Parado na porta da zona
Dimas Lins (publicado originalmente no Torcedor Coral)
Saiu da zona, mas ficou parado na porta. É verdade que não quer tornar a entrar, mas a questão é que ele ainda não se sente confiante para seguir em frente. Fica ali na dúvida, consumido pela incerteza de escolher entre duas saídas contraditórias e igualmente insatisfatórias. Os amigos de longas datas não o reconhecem mais. É que o homem cheio de confiança de ontem, tornou-se inseguro nos dias atuais. Tinha fama de Terror do Nordeste, pois, no jogo da sedução era imbatível. Por onde passava, comia todas as menininhas. Andava com a cabeça erguida e estava sempre com a bola toda.
Gostava de mulheres de classe, mas também da sacanagem, da malícia e da vadiagem despudorada. Só em Recife, andava com duas safadas que ele usava e abusava. Uma era metida à burguesinha. A família já teve dinheiro um dia, mas perdeu tudo no jogo. Mesmo assim, mantinha a pose e vivia de aparências. Tinha carinha de bonequinha de luxo e andava de nariz empinado. Era mimada que só ela, mas uma travessa na cama. Já a outra era bem rapariga. Uma moreninha suburbana que andava com roupinhas bregas coladas ao corpo. Se achava uma leoa, mas no fundo era uma gatinha que usava peruca e havia aplicado silicone para disfarçar a falta de peitos. Queria ser selvagem na cama, mas gostava mesmo era de apanhar. Gostava tanto de ser agarrada por trás, que passou a fazer ponto na Abdias de Carvalho. Uma vadia.
Mas volto à porta da zona. Toda essa insegurança começou com a falta de grana. Gastava dinheiro demais e com quem não prestava. É o que dá andar em más companhias. Passou a beber muito. Enchia a cara. Nos bares e restaurantes fazia contas absurdas e ainda ficava devendo. Depois, invariavelmente, levava alguma mulher para o motel.
E foi num desses dias, já cheio de cana, que ele não deu no coro. Foi uma coisinha à toa, uma nadica de nada, mas cabeça é cabeça e ele passou a sofrer de uma disfunção erétil, conseqüência de muita frustração. Vieram então os primeiros sinais de impotência. Mas o sujeito surtou mesmo em 2006, quando a exceção virou regra. De lá para cá, ele tem tido dificuldades para ter uma ereção.
Para completar, desprezou os conselhos dos amigos sinceros, que são muitos. “Procure um profissional sério para cuidar do seu problema!”, diziam. Mas ele nunca deu ouvido. Ao invés disso, seguiu por caminhos tortos e buscou auxílio em pessoas que não podiam ajudá-lo.
Primeiro, cheio de boas intenções, foi confessar seus pecados para obter a absolvição. Chocado por sua vida de luxúria, o Padre exagerou nas penitências e o obrigou a ajudar na missa. Virou coroinha. Mas como sexo e religião não combinam, ele piorou. E foi só depois de muito tempo e de muita insistência dos amigos sinceros que ele percebeu que aquilo não estava dando resultados. Deixou a sacristia, mas, por conta própria, radicalizou. Foi procurar guarida nas rodas de malandragem e caiu na conversa de um enganador.
Passou então a seguir os conselhos de um sujeito que contava vantagens. Parecia andar bem vestido, mas suas roupas eram de quinta categoria. Vivia de aparências. Era arrogante e costumava chamar seus amigos sinceros de imbecis. Enfim, o enganador se achava aquilo que o calendário não marca, pensava que era uma BMW, mas não passava de um caminhão do lixo. Mas como as aparências enganam, hoje, ele chama esse sujeito de parceiro. Não sei quem era mais burro.
De lá para cá, foram tantas as besteiras que ele fez que acabou indo parar na zona, achando que lá resolveria seus problemas e resgataria a sua auto-estima. Morou onze dias seguidos por lá. Porém, ao contrário do que imaginava, ao invés de melhorar, foi perdendo cada vez mais o pouco da confiança que restava. Era de dar pena. Fora de si, algumas vezes não dava no couro, enquanto noutras, fazia o trivial e sem graça papai-e-mamãe.
Mas, como acontece em tudo na vida, nuns dias chovem, noutros fazem sol. Foi por isso que só agora ele teve a coragem de botar o pé do lado de fora da zona. Pois, apesar da chuva e de continuar com a disfunção erétil, o dia pareceu-lhe ensolarado.
Os amigos sinceros nunca o abandonaram. São como pais e mães que, às vezes, parecem duros, mas no fundo só querem o bem. Mas como amigos, não fecham os olhos, nem costumam passar a mão na cabeça o tempo todo, pois sabem que, lá fora, a vida é difícil.
Os amigos sinceros torcem para que ele não volte para a zona, apesar dos maus conselhos do parceiro.
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Santa Cruz anistia sócios em atraso
Até esta sexta-feira, 07 de setembro, dia do jogo contra o marília, o sócio do Santa Cruz poderá ficar em dia com sua situação com o clube, quitando a mensalidade de setembro, o que pode ser feito no setor de arrecadação do clube ou no quiosque do Shopping Boa Vista.
Aos que possuem uma situação financeira mais cômoda, sugerimos a mudança para a categoria de super sócio. Além de usufruir dos benefícios do sócio contribuinte (inclusive o direito a voto nas eleições do clube), o super sócio (apenas o titular) não paga ingresso nos jogos do Santa Cruz no estádio do Arruda. A mensalidade do super sócio é de R$ 50.
Qualquer dúvida, procurar o Sr. Lúcio no setor de arrecadação do Santa Cruz.
Fred Arruda - Vice-Presidente do Santa Cruz
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