O tricolor do meio do mar
por João Henrique
Pouco mais de 2 mil habitantes, paisagens lindamente indescritíveis, turistas de todos os cantos do mundo e um estabelecimento chamado Bar e Restaurante Tricolor. Este é o resumão do arquipélago de Fernando de Noronha, a Pérola do Atlântico, território pernambucano e, por conseqüência, dominado pela torcida do Santa Cruz.
Em 1993, um jovem com nome de astro e disposição de maratonista chegava a Noronha para desenvolver trabalhos pesados. Era uma época em que o lugar vivia transformações estruturais. O desenvolvimento chegava com a força de um maremoto.
Erasmo Carlos da Silva ralava o dia inteiro sob o sol implacável. Cimento, terra, suor. Porém, mesmo com tanto trabalho, ainda sobrava um pouco de vitalidade para, à noite, encantar-se com a doçura de Ednalva, nativa que laçou o forasteiro. Casaram e ele nunca mais voltou a morar no Recife. Virou ilhéu. Porém, Erasmo jamais esqueceu uma paixão que o acompanha desde menino: O Santa Cruz.
Ednalva e Erasmo, no início da caminhada a dois, alugavam quartos a turistas em sua modesta casa, hábito comum na comunidade noronhense. Depois de um tempo, surgiu a história do bar. “Por que a gente não faz um boteco pra vender comida e bebida? É turista que não acaba mais! Dá pra fazer um bom trocado.” Dito e feito. Organizaram tudo, construíram uma estrutura pequenininha e agradável, arrumaram as mesas e… faltava a placa. Faltava o NOME.
A vida é, ela mesma, responsável por um monte de coisas incríveis. E não é que Ednalva também era tricolor? “Tinha essas coisas de time. Eu sempre gostei do Santa. A mulher também. Aí botei o nome do bar. Até hoje”. O Bar Tricolor, Deus sabe por quê, não consta na lista de bares e restaurantes do site do Governo de Pernambuco (www.noronha.pe.gov.br), mas deveria. A muqueca de peixe é uma delícia. O camarão ao molho faz bonito. Pimentinha caseira, pirão quentinho e muito capricho. De sobremesa, doces de frutas da época. Vale a pena de verdade.
Quem está na ilha, encontra fácil. Indo pela BR 363 - que deve ser a menor do país - em direção ao porto, você passa, à direita, por uma placa indicativa que, como um ímã espectral, abduz a atenção do torcedor do mais querido. Vistosa, a peça traz, além do nome, vários atributos do estabelecimento. Não tem como errar.
O bar foi, durante anos, repleto de elementos com as cores da paixão de Erasmo. Ele tricolorzava os enfeites, o portão, as mesas e tudo mais que desse na telha. Tinha até o esqueleto de uma cabeça de boi nas três cores, pra afastar as energias ruins e atrair as atenções.
Depois de muito trabalho e três filhas, “duas moças e uma adolescente” (como diz a orgulhosa Ednalva), Erasmo decidiu arrendar o Bar Tricolor para poder dedicar-se à boa vida. O atual administrador, Jorge, é também tricolor, só que torce pelo Bahia. Ele até tentou trocar o preto pelo azul na comunicação visual, mas o dono não quis saber dessa conversa. O máximo aceitável foi tirar a maioria dos enfeites extravagantes e repintar a cerca. A caveira de boi agora está pendurada no galinheiro de Erasmo, para inibir a eventual entrada indesejável de algum torcedor da barbie ou da susy.
Hoje, boêmio profissional, Erasmo Carlos ainda recebe vários tricolores que chegam à procura do responsável pelo gesto de amor ao clube. Com um sorriso no rosto, mostra fotos e, muitas vezes, dá de presente relíquias do bar, na clara intenção de dividir com o mundo um pouco do seu carinho pelo Santa.
Por visitar pouco o continente – “É complicado sair daqui, né?” – este tricolor não vai ao Arruda há anos. Derrama um galão de saudades, mas é feliz com a vida que leva. A camisa encarnada, branca e preta desgastou-se com o tempo e o uso. Erasmo ainda não sabe, mas, em breve, vai receber uma novinha. No próximo jogo eu compro.
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91% dos corais são favoráveis ao FORA MAURO
Encerramos hoje a enquete sobre o destino do “treinador” Mauro Fernandes. Das 246 pessoas que votaram, 223 (91%) querem que Mauro Fernandes volte a treinar algum grande time do Planalto Central, a exemplo do Ceilândia, Taguatinga, Sobradinho ou coisa que o valha. Apenas 17 torcedores concordam com a permanência dele no Arruda, ou seja, 7%. Outros 2% estão indecisos.
O blog continua sua campanha obsessiva e perseverante contra esse senhor que se diz técnico do Santa Cruz, mas, apesar disso, convocamos os tricolores a ocupar novamente o José do Rego Maciel. Com um time desorganizado, com vários problemas de posicionamento e um treinador que não vacila em queimar os jogadores a cada goleada, mais do que nunca nossos jogadores precisam da torcida, principalmente para compensar a falta de sensatez no banco. Isso funcionou contra o Brasiliense, Criciúma e Ipatinga. Precisa funcionar novamente hoje de noite, quase de madrugada.
Aproveitamos para lançar mais uma enquete. Agora, queremos saber o que os internautas acham da possibilidade de criarmos a necessidade um cadastro para liberar os comentários. Estamos estudando essa possibilidade porque muitas pessoas estão se sentindo ofendidas com leviandades publicadas na seção de comentários.










