Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.
Arquivo de 21 de setembro de 2007

Sanfona Coral: Patrimônio da Arquibancada

Sanfona Coral - Santa x Coisa

Ata da Reunião Extraordinária do Conselho Delibebeativo da TOMSF

Todo jogo, a mesma pergunta. “Por que a Sanfona Coral não toca nas sociais do Arruda?” Pois bem. Depois de contadas 88 perguntas, 53 delas no Bar da Piscina, a Sanfona Coral se reuniu na última terça-feira e decidiu fazer um texto explicando os nossos pequenos grandes motivos para não abrirmos mão da arquibancada. São vários minúsculos grandes motivos. Vamos lá. Vou tentar ser breve.

Não é porque não somos sócios. Longe disso. Muita gente da Sanfona é sócio. É verdade que há uns 30 mil integrantes que não são. Edinho vai aumentar a capacidade das sociais? Há outros 25 mil integrantes que nunca tocaram num computador e não sabem o que significa a palavra blog. Há alguns integrantes da Sanfona que têm várias cadeiras cativas e até camarote. Mas, não usam nunca. Ficam lá, mofando. Não servem para nada. Não vão lá por nada. Só pagam a taxa e pronto. Nada disso importa. Para tocar não exigimos toalhas brancas. Mas a sanfona não senta em cadeira, odeia camarote, passa bem longe da tribuna de honra, tem medo de altura e gosta de assistir aos jogos olhando para o banco de reservas do adversário. De que local é possível reunir todas essas exigências? Acertou: da arquibancada.

Ah. A Sanfona Coral odeia gente com a camisa do Santa Cruz gritando olé para time adversário, e torcedor vaiando o Mais Querido logo no primeiro passe errado. A Sanfona Coral não tem dono. Absolutamente, nenhum dono. Também não tem frescura de diretoria. Ela é do povo. E o povo é da arquibancada do Arruda. Viram como é simples. O povo é quem manda e temos que obedecer. A sanfona é patrimônio do cimento em três cores. E patrimônio ninguém mexe. É direito adquirido. Não adianta retirá-lo, que a revolução ganha as ruas.

Imaginem se a Sanfona Coral decide tocar nas sociais. Que desespero na arquibancada. Que silêncio absurdo. Um barulho danado. Barulho maior do que aquele silêncio de dois segundos quando a bola raspa a nossa trave. O que iria pensar o tricolor da venda que certa vez disse baixinho no meu ouvido, logo depois de Reinaldo fazer 2×1 na Lusa: “Eu venho para todos os jogos, mas o que eu gosto mesmo é dessa sanfona. Pagava dobrado para ficar mais dois tempos aqui ouvindo vocês.”

O que iria fazer Bernadete da Laranja, 63 anos, que pediu Chiló em casamento, com mais de 64 mil testemunhas, quando ele colocou o primeiro acorde do hino do Mais Querido? E a grande maioria iria perder o abraço de lágrima de Gerrá em Malvina quando o Santa Cruz subiu em 2005? Só aqueles poucos das sociais iriam presenciar esta cena? A minoria não pode ser privilegiada. E os nossos fornecedores de cerveja? Iriam morrer de fome? Iríamos abandoná-los e passarmos a chamá-los de lá das sociais? E não iríamos mais tocar o “Naná, Naná, Naná… O que aconteceu?”… E Josemar? O grande ao ao ao ao vivo? Iríamos simplesmente deixá-lo perdido na arquibancada porque ele não tem uma carteira de sócio? Não. A Sanfona Coral tem um coração sujo de cimento da arquibancada. É coração mole, mas é de cimento.

Muitos que acessam hoje o blog não sabem, mas vou explicar direitinho. A Sanfona Coral nasceu no dia 13 de julho de 2005, no Empório Sertanejo. Surgiu numa mesa suja de bar. No meio de uma farra. O Blog do Santinha, esse monstro de hoje, ainda engatinhava. Tomava mamadeira. Ainda era colocado para dormir todos os dias nos braços de Inácio França e Samarone Lima.

Alguns poucos malucos colaboravam de madrugada como podiam e atendiam as ligações de Inácio pedindo sugestões. Era um tempo em que havia 5 torcedores online. Não havia discussões menores e agressões nos comentários. Era debate da emoção, debate dos textos e também do campo. Nos comentários, organizávamos os ingredientes do fezão de Joãozinho Peruca. Sabíamos da certeira previsão de Saulinho Profeta e das observações diretas de K2. Passávamos a descobrir que Samarone era pé frio e que João Valadares só deixou de ir a três jogos do Santa Cruz desde que nasceu. Apesar de negar veementemente, ficávamos sabendo que ele era o maior dos pessimistas tricolores e que disse para Sama “puta que o pariu como o cara faz uma merda dessas”, frações de segundos depois de Luizinho Vieira chutar aquela bola contra o Flamengo por cima do goleiro.

Era tempo em que Alessandra Malvina usava peruca loura para ir ao Arruda e o professor Vila Nova, sempre pontual, nos esperava na Churrascaria O Colosso. Chiló ainda tocava na cariada e Gerrá tinha uma zabumba com o couro furado. Pois bem. Patu mandava notícias de São Paulo e o Analista-DF trazia sugestões quentinhas da capital do Brasil. Allan Robert sempre que podia chegava ao Arrudão e Patriota analisava todas as situações possíveis para ganharmos a partida. Geó ainda não fazia contas. Só dizia que a Sanfona era pé frio. Robson começava a carreira de fotógrafo e Stênio de preparador fígado. Era tempo que a ala feminina não era pequena não. Déa, Emília, Fabiana, Nadja e tantas outras de um bocado. Era mulé que só a gota. Não poderíamos esquecer dos comentários de Romerada e por aí vai.

A Sanfona tem um ritual. Toca quando Chiló tá invocado e pronto. Quando pensam que ela vai, ela não vai e quando pensam que não vai, ela aparece. Às vezes pensam que vai e ela vai mesmo. Pois bem. Esse era o tempo em que uma dúzia de malucos se encontrava na Churrascaria Colosso para realizar a volta olímpica antes do tricolor entrar no gramado.

Há ainda um importante ingrediente. Quando o Santa Cruz subiu, em 2005, a Sanfona Coral estava lá na arquibancada. Na chuva e no sol. Agora é a mesma coisa. Vamos subir com a Sanfona na arquibancada e lembrar de 2005. Para finalizar minha breve explicação, lembro aqui dos artigos 5, 6 e 7 do nosso estatuto:

5 - A Sanfona Coral estará sempre ao lado do Santinha, chova ou faça sol, com ou sem tufão, tempestades, pestes, terremotos ou rompimento de barragens;”

6 - “Ei, coisa, vai tomar no cu!”;”

7 - “Quer dar cu/ Quer dar cu/ Vai torcer pelo timbu!”

Ah. Tenho que lembrar o artigo mais importante. É justamente o último.

12 - Chiló, Gerrá e Malvina, o ataque titular, são declarados, desde já, imortais como o santinha.

É isso aí. O recado está dado. E você tá fazendo o que aí nas sociais? Vem para arquibancada, Zé Mané. No próximo jogo, quem for para as sociais é mulherzinha.

Registre-se. Publique-se. Cumpra-se.

TOMSF - Torcida (des)Organizada Musical Sanfona Coral

* * * * * * * *

Pra quem não percebeu, está no ar nossa nova enquete: Qual o melhor lugar para tomar umas, antes dos jogos do Santa? Vote, ali na barra lateral.

71 comentários

As contas de Geó

Por Gerrá da Zabumba

Fazia tempo que eu não chegava tão cedo ao mundão do Arruda. O jogo tava marcado para 20h30. Sete horas a gente já tava lá. Ainda tentei dar uma parada no Bode Dourado, mas Chiló tava numa ansiedade grande, parecia até que tinha marcado encontro com alguém de suma importância e além disto, eu era o caroneiro desta história. Seguimos direto para o bar da beira da piscina.

E aí, a conversa correu solta. O tema mais interessante da preliminar foi as chances do Santa Cruz chegar entre os quatro primeiros. Aqui vai uma confissão, ainda não estava pensando na classificação, me desculpe Fabiano dos apitos.

E foi o meu amigo Geó que levantou a bola.

“Rapaz, com 60 pontos, o time tá na primeira divisão”, disse ele.

E continuou falando: “é só ganhar todas em casa e mais três fora, que a gente sobe”, afirmou o sociólogo.

“Camarada, a gente tem que pensar primeiro em não cair. O resto é lucro”, defendi.

Pra variar teve gente que concordou e teve gente que discordou.

Mas Geó estava convicto: “não tá difícil pra gente subir, não”, afirmou, fazendo explanações baseadas em números, fórmulas, probabilidades, etc e tal.

Teve hora que parecia que eu estava numa aula de Estatística 1.

Em determinado momento da conversa e com o teor alcóolico já acima do nível, alguém na mesa sussurou: “esse bicho é matemático, é?”

E eu fiz logo o trabalho de porta-voz: “Ei Geó, tu fizesse sociologia. O que danado tu conhece de estatística?”.

“Paguei quatro cadeiras de estatística na graduação e uma no mestrado. Tenho conhecimento”, disse o mestre.

Confesso que não sou muito chegado a esse negócio de ficar fazendo projeção pra ver se o time vai cair ou não vai. Dá um nervoso arretado. Toda vez que Geó afirmava que nossas chances de subir são grandes, a emoção vinha aos poros. E mais, nunca fui bom em estatística, sempre passei na base da fila.

Na roda da conversa, entre uma frevo e outra, chega Gustavo. Médico de carteirinha e ex-secretário da Prefeitura de João Paulo. Tricolor coral dos bons. O Dr. Gustavo também acredita e afirma com base em números que o Santinha vai subir esse ano.

Pronto, um médico e um sociólogo mostrando através de números a possibilidade de um time subir para a primeira divisão. Era o que me faltava.

Mas Chiló saiu com essa: “Gustavo é médico, mas trabalhou na prefeitura. Uma pessoa que foi da prefeitura sabe fazer cálculos. Eu acho que a gente sobe mesmo e eu tô invocado meu irmão”.

E parece que a tricolozada do Arruda está mesmo com a cabeça nos percentuais de chance. Até Robson, o fotógrafo oficial da Sanfona Coral e que de vez em quando faz uns “freelas” para o Blog do Santinha, foi pesquisar na internet sobre o assunto.

“Eita povo enlouquecido”, diria alguém.

É não amigo. É amor ao Santa Cruz e vontade de ser feliz.

Como sou louco, amo o Santinha e adoro a felicidade, acho que a gente tem chance. E mais, começo a acreditar que sociólogo e médico sabem muito de estatística, principalmente quando é torcedor do Santa.

41 comentários