Estamos de luto, branco e vermelho

Robertinho do Empório
Foto: Anizio Silva
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Empório Sertanejo em dia de festa tricolor
Faleceu na noite de ontem (25/09) Roberto Novaes Ferraz, proprietário do bar Empório Sertanejo e grande tricolor. Estamos preparando alguns artigos em sua homenagem; quem tiver alguma foto de Robertinho, por favor envie para o email blogdosantinha@gmail.com
ATUALIZAÇÃO: Agradecemos as fotos de Robertinho, enviadas pela sua sobrinha Marília. Ela relatou no email em que enviou as imagens que “no enterro tinha umas 400 pessoas (correção: em outro email Marília informa que havia por volta de 1000 pessoas). Ele era muito querido, recebeu muitas flores e coroas. Vai descansar em paz pertinho de Deus!“
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De luto, branco e vermelho!
por Carlos Lopes
Era 26 de novembro de 2005. Por imposição da profissão, havia sido privado da festa com mais de 60 mil convidados no Arruda. Cheguei por lá umas duas horas depois do jogo com a Portuguesa e, apesar da multidão nas ruas e na sede, não encontrei ninguém conhecido pra tomar uma e festejar o acesso à primeirona.
Parti para o reduto onde poderia tirar o atraso e iniciar a comemoração. Cheguei no Empório Sertanejo e dei de cara com Robertinho ajudando os garçons a recolher as mesas da calçada, sem um cliente na casa. “Ué, o que houve?”. Precavido em virtude do desastre lá dos Aflitos, Roberto temia que houvesse algum tipo de confronto dos caras conosco e resolveu fechar o Empório.
Argumentei que o Empório era a nossa casa, que a nossa comemoração não tinha a ver com a dor de ninguém e que uma carrada de tricolores estava pra chegar para uma justíssima festa. O coração do sertanejo amoleceu feito queijo manteiga: “Manéu, bota as mesas pra fora de novo”. Meia hora depois o Empório parecia a sede do Arruda, a Rua da Hora, a Beberibe.
Lembrei desta história ontem à noite, minutos depois de saber que Robertinho tinha partido pra outra. É duro perder anfitrião arretado como ele, gente da melhor espécie. Coração do tamanho de um boi. Um desfalque grande para a família, os amigos, pra nóis que fica.
Mas não sejamos egoístas. Roberto parte pra outra missão que não nos cabe discutir. Em breve, um novo Empório será inaugurado. Nele, Chico Science, Capiba e Jackson do Pandeiro poderão se sentar numa mesa e batucar o hino do Santinha, acompanhados de uma cerveja mofada e uma galinha cabidela, enquanto esperam começar mais um jogo do Mais Querido.
Agora, Roberto, cá entre nós, quando os grandões daí de cima chegarem pra um aperitivo no final do expediente, serve aquela tripinha de porco no capricho, aquele bode guisado no ponto, com farofinha de cuscuz. Quando os caras estiverem pra lá do além, promete um pendura pra eles em troca de uma interferência a favor do nosso Santa, a coisa (ops!!!), como você sabe, num tá boa.
Por aqui, Robertinho, seguiremos fazendo a nossa parte. Agora, de luto, branco e vermelho.
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O luto da Sanfona
Por Gerrá da Zabumba, em nome da Sanfona Coral
A Sanfona Coral nasceu numa mesa suja de bar. E hoje o bar está triste. A Sanfona querendo chorar. Quem conhece o Empório, está com olhos marejados. O boêmio do Empório está meio desnorteado. Mais perdido do que bebo sem bar.
Estampado na faixa da Sanfona está: Empório Sertanejo - Robertinho.
Assim como ele pediu, quando resolveu “patrocinar” a faixa da Sanfona Coral. Foi lá no Empório a última grande farra da Sanfona Coral.
Lá no Empório, tomamos todas, falamos de tudo e de todos. Carnaval, política, amores, futebol, música, trabalho e outros tantos temas. Lá é nosso ponto de encontro. Lá no Empório, já fui até 7 da manhã, bebendo e jogando conversa fora. Naquele bar já fiz grandes amizades. Já consolidei muitas amizades.
Roberto Ferraz, o Robertinho do Empório Sertanejo, conselheiro do Santa Cruz, faleceu tragicamente. Assim de repente.
Soube hoje. Cedo da manhã. Estava eu e a família vendo o noticiário local. Silenciamos. É interessante a falta de palavras diante das fatalidades.
Tricolor apaixonado, boêmio, e amante do forró, Robertinho do Empório, ou melhor, dos Empórios, sempre estava lá, no bar e nos jogos do Santa Cruz. As cadeiras cativas eram o seu lugar preferido. Nas primeiras fileiras. Na direção da linha do círculo central do gramado.
Peço licença à dor do luto, porque hoje quero beber o defunto. Assim como bebi na morte de Chico Science. Assim como fazem no interior.
Hoje queremos tocar um forró, beber uma cerveja e comer um bode guisado. Tenho certeza que ele vai ficar satisfeito.
Escrevendo aqui, leio o texto de Nunes. Eita, meu velho, que vontade de comer um queijo acebolado. Foi no Empório que me apresentaram a este delicioso tira-gosto. Sim, no Empório não tem petisco. Tem tira-gosto. Tem também cerveja gelada e copo americano. Tem música boa. Robertinho tinha bom gosto.
Hoje o toque da sanfona, o tilingado do triângulo e a batida da zabumba é pra Robertinho. Hoje a lapada é uma pra nós, outra pra ele. E que sábado a vitória contra o Ituano seja para Robertinho e todo o povão.
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Menos alegria no mundo
por Inácio França
No longínquo ano de 2001, pouco depois do Santa enfiar dois gols na coisa e acabar matematicamente com as chances de um hexa rubro-negro, cheguei ao Empório com uma bandeira vermelha-e-preta que tinha encontrado numa sarjeta na frente do Arruda. A idéia era queimar a bandeira no bar, mas a famigerada estava imunda e molhada, imune ao fogo dos isqueiros. Apelamos para a única autoridade constituída presente, o dono do bar: “como é que a gente seca essa porra?”. Tricolor e florestano, Robertinho nunca foi homem de desistir diante de um obstaculozinho qualquer. Minutos depois, volta ele do primeiro andar do bar com um secador de cabelos na mão. Comemoramos como se fosse gol e secamos a bandeira até ela ficar no ponto de virar cinzas.
Estou triste Robertinho, mas só me recordo do seu bom humor e de sua alegria em episódios como esse ou da sua insistência para que batesse na porta da casa de sua mãe, em Floresta, e pedisse para comer um rubacão preparado por ela, numa de minhas muitas viagens à sua terra nos tempos de repórter do DP.
Robertinho, que idéia besta essa de morrer!
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