Santa Democracia
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Ivan com seu traje de bacamarteiro durante a Recitata 2006,
concurso de poesia oral que organizou, ao lado da poeta Cida
Pedrosa e de Heloísa Arcoverde da FCCR (Fundação de Cultura
da Cidade do Recife - oba, batemos o recorde de legenda)
Por Ivan Marinho
Antes de tudo, deixem que me apresente. Sou Ivan Marinho, artista plástico e professor de educação física, pai de cinco filhos e torcedor do Mais Querido que, quando merecedor de respeito, é saudado com três tiros do meu bacamarte (esqueci de dizer que faço parte da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, existente desde 1966). Mas quando falo em respeito não me refiro às amadas três cores ou a torcida, que merecem muito mais, mas as provisórias equipes (técnicas ou do elenco) ou a diretoria. É bom, logo de início, lembrar ao Edinho da provisoriedade de seu posto.
Gostaria de salientar que sou um dos imbecis citados pelo atual técnico do Santa, que quando sair passaremos a chamar de Há Mais Tempo. Sou imbecil porque não quero estar fora das injustas declarações feitas a minha querida tribo coral, bem como também, por ter acreditado que a novidade histórica de levar a oposição à administração do clube, pudesse sensibilizar os cartolas da viabilidade das relações democráticas nas estâncias desportivas.
Relevante também é fazer parte de uma torcida que não se cansa de ter esperança e, além disso, vai a campo, fazendo jus ao tamanho do estádio, contribui participando de todas as campanhas e, ainda, criando situações para levantar o clube, como a ação de reforma dos equipamentos das categorias de base. É muita boa vontade, é muita confiança, tanta que chega a parecer ingenuidade.
Não quero aqui dar veredicto algum, mas quero compartilhar minhas inquietações, talvez superficiais, talvez não. De qualquer forma me faço vidraça ao me expor, comungando com Cecília Meireles quando disse: “Eu canto, enquanto o instante existe…”
Creio que todos os “imbecis” tricolores devem, como eu, se perguntar sobre contratações como as de Creedence, Didão e Mauro Fernandes, pra citar os mais evidentes. Devem se perguntar também quanto ganham figuras com estas e se a diretoria está cumprindo a promessa de prestação de contas, pois, a impressão que se tem, aqui de fora, a partir de declarações públicas como a de Marquinho Caruaru sobre problemas pessoais na escalação, a agressividade do técnico com a torcida e a intransigência do presidente em mantê-lo, é de que os interesses estão pra além do futebol.
Permitam-me abrir parênteses aqui para falar do Mauro Fernandes. Tenho a impressão de que esse técnico pensa que é inteligente e que treina o time com conversas. Parece que o excesso de conversas com os jogadores, coisa comum aos pedantes, contraria a lógica técnica de treinadores que valorizam os indivíduos e permite, nos coletivos, um maior entrosamento da equipe, desenvolvendo a explosão e a confiança. Creio que conquistar um campeonato, muitas vezes é mérito da equipe. Um técnico se credencia quando conquista um bi-campeonato, ou tri… Confesso que não sei se o lambe-língua teve essa proeza.
Meus irmãos de cores, sou alagoano e estou em Pernambuco há 26 anos. Tenho acompanhado, com pesar, a derrocada do meu CSA que beira a extinção. Não podemos por em risco a nação tricolor como em Alagoas está se fazendo com a nação azulina. Não podemos permitir a instabilidade que vivemos a tantos anos, levando nossos filhos a se frustrarem mais do que a se realizarem. Não devemos, tolamente, jogar pérolas aos porcos com ações assistencialistas que não são correspondidas… Vamos acabar com essa desculpazinha esfarrapada de que toda conquista tem que ser sacrificada, as coisas não são assim simplesmente porque carregamos um nome homônimo à cruz de Cristo. E se for, que iniciemos uma história de ressurreição, de Alegria e Glória como as ruas que nos margearam na origem.
Ainda é tempo de se redimir. Caso contrário, fora direção!
Portanto, pensemos no que significaria uma administração colegiada, mais aberta, mais transparente e sem cartolagem.
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