Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 5 de setembro de 2007

Dois tricolores no Semi-árido

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Na foto acima, onde está Samarone?

por Samarone Lima, direto de Exu

Amigos corais, não sei onde escreveram a máxima “torcedor coral, terás que sofrer até o último minuto”.

Estou batendo pernas pelo Sertão, nesses trabalhos que me chamam justamente porque sabem que gosto de andar, ver gentes e povoados, mas enfrento dilemas existenciais profundos, quando o Santa vai jogar. Geralmente estou onde a TV não está, e os fenômenos da natureza impedem acesso a rádios e outros meios de comunicação. O Blog do Santinha, apesar de muito arrojado, ainda não desenvolveu um software ou algum desses nomes misteriosos para ir colocando no ar, a cada dois minutos, o desenrolar da partida.

Vai aqui um retrospecto do último match coral, contra o Fortaleza.

São 12h, estou em Ouricuri. Já andamos para Bodocó e terras ermas, quando vamos para um almoço. Encontro Gildásio, que também está na ação. Ele, que é um homem da arquibancada do Aruda, me olha muito sério, nos olhos, e diz: “Temos uma questão importante para resolver hoje à noite”.

Já sei, o jogo. Almoçamos, trabalhamos, e de vez em quando, Gildásio me olhava, no meio de uma plenária, onde o povo debate coisas da saúde, uma multidão de agentes comunitários de saúde, médicos, e vejo cintilando na testa dele: O jogo!

Anoitece. Peregrinamos por botecos, nada de TV a Cabo, as antenas parabólicas não captam imagens do Arruda.

Tomamos umas para disfarçar. Surge aquela fossa. Estamos no Bar do Gordo. Conto meu problema. Daqui a pouco ele vem, com a pança maior que a de Naná.

“Aqui pega a TV de Fortaleza”.

Vou lá dentro, vejo a TV Verdes Mares. Aguardo, aguardo, depois vem uma moça e diz que não vai passar o jogo.

A agonia só termina dez minutos antes da partida. Gildásio lembra que botou em sua mala um radinho de pilha.

O rádio chega. Ligamos já tensos. A narração é interrompida por eventuais ventos laterais e frontais. Uma jogada desaparece e só retorna quatro minutos depois. Dizem que é influência da fiação, e vou com Gildásio para o outro lado da rua. Depois de muito malabarismo, contorcionismo, conseguimos uma posição. Ficamos quase sem respirar, para não incomodar o locutor. Depois de cinco minutos, chiados os mais diversos.

Lutamos longamente pelo somo coral. Nada do gol. Quando vamos saindo, pego o radinho e vou andando. Tomo um susto quando o locutor começa a gritar as duas palavras mágicas:

“Marcelo Ramos! Marcelo Ramos!”

Grito para Gildásio:

“Gol do Santa!”

Gildásio dá um pique de 100 metros que há décadas ele não consegue. Abraços, comemoração.

Hoje, na viagem, soubemos que a bela Mayra Ramos é prima do Marcelo Ramos, e ela cresceu muito em nossa cotação.

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