Alojamentos da base: prioridade número 1
Aqui dormem os jogadores dos júniores
O higiênico chuveiro…
por Inácio França
Passou o tempo de campanhas de emergência, de arrecadação de dinheiro vivo em regime de urgência, como aquela do final do ano passado, quando a torcida arrecadou R$ 3.303,09, entregues imediatamente ao vice-presidente Fred Arruda. Também não dá para os remediados que freqüentam esse blog se aventurarem a “dar” dinheiro para pagar salário de jogador profissional. Além do imediatismo e das quantias elevadas, não adianta participar de algo em que poucos são ouvidos.
Então, como participar? Muitos gente que passa por aqui vive batendo a cabeça na esperança de encontrar uma forma de ajudar, que vá além do papo de mesa-de-bar. Talvez a resposta para isso tenha surgido no instante em que um grupo de torcedores começou a se mobilizar para reformar os alojamentos das divisões de base, inspirados no ótimo exemplo da ATASC.
A idéia é simples: basta ir à loja Tupan de Afogados e comprar algo previamente estabelecido numa lista de materiais realmente necessários, como naquelas listas que os casais de noivos deixam nas grandes lojas para os convidados se endividarem. Nada de entregar cheque, nada de levar mercadorias que não serão usadas. A própria loja entrega no Arruda. O preço é o de Atacado, ou seja, alguns porcentos a menos do que o de varejo. Esse desconto é a colaboração de Carlinhos da Tupan, o dono da loja. Dizem que ele cansou de passar anos dando dinheiro e não saber onde a grana foi usada.
O problema é que o tricolor precisa de paciência na hora da compra. A parceria não é conhecida de todos os funcionários e a lista de materiais (que será disponibilizada aqui no blog por Gileno Lima) está nas mãos de uma funcionária.
Não sei quem é o pai da idéia, mas ela é boa e simples. E criou um mecanismo razoavelmente seguro para os torcedores de classe média ajudarem o Santa. O Blog do Santinha resolveu apostar nisso e pedir a todos os internautas a separarem um dinheirinho para ajudar a reformar os alojamentos dos juvenis e dos júniores, uma verdadeira loca. Afinal, nada mais importante do que apostar nas categorias de base, a fábricas de jogadores que alimenta qualquer clube de futebol.
Pelas fotos dessa postagem e pelo texto de Gerrá (que visitou os alojamentos), dá para perceber que esses lugares, do jeito que estão, não são dignos de abrigar quem defende as cores preto-branca-e-vermelha. Nossa esperança é publicar imagens mais agradáveis em breve.
ATUALIZAÇÃO: Consulte aqui a lista de materiais de construção, necessários à reforma do alojamento das divisões de base do Santa Cruz:
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Por Gerrá da Zabumba
Aproveitei a ida do meu irmão, Gileno, e fui junto. Ele e minha cunhada foram registrar algumas imagens do alojamento das divisões de base. E eu pude conhecer in loco aquele lugar.
A primeira imagem que veio a minha cabeça, no momento que entrei no local, foi a de um circo. Não a imagem do picadeiro. Mas aquela cena que a gente vê nos circos do tipo “tomara que não chova”. Aqueles que fazem turnê pelos subúrbios e interiores mundo afora. Na parte de trás destes circos, aonde os artistas moram, sempre estão lá: panos velhos pendurados, toalhas encardidas, lençóis rasgados.
Vi também ali, esses que vivem sob os viadutos. Essa cena veio à minha mente, num determinado instante.
Tentei puxar conversa com alguns jovens que estavam ali, a maioria voltando do almoço. Por algum momento, não tive forças para falar.
Interessante é que nem sempre tenho este mesmo sentimento quando me deparo com a miséria nas ruas. Mas ali não era a rua. Ali é o Santa Cruz.
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