. O blog começa uma série de entrevistas com alguns desses artistas, que falam rapidamente sobre sua paixão pelo Santinha, respondendo a três perguntas:

1) Quais são suas primeiras lembranças como torcedor do Santa Cruz? 2) Quais são os momentos mais importantes na história do clube, aqueles que lhe renderam as maiores emoções como torcedor? 3) Como artista tricolor, que mensagem você manda para a torcida do Santa Cruz?

www.musicadepernambuco.pe.gov.br
Véio Mangaba

Walmir “Véio Mangaba” Chagas

Muito justamente, Samarone já escreveu que Walmir “Véio Mangaba” Chagas é “a cara do Recife, por sua ironia, simplicidade, sua capacidade de improviso, de rir do poder e desdenhar das coisas sérias”. Está lá no livro Estuário (Existências, uma das muitas belas crônicas sobre o Recife).

Walmir é o que se pode chamar de multiartista, denominação que a imprensa costuma usar para um velho amigo seu, tricolor como nós, Antônio Carlos Nóbrega. Walmir é ator, cantor, compositor, dançarino, produtor e véio de pastoril. Pelas mãos do irmão Luís, já falecido, conheceu o universo do circo. Nos anos 70, trabalhou na televisão, em programas ao vivo. Foi um dos fundadores do Balé Popular do Recife, com quem percorreu o mundo, até o final dos anos 80. Na música, foi integrante do Trio Romançal, com o pessoal da família Madureira (Antúlio e Antero); estudou bateria no Conservatório; em 2002 lançou o selo Mangaba Produtos, com produção intensa de muitos discos, em variados estilos. No teatro, o currículo de Walmir inclui sucessos como Amor Paregórico, Mangaba com Catuaba (dividindo o palco com o ator Aramis Trindade, outro santacruzense) e Sou Feio e Moro Longe - A Saga de um Pobre Star.

Uma das produções mais recentes com a participação de Walmir é o CD Antologia do Pastoril Profano, uma homenagem aos grandes mestres dessa brincadeira tipicamente pernambucana (em tempo, o trabalho, de excelente qualidade, tem ilustração de capa do artista plástico tricolor Bajado; saiba mais no site Projeto Phormiga). Walmir também interpreta algumas das melhores músicas do CD Veneno da Cobra Coral, que todo torcedor do Santa Cruz precisa conhecer.

Abaixo, ele fala um pouco da paixão pelo Santinha:

1) Quais são suas primeiras lembranças como torcedor do Santa Cruz?

“Uma das minhas primeiras lembranças do Santa é quando meu irmão Walter (Ferrugem) me contava sobre a época em que jogou no Santa Rita (time de futebol do bairro de São José) e depois foi para o Santa Cruz, onde jogou de 1950 a 1955″.

2) Quais são os momentos mais importantes na história do clube, aqueles que lhe renderam as maiores emoções como torcedor?

“Não sei se mais importante, mas marcou pro resto da vida, quando o Santa deu no Santos aqui em Recife de 1 x 0 (com Pelé e tudo) e a medalha-comenda que ganhei com muito orgulho pelos noventa anos do clube, em 2004″.

3) Como artista tricolor, que mensagem você manda para a torcida do Santa Cruz?

“Vamos nos unir ainda mais e ajudar da maneira que cada um possa, para que o Santa Cruz Futebol Clube sempre viva nos nossos corações pernambucanos, e deixar de uma vez por todas a vida dos outros times, porque a nossa é sem dúvida muito mais importante, saudações tricolores!!!”

Confira a música “Bandeira do Santa Cruz”, do CD Veneno da Cobra Coral e interpretada por Walmir Chagas:

 
 Bandeira do Santa Cruz [4:20m]: Tocar Agora | Tocar num Popup | Download

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