Santa Música Popular - vol. II - Maestro Édson Rodrigues
Por Júlio Vila Nova
O segundo santacruzense enfocado na série Santa Música Popular é o Maestro Edson Rodrigues. Talento raro, caráter, humildade e grandeza incomuns. Por isso, Maestro assim, com maiúscula, ou Mestre da música. Como referência mais recente, basta dizer que ele é professor de Spok - outro tricolor, que já ganhou o Brasil e o mundo como novo fôlego de inventividade do Frevo -, e ele nunca esquece de mencionar o nome de Edson como um dos seus grandes mestres (um dos primeiros grupos instrumentais de que Spok participou, ainda estudante no Centro Profissionalizante de Criatividade Musical do Recife, chamava-se Edsonsax, vejam só!).
Edson comemora em 2007 seu cinqüentenário no mundo da música. 50 anos de carreira vitoriosa, iniciada como instrumentista (tocava requinta, uma espécie de clarinete) na orquestra do maestro João Santiago (tricolor também, é claro, consagrado compositor do Bloco Batutas de São José e do carnaval brasileiro), pelas ruas de Olinda. Vai aqui então uma pequena homenagem do blog a este grande artista, orgulho para a massa tricolor, para o povo pernambucano inteiro e para a Música Popular Brasileira de sempre.
Quer conhecer melhor quem é Edson Rodrigues? Pegue um disco de frevo, qualquer um, dos velhos LPs da Rozemblit aos CDs que abastecem o mercado mais recente, ainda modesto face à importância e valor dessa música, nossa identidade (vamos ouvir Frevo minha gente, não precisa esperar pelo carnaval, não é mesmo?). Pois bem. É muito provável que você encontre o nome de Edson em qualquer encarte. Pegue, por exemplo, qualquer disco da série O Bom do Carnaval, de Claudionor Germano; ou os discos do Frevança (quando o festival teve o patrocínio da TV Globo); ou o primeiro CD do Bloco da Saudade. Lá está o nome de Edson, na direção musical, nos arranjos, nos saxofones.
Se você gosta de música, mas não é lá muito chegado ao Frevo, vai encontrar Edson Rodrigues entre os maiores da música instrumental e do jazz feito por aqui e em toda parte. Ele é o solista da Contrabanda, um time de craques. Já correu o mundo, levando o Frevo na bagagem sonora do seu talento ou acompanhando alguns artistas sortudos da MPB, abençoados pela presença de Edson ao seu lado, como Paulo Moura, Miúcha, Francis Hime, Alceu Valença, Sivuca, Elizete Cardoso e Clara Nunes, entre outros.
Sobre sua trajetória musical, ele conta uma história do tempo em que ainda estava nos braços da mãe: “Meu primeiro contato com a música, segundo contava meu pai, foi nos braços da minha mãe, ouvindo um samba de Noel. Eu estava muito doente, mas mesmo assim comecei a me sacudir nos braços dela provocando risos.”
Entrou na Banda Municipal do Recife, por concurso, em 1958. Trabalhou ao lado do historiador Leonardo Dantas Silva (mais um tricolor ilustre, anotem ai) no Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado. Com Leonardo, aliás, tem uma relação de amizade muito sólida, iniciada quando este, jornalista, foi incumbido de fazer uma matéria sobre o 1º lugar do Festival de Músicas Carnavalescas da Prefeitura, que Edson ganhou com o frevo Duas Épocas, em 1966. A matéria saiu, mas sem foto, porque o Maestro estava com catapora. A música, um dos frevos-de-rua mais bem elaborados de todas as épocas, nasceu de uma conversa de Edson com a sua avó, sobre as diferenças entre os carnavais vividos por ambos, em tempos distintos. Uma beleza!
Durante muito tempo, Edson tocou na orquestra de Nelson Ferreira e, quando este veio a falecer, em 1976, assumiu a direção do grupo, até passar a bola para Lourival Oliveira. Nos anos 80, Edson iniciou uma parceria com Raul Valença, filho de um dos ilustres irmãos que compuseram o hino oficial do Santa Cruz. Dessa parceria nasceu o CD Salve o Frevo, Imortal! Imortal!, lançado em 2004, com quinze composições, algumas delas premiadas.
Em setembro de 2004, foi homenageado no Recife Jazz Festival, com medalha oferecida pela Secretaria de Cultura do Recife.
No carnaval de 2007, o Bloco Carnavalesco Lírico Cordas e Retalhos homenageou o Maestro, que é o regente da orquestra do bloco, durante o programa Carnaval de Pernambuco, exibido ao vivo pela TV Globo.
Ainda este ano, foi homenageado pela Secretaria de Cultura do Estado, com apresentação na Biblioteca Pública; e pelo Conservatório Pernambucano de Música, por ocasião das festividades de aniversário da escola, no Teatro Santa Izabel.
Edson Rodrigues também é jornalista e geógrafo, pela UNICAP, professor de música e especialista em etnomusicologia pela UFPE.
Quem quiser ver o músico em ação, ao vivo, é só acompanhar o Cordas e Retalhos. Quem quiser ouvir o trabalho dele, basta procurar os discos. O frevo Duas Épocas foi regravado recentemente, com arranjo de Clóvis Pereira, no 2º CD 9 de Frevereiro de Antônio Nóbrega. No próximo CD com as músicas vencedoras do Concurso de Músicas Carnavalescas de Pernambuco, para o carnaval 2008, Edson estará como melhor arranjador, ao lado do mesmo Clóvis Pereira.
Abaixo, o Maestro responde as perguntas do blog do Santinha sobre sua paixão pelo Santa.
1. Quais são suas primeiras lembranças como torcedor do Santa Cruz ?
Eu lembro o meu Santa do tempo de Jorge de Castro, Mituca, Marinho, Aldemar e outras feras. Quanta alegria esse time já me deu!
2. Quais são os momentos mais importantes na história do clube, aqueles que lhe renderam as maiores emoções como torcedor?
Quando o Santa foi Super Campeão - não lembro se 3 ou 5 vezes. Só sei que meu pai me deu uma camisa toda branca com duas listras horizontais - uma preta e outra vermelha.
3. Como artista tricolor, que mensagem você manda para a torcida do Santa Cruz ?
Que o amor pelo Mais Querido é coisa que não pode arrefecer por conta de uma má fase. A vida é feita de altos e baixos. Tudo passa e o Santinha vai voltar a nos dar muitas alegrias. Sou um santacruzense otimista!
ATUALIZAÇÃO: Escute abaixo na Rádio do Santinha o frevo Duas Épocas, interpretado pela Orquestra do Maestro Duda:
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